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Jovens colonos israelitas alojados numa instalação militar de quarentena para o coronavírus atacaram campistas palestinos na Cisjordânia e incendiaram os seus carros. O incidente teve lugar na noite de segunda-feira, perto do Mar Morto, no Sul da Cisjordânia ocupada. Os palestinos eram dois homens da cidade de Jenin, na Cisjordânia, e uma mulher da cidade israelita de Haifa, e estavam acampados perto do complexo de quarentena. Os colonos começaram por lhes atirar pedras, depois lançaram-lhes gás pimenta e, por fim, pegaram fogo aos seus carros.

Os colonos são originários do colonato de Yitzhar, a sul de Nablus, conhecido pela violência dos seus colonos e apelidado de «incubadora da violência dos colonos israelitas». Ainda no mês passado, os moradores do colonato atiraram três bombas incendiárias contra um veículo da polícia de fronteira.

Colonos judeus do colonato ilegal de Sidi Boaz arrancaram no Domingo de Páscoa cerca de 350 oliveiras pertencentes a agricultores palestinos na cidade de al-Khader, perto de Belém, na Cisjordânia ocupada.

Já no início de Março, no espaço de duas semanas, colonos judeus tinham assaltado pomares pertencentes a agricultores palestinos de al-Khader, e aí destruíram meia centena de videiras.

Numa outra acção terrorista dos colonos judeus, hoje, pela segunda semana consecutiva, os colonos do bloco ilegal de colonatos Gush Etzion abriram os esgotos para inundar as terras agrícolas palestinas na cidade vizinha de Beit Ummar, no sul da Cisjordânia, segundo declarou Mohammad Awad, um activista local, à agência noticiosa WAFA.

As águas residuais inundaram as explorações agrícolas plantadas com videiras, numa acção que os colonos repetem intencionalmente todos os anos para destruir as culturas, causando graves danos e prejuízos financeiros aos agricultores.

Na madrugada de 9 de Abril de 1948, três milícias sionistas - o Haganah, o Irgun e o Bando Stern - atacaram a aldeia palestina de Deir Yassin, situada a oeste de Jerusalém. Mais de 100 homens, mulheres e crianças foram massacrados. Alguns foram mutilados e violados antes de serem assassinados. Vinte e cinco homens da aldeia foram depois executados numa pedreira próxima.

Na altura do massacre, David Ben-Gurion, Menachem Begin e Yitzhak Shamir dirigiam, respectivamente, o Haganah, o Irgun e o Bando Stern. Todos viriam a ser primeiros-ministros de Israel. Ninguém foi punido por aquele acto hediondo.

A missão 2020 da Flotilha da Liberdade, que o MPPM noticiou, foi adiada devido à presente situação de pandemia. A este respeito, a coordenação internacional da coligação tornou público o seguinte comunicado:

«Tendo em conta as restrições sanitárias globais em matéria de viagens e reuniões públicas, a Coligação Flotilha da Liberdade decidiu adiar a partida planeada para Gaza. Tínhamos inicialmente planeado visitar vários portos do sul da Europa em Abril e Maio deste ano e rumar a Gaza no final de Maio, para coincidir com o 10º aniversário do ataque israelita ao Mavi Marmara e a outros navios da Flotilha da Liberdade em 2010, que matou 10 activistas da paz.

A Microsoft retirou o seu investimento de 74 milhões de dólares na empresa de vigilância israelita AnyVision que tem fornecido tecnologia de reconhecimento facial biométrico aos postos de controlo do exército israelita que separam a Cisjordânia ocupada de Jerusalém e de Israel.

Esta decisão culmina o sucesso da campanha #DropAnyVision, lançada pela Jewish Voice for Peace, juntamente com o Comité Nacional Palestino de Boicote, Desinvestimento e Sanções, outras organizações de solidariedade com a Palestina e organismos de vigilância empresarial, para obrigar a Microsoft a retirar o seu financiamento à AnyVision, considerando que este investimento era uma violação explícita dos princípios da Microsoft.

Exército israelita detém palestino perto de Nablus

O exército de ocupação israelita continuou as agressões e detenções nos territórios palestinos ocupados, apesar da propagação do coronavírus. Segundo informações do Centro de Estudos dos Prisioneiros Palestinos, durante o mês de Março registaram-se 250 detenções, incluindo 54 menores e 6 mulheres.

O porta-voz do Centro, o investigador Riyad Al-Ashqar, acusa a ocupação de pôr constantemente em perigo a vida dos palestinos ao continuar a efectuar detenções nestas circunstâncias excepcionais que afectam o mundo inteiro.

Al-Ashqar considera as práticas da ocupação para com os prisioneiros como um claro desrespeito pelas suas vidas, salientando que as autoridades israelitas recusaram durante o mês passado, e continuam a recusar, aplicar as medidas de segurança necessárias para impedir a propagação do coronavírus nas prisões.

A organização de direitos humanos Euro-Mediterranean Monitor, sedeada em Genebra, apelou à comunidade internacional para forçar as forças armadas israelitas a pôr termo às incursões em cidades e vilas palestinas por representarem uma ameaçam para as medidas preventivas tomadas pela Autoridade Palestina para controlar o surto de coronavírus. Pediu também para investigar e responsabilizar o comportamento suspeito de vários soldados e colonos israelitas no que parece ser uma tentativa de espalhar a infecção.

Ontem, soldados israelitas, fortemente armados e acompanhados de cães, lançaram gás lacrimogénio e granadas atordoantes, invadiram casas e procederam a detenções na cidade de Ramala. Na sequência da incursão o município de Ramallah mandou esterilizar as ruas, locais públicos e prédios invadidos pelos soldados israelitas, segundo declarou à agência noticiosa WAFA o presidente da câmara municipal, Moussa Hadid.

No Dia da Terra e no segundo aniversário do início da Grande Marcha do Retorno, uma coligação europeia de organizações, entre as quais o MPPM, lança uma petição para que a União Europeia deixe de utilizar drones israelitas para controlar as suas fronteiras marítimas.

Os drones Hermes, fabricados pela Elbit Systems, a maior empresa militar israelita, foram desenvolvidos especificamente para serem usados pelas forças armadas israelitas para manter a Faixa de Gaza sob o cerco desumano a que está sujeita por Israel desde há mais de uma dezena de anos. Segundo a Human Rights Watch, esses drones foram realmente usados para deliberadamente atingir civis na Faixa de Gaza durante os massacres de 2008-2009. Os drones da Elbit Systems também foram usados para matar civis no Líbano na guerra de 2006 levada a cabo por Israel.

Assinala-se hoje, na Palestina e em todas as suas diásporas espalhadas pelo mundo, o Dia da Terra. Este ano, o povo palestino evoca os acontecimentos de 1976 numa situação particularmente difícil em resultado da pandemia COVID-19. O previsível avanço da doença, propulsionado pelas deficientes condições sanitárias em que vive a generalidade da população palestina, em especial nos campos de refugiados e na Faixa de Gaza, faz temer o pior. Em paralelo, Israel intensifica os abusos contra os palestinos, levantando obstáculos às medidas de apoio e prevenção da pandemia tomadas nas comunidades palestinas e explorando a situação para acelerar a anexação de facto do território palestino.

Na manhã de ontem, segundo informação da B’Tselem - organização israelita de direitos humanos -, funcionários israelitas escoltados por militares, deslocaram-se à comunidade palestina de Khirbet Ibziq, no norte do Vale do Jordão, onde confiscaram diversos materiais e equipamentos destinados à montagem de tendas para uma clínica de campanha e para alojamento de emergência dos residentes evacuados de suas casas.

Enquanto por todo o mundo inteiro se luta contra uma crise sanitária sem precedentes, as forças armadas israelitas dedicam tempo e recursos a perseguir as comunidades palestinas mais vulneráveis da Cisjordânia, comunidades de pastores e agricultores que vivem na designada Área C (sob controlo civil e militar de Israel) e que Israel tenta, por todos os meios, que abandonem as suas terras, tornando-lhes a vida intolerável, para poder concluir o processo de anexação de facto do território ocupado.

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