História da Palestina e do Médio Oriente

Em pouco mais de um século, entre 1900 e 2018, a população judaica na Palestina Histórica mais do que centuplicou (de 50 000 para 6 700 000), enquanto a população autóctone pouco mais que decuplicou (de 550 000 para 6 500 000). Este é o resultado de uma imigração maciça de judeus associada a uma limpeza étnica dos palestinos conseguida por expulsões e massacres. Ao mesmo tempo, através de guerras e manobras políticas, Israel assumiu o controlo, de jure, de 95% do território da Palestina do Mandato Britânico (deixando aos palestinos a Faixa de Gaza e a Área A da Cisjordânia), mas controla, de facto, a totalidade do território.

Nesta Folha Informativa recordamos os acontecimentos e identificamos os responsáveis por esta situação, tanto a nível demográfico como territorial, desde o domínio otomano à actualidade, passando pelo Mandato Britânico, pela criação do Estado de Israel e a Nakba, pela guerra de 1967 e a expansão sionista e pelos Acordos de Oslo e suas consequências.

O dia 5 de Junho marca o 52.º aniversário daquilo a que palestinos chamam Naqsa (derrota ou revés), a ocupação por Israel dos territórios palestinos de Jerusalém Oriental, Cisjordânia e Faixa de Gaza na chamada Guerra dos Seis Dias, em 1967.

Em 1967 Israel rematou o que iniciara em 1948, ocupando todo o território situado entre o Mediterrâneo e o Jordão. Ficaram sob o domínio sionista todos os palestinos que não tinham sido convertidos em refugiados — em 1967 novos refugiados vieram somar-se aos de 1948. Aos palestinos dos territórios recém-ocupados foi aplicado o mesmo regime militar sob o qual tinham vivido os seus irmãos palestinos de Israel até ao ano anterior.

Desde a vitória de Israel na edição passada do Festival Eurovisão da Canção, têm-se multiplicado, tanto em Portugal como um pouco por todo o mundo, os apelos à não participação na final da edição deste ano que se realiza em Telavive – gorada a manobra provocatória de Israel de pretender realizar a final em Jerusalém – entre 14 e 18 de Maio próximo.

Em Fevereiro, o MPPM dirigiu à administração da Rádio e Televisão de Portugal uma carta em que apelava à entidade responsável pela organização da participação portuguesa no Festival a que se retirasse da edição de 2019 daquele certame, pois se entendia que «com essa decisão, a RTP prestigiará Portugal e colocará o nosso país do lado certo da justiça, da liberdade, da defesa da dignidade da pessoa humana e da paz».

«No próximo ano em Jerusalém.» Foi assim que acabou o passado Festival da Eurovisão em Lisboa. O cariz político do Festival da Eurovisão para 2019 acabava de ser reforçado.

Não que o mesmo já não fosse latente e comensurável, mas para todos aqueles que não se encontram familiarizados com a questão palestina, este foi um sinal de alerta, entre vários, para o intuito de Israel de utilizar a Eurovisão como um concurso próprio à legitimação, branqueamento e normalização das suas políticas.

Para entender por que razão reclamamos que Portugal não participe no Festival da Eurovisão no ano de 2019 há que enquadrar a questão histórica da Palestina, de forma a permitir-se ao passado iluminar o presente.

No século XIX a Palestina, então parte integrante do Império Otomano, testemunha um súbito interesse de colonos europeus que aí se instalam.

A convite da Associação Gandaia, Carlos Almeida, do MPPM, dinamizou uma tertúlia sobre a Questão Palestina, ontem, na sede do Gandaia Clube, na Costa da Caparica.

Depois de apresentado por Reinaldo Ribeiro, Carlos Almeida fez uma resenha histórica da questão palestina nos últimos 100 anos, desde a génese do movimento sionista até à actualidade.

Seguiu-se um vivo debate que proporcionou uma ampla troca de ideias e contribuiu para uma melhor percepção da questão palestina.

A Câmara Municipal do Seixal, em parceria com o MPPM – Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente – e com o CPPC – Conselho Português para a Paz e Cooperação – promoveu a realização do Seminário «Palestina: História, Identidade e Resistência de um País Ocupado», no dia 30 de Novembro, no Auditório do edifício dos Serviços Centrais da Câmara Municipal do Seixal.

O Seminário foi transmitido directamente em streaming e está disponível no YouTube [ver Parte I] [ver Parte II].

A Câmara Municipal de Palmela, na sua reunião do passado dia 21 de Novembro, aprovou por unanimidade uma Saudação ao Dia Internacional de Solidariedade com o Povo Palestino.

Mais uma vez, o MPPM sublinha e saúda a acção persistente, empenhada e atenta da Câmara Municipal de Palmela na solidariedade com a causa da liberdade do povo palestino.

Após recordar que o Dia Internacional da Solidariedade com o Povo Palestino foi instituído pelas Nações Unidas para recordar a Resolução 181 da Assembleia Geral, aprovada em 1947, que  «criou o Plano de Partição da Palestina em dois Estados, um árabe e um judeu, sem que tenham sido consultados os habitantes do país», o texto sublinha que  «sete décadas depois, esta comemoração pretende alertar para o facto de que o Estado independente e soberano da Palestina continua por cumprir e de que os direitos atribuídos pela ONU ao povo palestino são desrespeitados diariamente».

Em 15 de Novembro de 1988, Yasser Arafat, num acto histórico de grande transcendência, dava leitura à Declaração de Independência da Palestina, que proclamava a criação do Estado da Palestina nas fronteiras de 1967 e tendo Jerusalém Oriental por capital.

Escrita pelo grande poeta palestino Mahmoud Darwish, a histórica Declaração acabava de ser adoptada pelo Conselho Nacional Palestino, a mais alta instância da Organização de Libertação da Palestina, reunido em Argel.

A Declaração e a proclamação do Estado da Palestina foram um importante marco na luta do povo palestino pelos seus direitos nacionais inalienáveis e pelo seu Estado independente e soberano.

A Declaração Balfour, de que hoje se assinala o 101.º aniversário, é um documento histórico de consequências terríveis para o povo palestino.

Em 2 de Novembro de 1917, Lord Arthur Balfour, secretário dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido, enviou uma carta a Lionel Walter Rothschild, uma figura de proa da comunidade judaica britânica. Nessa carta o governo britânico prometia à Federação Sionista favorecer a constituição na Palestina de um «lar nacional para o povo judaico».

Com sobranceria imperial e inteiramente à revelia dos habitantes autóctones — o povo palestino —, o imperialismo britânico prometia a pessoas que não viviam na Palestina um território que não lhe pertencia (nessa altura a Palestina fazia parte do Império Otomano). A promessa veio a revelar-se funesta para este.

Artigo publicado pela Al-Jazeera em 4 de Junho de 2018

Há mais de 50 anos, o Estado de Israel chocou o mundo quando tomou os territórios palestinos remanescentes da Cisjordânia, Jerusalém Oriental e Faixa de Gaza, bem como os Montes Golã sírios e a Península do Sinai egípcia, em apenas seis dias.

Numa guerra com o Egipto, a Jordânia e a Síria conhecida por Guerra de 1967 ou Guerra de Junho, Israel impôs o que veio a ser conhecido como «Naksa», o que significa revés ou derrota, aos exércitos dos países árabes vizinhos e aos palestinos, que perderam tudo o que restava da sua terra natal.

A Naksa foi uma continuação de um acontecimento central anterior que abriu caminho à guerra de 1967. Dezanove anos antes, em 1948, o Estado de Israel formou-se num processo violento que resultou na limpeza étnica da Palestina.

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