História da Palestina e do Médio Oriente

A Declaração Balfour, de que hoje se assinala o 101.º aniversário, é um documento histórico de consequências terríveis para o povo palestino.

Em 2 de Novembro de 1917, Lord Arthur Balfour, secretário dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido, enviou uma carta a Lionel Walter Rothschild, uma figura de proa da comunidade judaica britânica. Nessa carta o governo britânico prometia à Federação Sionista favorecer a constituição na Palestina de um «lar nacional para o povo judaico».

Com sobranceria imperial e inteiramente à revelia dos habitantes autóctones — o povo palestino —, o imperialismo britânico prometia a pessoas que não viviam na Palestina um território que não lhe pertencia (nessa altura a Palestina fazia parte do Império Otomano). A promessa veio a revelar-se funesta para este.

Artigo publicado pela Al-Jazeera em 4 de Junho de 2018

Há mais de 50 anos, o Estado de Israel chocou o mundo quando tomou os territórios palestinos remanescentes da Cisjordânia, Jerusalém Oriental e Faixa de Gaza, bem como os Montes Golã sírios e a Península do Sinai egípcia, em apenas seis dias.

Numa guerra com o Egipto, a Jordânia e a Síria conhecida por Guerra de 1967 ou Guerra de Junho, Israel impôs o que veio a ser conhecido como «Naksa», o que significa revés ou derrota, aos exércitos dos países árabes vizinhos e aos palestinos, que perderam tudo o que restava da sua terra natal.

A Naksa foi uma continuação de um acontecimento central anterior que abriu caminho à guerra de 1967. Dezanove anos antes, em 1948, o Estado de Israel formou-se num processo violento que resultou na limpeza étnica da Palestina.

Na madrugada de 9 de Abril de 1948, a aldeia palestina de Deir Yassin, com cerca de 750 habitantes, foi atacada por comandos das organizações terroristas sionistas Irgun e Lehi, também conhecida por Stern Gang.
Ao invadirem a aldeia, os soldados judeus varreram as casas com tiros de metralhadora, matando muitos dos habitantes. Os aldeões restantes foram então reunidos e assassinados a sangue frio; algumas mulheres foram violadas e depois mortas. Ao meio-dia, tinham já sido sistematicamente assassinadas mais de 100 pessoas, metade delas mulheres e crianças.
Deir Yassin ficava fora da área que o plano de partilha das Nações Unidas, aprovado em 1947, destinava ao futuro Estado judaico, e a aldeia tinha um acordo de paz com a Hagana, as forças armadas oficiais do movimento sionista.

«The Nakba — From 1948 to Today» é um artigo escrito por Ben White especialmente para a Palestine Solidarity Campaign, e publicado na página daquela organização em 29 de Abril de 2016.
 
O que é a Nakba?
A Nakba («catástrofe» em árabe) refere-se à limpeza étnica dos palestinos e à destruição de comunidades palestinas que ocorreram com a criação do Estado de Israel em 1948.
Cerca de 85% a 90% dos palestinos que viviam no que se tornou Israel foram expulsos (cerca de 700 a 800 mil) [1]. Quatro em cada cinco cidades e aldeias palestinas foram destruídas ou repovoadas por israelitas judeus [2]. Em cidades como Haifa e Acre, os bairros palestinos foram esvaziados e repovoados.
Análise da AFPS – Association France-Palestine Solidarité publicada em 9 de Março de 2018
 
Em finais de 1947, quando as Nações Unidas recomendaram a partição da Palestina num Estado judaico e num Estado árabe, a Palestina era habitada por um terço de judeus e dois terços de árabes palestinos. Um ano mais tarde, 80% da população árabe palestina do território que, entretanto, se tornara israelita viviam no exílio em campos de refugiados, e mais de 500 aldeias e 11 bairros de cidades palestinas tinham sido destruídos ou arrasados. Esta limpeza étnica foi meticulosamente preparada, particularmente no Plano Daleth. Em alguns meses, os dirigentes do movimento sionista organizaram a «transferência», por meio da violência e da intimidação, da população árabe palestina.
Texto da intervenção feita no dia 2 de Novembro de 2017, na Fundação José Saramago, na apresentação pública do Manifesto «Justiça para a Palestina».

Senhoras e Senhores

Como apoiante da luta do povo palestino, não necessito de grandes argumentos para sustentar a minha posição, e uma palavra me basta e sintetiza todos os argumentos: a Verdade. A verdade histórica. A causa da Palestina está eivada de calúnias, embustes, descaradas mentiras de que a propaganda dos judeus sionistas permanentemente se serve para encobrir a verdade. Não será por acaso que magnatas judeus têm investido em poderosas agências de comunicação internacionais.
Texto da intervenção feita no dia 2 de Novembro de 2017, na Fundação José Saramago, na apresentação pública do Manifesto «Justiça para a Palestina»

No dia 2 de Novembro de 1917, uma declaração assinada pelo Secretário dos Negócios Estrangeiros, Arthur James Balfour, em nome do Governo Britânico, foi entregue ao 2º Barão de Rothschild, Lionel Walter Rothschild de seu nome, para ser encaminhada ao movimento sionista mundial, através da Federação Sionista Britânica.
O dia 2 de Novembro de 2016 marca o 99º aniversário da Declaração Balfour, em que o governo britânico prometia à Federação Sionista favorecer a constituição na Palestina de um «lar nacional para o povo judaico». O imperialismo britânico prometia a quem não vivia na Palestina um território que não lhe pertencia (nessa altura a Palestina fazia parte do Império Otomano). A promessa foi feita inteiramente à revelia do povo palestino e veio a revelar-se funesta para este. O apoio britânico ao sionismo e a repressão da resistência palestina abriram caminho à formação do Estado de Israel, em 1948, acompanhada por um cortejo de violências e pela expulsão de centenas de milhares de palestinos, ao passo que o Estado da Palestina previsto pela resolução 181 da Assembleia Geral da ONU, de 29 de Novembro de 1947, ainda hoje não se tornou realidade.
Em finais de Outubro foi apresentado publicamente um dos maiores mosaicos do mundo, localizado no palácio do califa omíada Hisham Bin Abdul Malik, a cerca de dois quilómetros de Jericó, na Margem Ocidental ocupada.
O mosaico cobre o chão da sala de recepção e do grande balneário do palácio e «é considerado um dos maiores e mais belos pavimentos de mosaico do mundo», segundo um comunicado do Ministério palestino do Turismo e Antiguidades.
À margem da cerimónia de apresentação do mosaico, que contou com a presença de autoridades palestinas e personalidades públicas, a ministra da Turismo, Rula Maayah, declarou à agência Anadolu que o mosaico, de 827 metros quadrados, é «uma obra de grande precisão e beleza», explicando que consiste em 38 painéis diferentes ligados entre si, com milhares de pedras de 21 cores naturais.
No seu livro Mapping My Return: A Palestinian Memoir [Cartografando o meu Regresso: Uma Memória Palestina] (American University in Cairo Press, Junho de 2016), Salman Abu Sitta, hoje com 78 anos, relata a sua história de expulsão — um eco das histórias de sete milhões de refugiados palestinos — e contextualiza a ocupação israelita da Palestina no quadro da colonização sistemática e da limpeza étnica que, começando em 1947, continuou até ao dia de hoje.
Abu Sitta é engenheiro de profissão, mas também historiador, cartógrafo, ex-membro do Conselho Nacional Palestino (parlamento palestino no exílio), fundador e presidente da Palestinian Land Society (Sociedade Palestina da Terra). Deve-se-lhe a obra pioneira Atlas of Palestine 1948.

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