Gaza

O prolongado bloqueio israelita, pontuado por agressões militares periódicas, está a causar uma grave deterioração da segurança da água na Faixa de Gaza, onde 97% da água é não potável, causando o lento envenenamento dos residentes do enclave, denunciaram o Euromediterranean Human Rights Monitor (Euro-Med Monitor) e o Global Institute for Water, Environment and Health (GIWEH) numa declaração conjunta durante a 48ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU (UNHRC) realizada em Genebra.

Em 19 de Abril de 2021 o helicóptero Ingenuity da NASA fez o seu primeiro voo em Marte. Este feito histórico é o resultado de sete anos de trabalho árduo de uma equipa que inclui um engenheiro palestino que cresceu na Faixa de Gaza e estudou na escola da UNRWA.

«Loay Elbasyouni era um rapaz de 10 anos de idade que crescera na Faixa de Gaza sitiada quando construiu a sua primeira antena de televisão a partir de utensílios de cozinha e folha de alumínio. Mas ter a oportunidade de trabalhar para uma empresa que ajudou a NASA a desenvolver a primeira aeronave da história a fazer um voo a motor controlado noutro planeta, ia muito para além da sua jovem e fértil imaginação», escreve Holly Hinson na página da J. B. Speed School of Engineering (Universidade de Louisville, Kentucky), a faculdade onde Loay concluiu o seu mestrado em Engenharia Electrotécnica e de Computadores em 2005.

Uma mulher palestina construiu um centro de lazer utilizando sucata abandonada nas praias da Faixa de Gaza sujeita a bloqueio.

Hena Al-Gul é uma activista e empresária que quer aumentar a consciência social na sociedade palestina, salientando a importância dos recursos naturais e do ambiente.

O centro de lazer acolhe as pessoas com cadeiras feitas de pneus de automóveis, janelas que reciclam vidros de portas de máquinas de lavar roupa e tintas extraídas de tecidos e de fios.

«Há muito desperdício em Gaza», diz Hena à agência Anadolou, citada pelo Middle East Monitor, acrescentando que «é importante encontrar coisas que podem usadas com utilidade». «A limpeza da Faixa e das suas praias é de importância vital», acrescenta ela.

Um relatório do Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV) agora divulgado mostra que 80% da população de Gaza vive grande parte das suas vidas no escuro, com apenas 10-12 horas de electricidade por dia.

Esta questão torna-se ainda mais problemática durante o pico do Verão e representa uma ameaça para a saúde e a vida diária dos habitantes de Gaza, sendo a maioria da população incapaz de refrigerar alimentos e as estações de tratamento de águas residuais incapazes de funcionar.

De acordo com o estudo do CICV, a escassez crónica e prolongada de electricidade e os cortes de energia estão a ter um impacte psicológico nas pessoas, com 94% dos habitantes de Gaza inquiridos a relatarem que a sua saúde mental é afectada pela situação.

Segundo um relatório do OCHA (Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação dos Assuntos Humanitários), desde o início deste ano, as forças de ocupação israelitas mataram 50 palestinos, incluindo 11 crianças, na Cisjordânia ocupada.

Durante o mesmo período, na Cisjordânia ocupada, pelo menos 11 232 outros palestinos foram feridos incluindo 584 crianças.

A estes números há que somar os 260 mortos e 2200 feridos palestinos durante a agressão israelita contra Gaza em Maio passado.

O relatório cobre em detalhe o período entre 8 e 28 de Julho, no qual as forças de ocupação israelitas mataram quatro palestinos, incluindo duas crianças, e feriram 1090 outros, incluindo 141 crianças.

Um dos mais recentes pontos de atrito é o novo colonato ilegal israelita conhecido como Evyatar, localizado perto da aldeia de Beita, no distrito de Nablus, na Cisjordânia.

O Conselho dos Direitos Humanos das Nações Unidas, durante uma sessão especial realizada ontem, aprovou a criação de uma comissão de inquérito internacional independente e permanente para investigar a prática de crimes contra a humanidade no contexto da recente agressão israelita a Gaza, bem como as causas subjacentes.

A Resolução foi aprovada com 24 votos a favor, nove contra e 14 abstenções (*).

1.  O MPPM saúda o cessar-fogo incondicional em Gaza que entrou em vigor nesta sexta-feira, 21 de Maio, e que põe fim a 11 dias de bárbaros e intoleráveis bombardeamentos, nos quais Israel causou a morte a quase 250 palestinos, entre os quais 65 crianças, e provocou ferimentos em cerca de dois milhares, além de provocar uma devastação generalizada num território já de si empobrecido.

2. O MPPM considera que o cessar-fogo é uma vitória da resistência heróica de todo o povo palestino, em Gaza, em Jerusalém Oriental, na Cisjordânia, na diáspora, mas também entre os que têm a cidadania israelita.

Milhares de palestinos na Faixa de Gaza e na Cisjordânia ocupada encheram as ruas para celebrar o cessar-fogo, agitando bandeiras e exibindo o sinal de vitória, mas em Jerusalém Oriental ocupada a polícia israelita invadiu o complexo da Mesquita Al-Aqsa e disparou gás lacrimogéneo e granadas atordoantes contra os palestinos que festejavam após as orações de sexta-feira.

O cessar-fogo mediado pelo Egipto entrou em vigor nas primeiras horas da sexta-feira, após 11 dias de implacável bombardeamento israelita da Faixa de Gaza que matou pelo menos 257 palestinos, incluindo 66 crianças, feriu cerca de 2000, e trouxe uma devastação generalizada ao território já empobrecido. Do lado israelita, 12 pessoas, incluindo duas crianças, foram mortas.

Assistimos a cenas de barbárie na terra martirizada da Palestina, duma violência inaceitável que é imperioso travar e que é da inteira responsabilidade de Israel e dos seus protectores.

Os bombardeamentos de Israel sobre a população sitiada da Faixa de Gaza já provocaram quase uma centena e meia de mortos – entre os quais 40 crianças – e perto de um milhar de feridos. Torres de apartamentos residenciais são demolidas, deixando numerosas famílias sem abrigo.

Em Israel há linchagens de palestinos, a destruição das suas lojas e a invasão das suas casas por bandos de extremistas israelitas, em «pogroms» transmitidos em directo pela televisão pública de Israel. O perigo duma escalada da violência é bem real.

Esta violência não é «da responsabilidade das duas partes». Tem causas próximas indesmentíveis:

A marinha israelita alvejou pescadores palestinos ao largo da cidade de Deir al-Balah, no centro da Faixa de Gaza, e afundou um barco, de acordo com a agência WAFA.

Os pescadores estavam a navegar dentro das seis milhas náuticas permitidas ao largo da costa quando as embarcações da marinha dispararam tiros e apontaram canhões de água na sua direcção, forçando-os a fugir para sua segurança e causando o afundamento de um barco.

Os pescadores da Faixa de Gaza são quase diariamente alvejados pela marinha israelita e impedidos de ganhar a sua vida.

A Faixa de Gaza está sujeita a um bloqueio por terra, mar e ar, por parte de Israel, há mais de 13 anos.

 

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