Gaza

Palestinos ajudam um manifestante ferido durante um protesto junto à vedação com que Israel isola a Faixa de Gaza, 14 de Setembro de 2018. Crédito: SAID KHATIB / AFP

Três palestinos, incluindo uma criança de 12 anos, foram hoje mortos pelas forças israelitas, que reprimiram os protestos na Faixa de Gaza com munições reais e bombas de gás lacrimogéneo.
O Ministério da Saúde de Gaza informou que os mortos são Shadi Abdulal, de 12 anos, Hani Afana, de 21, e Mohammed Shaqoura, de 21. Segundo uma testemunha ocular citada pela agência Reuters, o pequeno Shadi não constituía qualquer ameaça e foi atingido a tiro a uns 70 metros da vedação.
Cerca de 250 palestinos, incluindo 18 crianças e dois paramédicos, sofreram ferimentos, acrescenta o ministério.
Milhares de palestinos participaram na tarde de hoje nas manifestações da Grande Marcha do Retorno. Os protestos decorreram sob o lema «A resistência é a nossa escolha», para sublinhar que o povo palestino rejeita os Acordos de Oslo e o «acordo do século» promovido pelos EUA.

Um vídeo publicado nas redes sociais documenta o momento em que na sexta-feira passada as forças israelitas atingiram a tiro o jovem palestino Ahmad Misbah Abu Tyour, de 16 anos, que veio a falecer o sábado de manhã. O adolescente participava nos protestos da «Grande Marcha de Retorno», na Faixa de Gaza cercada.
O vídeo mostra o rapaz a atirar pedras de uma grande distância, não podendo de modo nenhum constituir qualquer risco para os soldados israelitas fortemente armados. Em seguida Ahmad agita os braços no ar durante alguns segundos, antes de ser atingido no peito por um atirador israelita, sofrendo graves ferimentos de que sucumbiu no dia seguinte.
Na sexta-feira, também durante os protestos da «Grande Marcha do Retorno» foi morto por fogo real israelita um outro jovem palestino, Bilal Hafaje, de 17 anos. O Ministério da Saúde de Gaza informou que pelo menos 395 palestinos foram feridos.

Artigo publicado no Haaretz em 12 de Agosto de 2018
 
Para Uri Avnery
Enquanto a sede de sangue tomava conta dos órgãos de comunicação social, enquanto o comentador Shimon Riklin escrevia no Twitter: «Nós queremos que vocês matem terroristas, e tantos quantos possível, até que os gritos das suas famílias superem seu doentio instinto homicida»; enquanto o ministro Yoav Galant, um homem cujas mãos estão manchadas com uma grande quantidade de sangue de Gaza, declarava com lirismo bíblico, «eu vou perseguir os meus inimigos e apanhá-los, eu não vou voltar até que eles estarem acabados ”; enquanto Yair Lapid escrevia: «A IDF deve atingi-los com toda a sua força, sem hesitar, sem pensar» — enquanto tudo isto acontecia, Inas e Bayan Khammash eram assassinadas.

Israel rejeitou um relatório apresentado na sexta-feira, 17 de Agosto, pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, delineando opções para fortalecer a protecção dos palestinos nos territórios ocupados por Israel.
O embaixador de Israel na ONU, Danny Danon, respondeu que «a única protecção que o povo palestino precisa é dos seus próprios dirigentes».
Guterres apresentou as suas propostas num relatório de 14 páginas, preparado a pedido da Assembleia Geral das Nações Unidas, na sequência da matança de palestinos pelas forças israelitas na Faixa de Gaza, que desde 30 de março, dia do início da «Grande Marcha de Retorno», se salda já em 171 mortos.

Dois palestinos foram mortos a tiro e dezenas foram feridos pelas forças armadas israelitas, que abriram fogo contra os manifestantes desarmados que participavam nos protestos da Grande Marcha do Retorno.
O Ministério da Saúde de Gaza anunciou que os mortos são Kareem Abu Fatayer, de 30 anos, e Sa'di Muammar, de 26, e que 270 manifestantes ficaram feridos, 60 dos quais por balas reais.
Cerca de 20 mil pessoas participaram nos protestos, na 21.ª sexta-feira consecutiva, que ocorreram a várias centenas de metros da vedação com que Israel isola a Faixa de Gaza.
A Grande Marcha do Retorno exige o levantamento do bloqueio israelita à Faixa de Gaza, que dura há doze anos, e o direito de os refugiados e seus descendentes (que constituem três quartos da população do enclave) poderem retornar às terras de onde as forças sionistas os expulsaram, no quadro da limpeza étnica que acompanhou a criação do Estado de Israel, em 1948.

Israel não autoriza uma mãe de Gaza a acompanhar o filho de 3 anos a um hospital da cidade de Nablus, na Cisjordânia ocupada, para tratamentos de cancro, relata o jornal israelita Haaretz.
O Shin Bet (serviço de segurança interno israelita) invoca como razão que ela é parente em primeiro grau de um membro do Hamas, não podendo portanto sair da Faixa de Gaza. 
Inicialmente o pequeno Loay al-Khodari — que sofre de um sarcoma dos tecidos moles — foi levado pela tia, mas mais tarde esta ficou impedida pelo seu próprio estado de saúde. O menino perdeu dois tratamentos, em Junho e Julho, por não ter sido possível encontrar outro parente que o pudesse levar. 
A mãe, desesperada, recorreu a um apelo no Facebook, e uma mulher que não é familiar ofereceu-se para levar o menino aos tratamentos e foi autorizada a sair de Gaza.
O ataque que em 2014 matou quatro crianças palestinas que brincavam na praia em Gaza foi cometido por um drone israelita armado, revelou o site noticioso The Intercept, com base num relatório da polícia militar israelita. 
O relatório, que era confidencial e esteve oculto do público até agora, confirma que os quatro rapazinhos foram visados por um drone armado que os confundiu com combatentes do Hamas. 
Os quatro rapazinhos palestinos — os primos Ismayil Bahar, de 9 anos, Aed Bahar, de 10, Zacharia Baha, de 10, e Muhammed Bahar, de 11 — foram mortos em 16 de Julho de 2014. 
Dois palestinos foram mortos e 307 foram feridos esta sexta-feira pelas forças armadas israelitas perto da vedação com que Israel isola a Faixa de Gaza, segundo informações do Ministério da Saúde de Gaza.
Os dois mortos palestinos, vítimas de balas reais, são o paramédico voluntário Abdullah Al-Qatati, de 26 anos, e Saeed Aloul, de 55 anos. Em Junho, uma outra paramédica voluntária, a jovem Razan al-Najjar, foi morta a tiro enquanto tratava palestinos feridos pelas forças israelitas. 
Dos feridos, 131 foram levados para os hospitais, tendo 85 sido feridos por fogo real. Cinco estão atualmente em estado grave. Entre os feridos também se encontram mais cinco paramédicos e dois repórteres.

Nas últimas 24 horas as forças israelitas agudizaram a sua agressão contra a Faixa de Gaza cercada.
Segundo fontes militares israelitas, as forças armadas do Estado sionista atingiram 150 locais no território costeiro palestino, afirmando que se tratou de alvos ligados ao Hamas.
Um dos alvos atingidos foi um edifício de cinco andares no campo de refugiados de al-Shati, na cidade de Gaza. Ficaram feridos 18 palestinos. Israel alegou que o prédio era usado pelas forças de segurança interna do Hamas, mas na realidade o prédio abrigava o Centro Cultural al-Meshaal e também uma biblioteca e serviços destinados às mulheres egípcias rsidentes em Gaza.
Pelo menos três palestinos, incluindo uma mulher grávida e o seu filho de 18 meses, foram mortos pelos ataques aéreos e de artilharia israelitas.

A Marinha israelita capturou na madrugada de sábado o veleiro sueco Freedom (Liberdade), o segundo barco da Flotilha da Liberdade que procura romper o bloqueio imposto por Israel à Faixa de Gaza. Transportando ajuda humanitária, o Freedom foi apresado quando se encontrava a cerca de 40 milhas náuticas (74 km) da costa do território palestino. Os 12 ocupantes da embarcação foram levados para o porto israelita de Ashdod, prevendo-se que sejam posteriormente deportados. 
Já no domingo passado a Marinha israelita tinha apresado, a 50 milhas náuticas do enclave, um outro barco da Flotilha da Liberdade, o Al Awda (O Retorno), de bandeira norueguesa, a bordo do qual viajavam 22 pessoas. 

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