Solidariedade em Portugal

Há 72 anos que o povo palestino aguarda a concretização da promessa que lhe foi feita pela ONU, em 1947, da criação de um Estado palestino em território da Palestina. Ao longo de décadas, sucessivas resoluções da ONU reafirmaram esse compromisso. Numerosos países já tomaram a decisão de reconhecer o Estado da Palestina, numa expressão concreta de solidariedade com a causa do seu povo. A Assembleia da República em Portugal já recomendou o reconhecimento pleno do Estado da Palestina.

Centenas de pessoas juntaram-se nesta sexta-feira, 6 de Dezembro, no Largo de Camões, em Lisboa, num protesto contra a visita a Portugal de Benjamin Netanyahu e Michael Pompeo. Condenaram também a sua recepção, humilhante para Portugal, pelo primeiro-ministro e pelo ministro dos Negócios Estrangeiros.

Netanyahu e Pompeo são dois dos mais destacados protagonistas da política de sistemática barbárie, guerra, massacres e violação da legalidade internacional e das resoluções da ONU relativas à questão palestina.

Segundo as suas próprias declarações, vieram a Portugal para discutir as formas de incrementar a ingerência e agressão contra o Irão, levantando o espectro de mais uma mortífera e destrutiva guerra na região, após as que já destruíram o Afeganistão, o Irão, a Líbia, a Síria, o Iémene e outros países.

Vieram a Portugal para, nas palavras de Netanyahu, preparar a anexação por Israel do Vale do Jordão, na Cisjordânia palestina ocupada.

Em cooperação com o MPPM, a Universidade Popular do Porto (UPP) promoveu, em 28 de Novembro, uma sessão de apoio ao povo palestino, associando-se deste modo à celebração do dia 29 de Novembro, Dia Internacional de Solidariedade com o Povo Palestino.

Após uma intervenção inicial de José António Gomes, professor do ensino superior e membro da direção do MPPM, o debate — em que participaram mais de duas dezenas de pessoas, incluindo também testemunhos vivenciais da jovem palestina Nur Rabah Latif, que estuda no Porto — centrou-se em aspectos históricos e de actualidade e na necessidade de promover o esclarecimento e uma acção solidária sem esmorecimento com a luta do povo palestino.

A UPP esteve representada pelo Presidente da Direcção, Sérgio Vinagre.

Por iniciativa do MPPM, com a cooperação da Casa do Alentejo que, uma vez mais, cedeu as suas instalações, assinalou-se ontem o Dia Internacional de Solidariedade com o Povo Palestino numa sessão em que intervieram o Embaixador da Palestina, Nabil Abuznaid, Carlos Almeida, Vice-Presidente do MPPM, Solange Pereira, Presidente Nacional da Juventude Operária Católica, e José Goulão, jornalista especializado em política do Médio Oriente.

Solange Pereira centrou a sua intervenção na problemática dos migrantes e refugiados, vítimas de guerras, agressões e exploração económica, refutando os preconceitos de que frequentemente são objecto nos países de acolhimento. Apelou à solidariedade com estas populações, referindo que a própria igreja católica tem um exemplo a dar. Numa nota complementar, Carlos Almeida referiu que, ainda hoje, os palestinos constituem a maior e mais antiga comunidade de refugiados do mundo.

Integrado nas Jornadas de Solidariedade com a Palestina 2019 o MPPM promoveu o tradicional Jantar Palestino que reuniu no Grupo Sportivo Adicense  uma centena de pessoas e contou com a presença do Embaixador da Palestina, Nabil Abuznaid, e da Presidente do MPPM, Maria do Céu Guerra.

Os pratos típicos palestinos foram preparados e servidos por «Make Food not War».

Num momento cultural, ouvimos canções palestinas interpretadas por Hanneen Abualsoud e um poema de Mahmoud Darwich dito por Maria do Céu Guerra.

Em breves apontamentos o Embaixador da Palestina e Raul Ramires (MPPM) destacaram a importância da cultura e da solidariedade internacional no apoio à luta do povo palestino.

Nascido em 24 de Agosto de 1928, Yasser Arafat foi um dos fundadores do movimento Fatah, que liderou de 1959 a 2004. Foi Presidente da Organização de Libertação da Palestina (OLP) de 1969 a 2004 e Presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP) de 1994 a 2004.

Arafat passou os últimos anos de vida cercado por forças israelitas no complexo presidencial palestino, a Muqata, e veio a morrer num hospital militar francês em 11 de Novembro de 2004, com 75 anos. Os médicos não indicaram uma causa específica de morte, pairando a suspeita de que foi envenenado pelos serviços secretos de Israel.

Foto: Expresso. Yasser Arafat em Lisboa em 1979, por ocasião da Conferência Mundial de Solidariedade com o Povo Árabe e a sua Causa Central: a Palestina. Arafat está ladeado pelo militante da paz e da solidariedade Silas Cerqueira (à sua direita) e pelo marechal Costa Gomes, ex-presidente da República de Portugal.

A série áudio-documental Palestina, histórias de um país ocupado, de Ricardo Esteves Ribeiro, foi a vencedora do prémio Gazeta Revelação 2018, uma das categorias dos mais importantes prémios do jornalismo português. 
 
«O trabalho, gravado entre Ramallah, Hebron, Belém e Jerusalém, dá voz a quem resiste à ocupação israelita, com a indispensável contextualização histórica», diz o comunicado do Clube dos Jornalistas, entidade responsável pelos prémios.
 
A reportagem distinguida foi publicada em seis episódios, entre 15 de Maio de 2018 e 2 de Agosto de 2018, na plataforma digital Fumaça.
 

«O nosso povo não vai desistir, vai resistir, e tem o povo português a seu lado», garantiu Nabil Abuznaid, Embaixador da Palestina, na sessão com que o MPPM assinalou o 71.º aniversário da Nakba palestina e que encheu por completo a vasta sala da Casa do Alentejo.

Deolinda Machado, dirigente da CGTP-IN e da LOC-MTC, destacou as guerras e ameaças à paz e as suas consequências para os trabalhadores e restantes populações, levando-as a engrossar as correntes de migrantes.

A última intervenção pertenceu a Jorge Cadima, da Direcção Nacional do MPPM, que frisou que, sete décadas passadas, a Nakba continua e que uma nova limpeza étnica dos palestinos pode estar no horizonte.

«Vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar», recordou-nos Francisco Fanhais, que se associou a este evento partilhando com a assistência algumas canções do seu reportório.

Em 1948, uma nova era se abre na região do Levante. É fundado o Estado de Israel, e desde o momento da sua criação ameaçará a estabilidade e a paz na região.

A fundação de Israel, descrita no primeiro artigo desta série, é desde logo uma operação belicista. Israel nasce com a ocupação de 78% da Palestina histórica (quando o plano de partição da ONU lhe atribuía 55%) e com a limpeza étnica de mais de metade da população palestina autóctone.

O carácter colonial do empreendimento sionista em terra árabe gozará da simpatia e apoio político e militar das potências ocidentais. Israel retribui assumindo-se como ponta-de-lança dos interesses dessas mesmas potências na região.

O MPPM participou no grande desfile organizado pela CGTP-IN, entre o Martim Moniz e a Alameda Afonso Henriques, em Lisboa, reclamando liberdade e independência para a Palestina e paz para o Médio Oriente.

A associação do MPPM à manifestação organizada pela CGTP-IN traduz o reconhecimento pelo intenso e valioso trabalho desenvolvido pela central sindical, pelas organizações nela filiadas e pelos trabalhadores seus associados, na solidariedade com os trabalhadores e com o povo da Palestina.

Na Alameda, o MPPM montou um stand com informação sobre a questão palestina. Em particular destaque, um painel ilustrava a perda de território palestino ao longo do século XX, fruto das sucessivas apropriações sionistas, pelo terrorismo e pela guerra.

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