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Israel decretou este domingo o bloqueio das exportações agrícolas palestinas, no contexto de uma disputa comercial que se intensificou desde o anúncio  do chamado «acordo do século» pelo presidente Trump.

«A partir de hoje … não será autorizada a exportação de produtos agrícolas palestinos através da passagem (fronteiriça) de Allenby», declarou o COGAT, o órgão do Ministério da Defesa de Israel encarregado de supervisionar as actividades civis nos territórios palestinos ocupados.

A passagem de Allenby, controlada por Israel, liga a Cisjordânia ocupada à Jordânia, de onde os produtos palestinos poderiam ser enviados para o resto do mundo. Ao fechar esta passagem, as autoridades de ocupação bloqueiam automaticamente todas as exportações agrícolas palestinas, porque já tinha sido impedido o acesso destes produtos a Israel.

Tem havido confrontos diários na Cisjordânia ocupada entre manifestantes palestinos e o exército de ocupação israelita para protestar contra o «acordo do século» do presidente Trump, apresentado em 28 de Janeiro.

Os militares israelitas têm estado aí em «alerta reforçado» desde a apresentação do plano por Trump e Netanyahu, tendo destacado tropas adicionais para o território ocupado com o objectivo de impedir actos de resistência e reprimir protestos e manifestações.

O cartunista português Vasco Gargalo é alvo de uma infundada acusação de anti-semitismo e de um apelo ao seu despedimento por uma organização sionista internacional, a pretexto do cartoon intitulado Crematório, agora republicado num comentário ao «plano de paz» apresentado pelos Estados Unidos.

Vasco Gargalo, sublinhando que continuará a lutar pela liberdade de expressão e pela liberdade de imprensa, afirma: «É a minha visão sobre este ataque. Quando fiz o cartoon sabia que era forte, que ia tocar na questão das vítimas do Holocausto, mas na verdade não acrescento nada ao que vejo. É uma comparação que fiz do conflito israelo-palestiniano.»

A cena é simbólica: o presidente americano Donald Trump revela o seu «plano do século» unicamente na presença do primeiro-ministro israelita, Benyamin Netanyahu, e na ausência dos principais interessados, os palestinos. A verdade é que o plano viola os seus direitos mais elementares, apesar de serem reconhecidos internacionalmente.

A revelação pelo presidente dos EUA, Donald Trump, na terça-feira, 28 de Janeiro, do «acordo do século» que supostamente conduziria israelitas e palestinos a uma «paz global» não foi surpresa para ninguém. O seu conteúdo tinha sido gradualmente revelado nas suas linhas gerais, nomeadamente por Jared Kushner, genro de Donald Trump e principal autor deste plano, juntamente com o embaixador israelita em Washington, Ron Derner, durante um colóquio no Barém em Junho de 2019. Como observou o Haaretz, o acordo «foi escrito de forma a que os palestinos o rejeitassem. Talvez fosse esse o plano» [1].

O Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente (MPPM) condena firmemente o conteúdo do chamado «acordo do século» para a resolução da questão palestina, apresentado no dia 28 de Janeiro pelo presidente dos EUA, Donald Trump, acolitado pelo ainda primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu.

Apresentado com soberba imperial, o mal designado plano «Paz para a Prosperidade» rasga todas as resoluções aprovadas ao longo de décadas pela ONU sobre a questão palestina, e rasga mesmo os acordos, como Oslo, promovidos sob a égide dos Estados Unidos da América desde a década de 90. O «Plano» acompanha inteiramente as posições da extrema-direita israelita e assume a forma de um diktat que pretende impor ao povo palestino, cujos representantes não foram sequer considerados dignos de consulta, a total renúncia aos seus direitos nacionais, reconhecidos e consagrados pelo direito internacional.

Os dirigentes palestinos exortaram nesta segunda-feira os palestinos a protestarem contra o pretenso «plano de paz» da administração Trump, que deverá ser apresentado em Washington na terça-feira.

As forças nacionais e islâmicas anunciaram actividades de massas que serão lançadas na Cisjordânia ocupada, na Faixa de Gaza cercada e noutros locais onde residem palestinos para rejeitar o chamado «acordo do século» e impedir as tentativas de o pôr em prática.

Num comunicado publicado hoje, segunda-feira, as forças nacionais e islâmicas informam que o acontecimento central será na próxima quarta-feira de manhã, no Norte do Vale do Jordão, para o defender contra as tentativas de anexação.
Foi também sublinhada a realização de um «dia de cólera» na próxima sexta-feira, pela defesa da mesquita de Al-Aqsa e da cidade de Jerusalém, que «não pode deixar de ser a capital do nosso Estado palestino independente».

O chamado «acordo do século» do governo Trump, segundo responsáveis de Israel citados pela comunicação social deste país, promete a aplicação da soberania israelita a todos os colonatos judaicos existentes na Cisjordânia ocupada, além da anexação do vale do Jordão, que se tornaria a fronteira oriental de Israel.

Não está previsto nenhum retorno significativo, nem nenhuma compensação, dos refugiados palestinos expulsos pela limpeza étnica levada a cabo pelos sionistas.

A televisão israelita, sem especificar fontes, avança pormenores do «plano de paz»:

* Soberania israelita em todos os mais de 100 colonatos da Cisjordânia, que seriam todos territorialmente contíguos, excepto 15. Mais de 400 000 israelitas vivem actualmente na Cisjordânia, além de outros 200 000 colonos em Jerusalém Oriental, que são territórios palestinos ocupados.

* Soberania israelita na totalidade de Jerusalém, incluindo a Cidade Velha.

O exército israelita matou três jovens palestinos esta terça-feira à noite, alegando que eles atravessaram a «barreira de segurança» que cerca a Faixa de Gaza e penetraram 400 metros em Israel.

O exército de ocupação afirma  que abriu fogo de artilharia contra os jovens após estes  lançarem contra os soldados um dispositivo explosivo ou uma granada de mão.

Contrariamente ao relato das forças de ocupação, grupos activos em Gaza, citados pela agência palestina Ma'an, afirmaram que o que aconteceu foi «uma execução de três menores, em que o exército de ocupação ordenou que os três menores se despissem e depois foram executados a sangue frio por metralhadoras pesadas instaladas num tanque».

O exército israelita mata sistematicamente palestinos em Gaza, acusando-os de tentarem entrar no território de Israel ou de realizarem ataques às suas forças.

Num relatório divulgado em 2012, a  ONU previa que a Faixa de Gaza se tornaria inabitável em 2020.  Mas os peritos dizem que essa ruptura já ocorreu há muito. Os seus quase dois milhões de habitantes sofrem de escassez crónica de alimentos, água e medicamentos e acesso a cuidados médicos. Estão sujeitos a racionamento de energia, a uma desertificação crescente, a poluição grave da água e do ar e recorrentes ataques israelitas.

Um grupo de bispos da Europa e da América do Norte exortou os seus governos a insistirem na aplicação do direito internacional em Israel e na Palestina.

O apelo dos bispos da Coordenação da Terra Santa surge na sequência da sua visita de cinco dias à região, esta semana.

Os bispos, que visitam a região todos os anos em apoio à Igreja local para promover o diálogo e a paz, afirmaram-se inspirados pela resiliência duradoura das pessoas que conheceram em Gaza, Jerusalém Oriental e Ramala, apesar do agravamento da situação.

No comunicado final da sua visita, os bispos europeus e americanos referem o lamento dos bispos católicos locais de que a comunidade internacional não ajude a realizar a justiça e a paz «aqui no local do nascimento de Cristo».

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