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A Ben & Jerry's anunciou ontem, segunda-feira, que deixará de vender os seus gelados no Território Palestino Ocupado, no que é considerado outra grande vitória para o movimento do Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS).

A empresa divulgou um comunicado em que afirma: «Acreditamos que é inconsistente com os nossos valores a venda de gelados Ben & Jerry's no Território Palestino Ocupado (OPT). Também ouvimos e reconhecemos as preocupações partilhadas connosco pelos nossos fãs e parceiros de confiança.»

Por razões contratuais, a medida só terá efeito no final do próximo ano: «Temos uma parceria de longa data com o nosso licenciado, que fabrica os gelados Ben & Jerry's em Israel e os distribui na região. (…) Informámos o nosso licenciado que não renovaremos o acordo de licença quando este expirar no final do próximo ano.»

Protegidos pela polícia de ocupação israelita fortemente armada, cerca de 1300 colonos israelitas invadiram ontem, domingo, a Mesquita Al-Aqsa e entraram em confronto com fiéis muçulmanos palestinos.

Os colonos respondiam ao apelo de grupos extremistas israelitas para forçarem a entrada no complexo Al-Aqsa em grande número no dia 18 de Julho, por ocasião do aniversário do que Israel chama «a destruição do templo».

A Mesquita de Al-Aqsa é o terceiro local mais sagrado do mundo para os muçulmanos. Os judeus chamam à área «Monte do Templo», afirmando que foi o local de dois templos judeus em tempos antigos.

O deputado ao Knesset Itamar Ben-Gvir e o antigo deputado e rabi extremista Yehudah Glick acompanharam os grupos de colonos que invadiram a Mesquita de Al-Aqsa.

As autoridades israelitas recusaram-se a libertar a deputada e dirigente política palestina Khalida Jarrar para assistir ao funeral da sua filha Suha.

Suha Ghassan Jarrar, de 31 anos, investigadora e activista da organização palestina de direitos humanos Al-Haq, morreu de ataque cardíaco na sua casa em Ramala, no domingo à noite.

Grupos de direitos humanos, bem como deputados árabes israelitas, tinham pedido ao Ministro da Segurança Pública israelita, Omer Barlev, que concedesse a Khalida Jarrar uma licença para assistir ao funeral da sua filha.

No mesmo sentido, o Major-General Qadri Abu Bakr, da Comissão Palestina para os Assuntos dos Prisioneiros, tinha pedido a intervenção do Comité Internacional da Cruz Vermelha e a Al-Haq tinha enviado um apelo urgente às Nações Unidas.

Num obituário, a Al-Haq disse que Suha era «uma acérrima defensora dos direitos do povo palestino à autodeterminação, liberdade e dignidade».

O presidente do FC Barcelona, Joan Laport, nega que o clube tenha acordado a realização de um jogo amigável de pré-época contra a equipa israelita Beitar de Jerusalém, numa carta enviada ao presidente da Associação de Futebol da Palestina, Jibril Rajoub.

O jogo estaria agendado para 4 de Agosto, em Jerusalém, num estádio construído sobre as ruínas da aldeia palestina de al-Malha, cujos residentes foram expulsos à força e deslocados para campos de refugiados.

«Recebemos a carta que enviou em nome da Associação de Futebol da Palestina, na qual transmitiu as suas preocupações sobre a presumível participação do FC Barcelona num jogo amigável em Jerusalém», diz a carta.

Laport esclarece que o FC Barcelona não anunciou a agenda da equipa para a nova época através dos seus canais oficiais, afirmando que os clubes não contactaram nem afirmaram a realização de qualquer jogo amigável em Jerusalém.

O elenco de Let There Be Morning, um filme realizado pelo israelita Eran Kolirin, está a boicotar o Festival de Cinema de Cannes, onde o filme deve estrear hoje. Os actores, que são cidadãos palestinos de Israel, explicaram numa declaração nas redes sociais que vão estar ausentes em protesto contra o apagamento cultural dos palestinos por parte de Israel.

«Não podemos ignorar a contradição da entrada do filme em Cannes sob o rótulo de "filme israelita", quando Israel continua a levar a cabo a sua campanha colonial de décadas de limpeza étnica, expulsão e apartheid contra nós - o povo palestino», disse o elenco numa declaração.

A equipa de produção explicou ainda o prejuízo que é causado aos palestinos quando o seu trabalho é categorizado como "israelita" nos meios de comunicação social.

Uma declaração condenando as práticas israelitas e apelando ao fim imediato do regime do apartheid do Estado judeu já foi assinada por mais de 700 académicos, artistas e intelectuais de mais de 45 países, incluindo Portugal.

A declaração, promovida pela Associação de Académicos para o Respeito pelo Direito Internacional na Palestina (AURDIP), apela a uma constituição democrática que garanta a igualdade de direitos e o fim da discriminação com base na raça, origem étnica ou religião.

«Israel estabeleceu um regime de apartheid em todo o território da Palestina histórica, dirigido contra todo o povo palestino, que deliberadamente fragmentou», lê-se no documento.

O maior fundo de pensões da Noruega (KLP) alienou activos em 16 empresas pelas suas ligações aos colonatos israelitas na Cisjordânia ocupada, incluindo o gigante do equipamento de telecomunicações Motorola, segundo noticiou a Al Jazeera.

«Na avaliação do KLP, existe um risco inaceitável de que as empresas excluídas estejam a contribuir para o abuso dos direitos humanos em situações de guerra e conflito através das suas ligações com os colonatos israelitas na Cisjordânia ocupada», disse o KLP, que gere cerca de 95 mil milhões de dólares em activos, num comunicado emitido na segunda-feira.

Para o KLP, as empresas, que abrangem as telecomunicações, a banca, a energia e a construção, todas ajudam a facilitar a presença de Israel e, portanto, correm o risco de ser cúmplices em violações do direito internacional e contrárias às directrizes éticas do KLP.

Foi em Julho de 1975, no Festival Internacional de Cinema de Moscovo, entre dois mil convidados de delegações de todo o mundo, alojadas numa ala completa de um enorme hotel, o Roccia, que me encontrei frente a frente, pela primeira vez, com representantes da Organização da Libertação da Palestina (OLP). E com os seus filmes. E com o seu convívio, entre as inúmeras personalidades sonantes que eram mesmo de todos os quadrantes do mundo: Gina Lollobrigida, Beata Tyszkiewicz, Jacques Tati, Vittorio Gassman, Hortensia Allende, a viúva do Presidente eleito do Chile, Salvador Allende, morto em 1973 no golpe militar de General Augusto Pinochet, etc., etc., etc.

Quatro jovens arquitectos palestinos formados na Universidade de Birzeit, na Cisjordânia, conquistaram o Prémio Phoenix 2021 num concurso internacional para projectos de concepção e reconstrução do Porto de Beirute.

O porto de Beirute foi destruído em 4 de Agosto de 2020 por uma explosão que matou quase 200 pessoas, feriu mais de 6000 e causou enormes danos materiais em edifícios residenciais e estabelecimentos comerciais.

O Prémio Phoenix 2021 foi atribuído pela iDAR-Jerusalem, uma organização palestina sem fins lucrativos que promove a arquitectura, e procurava «a excelência arquitectónica e evocar mentes inovadoras, a nível mundial, para reconstruir o Porto de Beirute e trazê-lo de volta ao povo, remodelado e recapturado.»

O júri internacional avaliou 13 projectos oriundos de Estados Unidos, Rússia, Polónia, Palestina, Israel, Itália, Arábia Saudita, Países Baixos, Barém, Portugal, China e Líbano.

A Universidade Popular do Porto, que tem uma actividade relevante na solidariedade com a causa do povo palestino, promove agora, por videoconferência e com participação presencial limitada, um ciclo de cinema da Palestina ou sobre a Palestina com curtas-metragens, um documentário e uma longa-metragem, em três sessões abertas, com comentários e debate.

Segunda-Feira, 5 de Julho - 21h30

Três curtas-metragens de cineastas palestinos sobre a ocupação, o controle, a humilhação, a fragmentação e as condições de vida a que é sujeito o povo da Palestina.

  • Jornada Impossível – Annemarie Jacir -2003, 17 min.

Numa paisagem interrompida por postos de controle militares, um grupo de artistas cruza fronteiras emocionais e políticas enquanto tenta chegar a Jerusalém. Poema visual sobre a fragmentação de um povo.

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