Solidariedade em Portugal

O MPPM promoveu a realização, no dia 14 de Fevereiro de 2009, de um Seminário Internacional subordinado ao tema “A Catástrofe Humanitária em Gaza e os Crescentes Perigos da Actual Situação nos Territórios Palestinos e na Região”. Depois da brutal agressão de Israel a Gaza, em que semeou a morte e a destruição, as pessoas amantes da paz e da solidariedade entre os povos questionam-se sobre as formas possíveis de prestar apoio aos palestinos, sobre a viabilidade de assegurar a sua sobrevivência enquanto povo e sobre meios para garantir o seu direito a um futuro independente e em paz.
Este Seminário procurou dar resposta a estas questões contando com o seguinte painel de oradores:
- Michael Kingsley – Director Executivo da UNRWA (Agência das Nações Unidas para Apoio aos Refugiados Palestinos no Médio Oriente), baseado em Gaza.

Com a colaboração da respectiva Associação de Estudantes e o apoio da Direcção da Escola, o MPPM levou a cabo, no dia 27 de Maio de 2009, na Escola Superior de Comunicação Social, em Lisboa, um Encontro com os Jornalistas José Manuel Rosendo, da Antena 1 e RTP, e Patrícia Fonseca, da revista Visão.
Bruno Reizinho, da Associação de Estudantes, destacou o interesse da iniciativa para os todos quantos trabalham na Escola por permitir o acesso a informações que não fazem parte do conteúdo habitual dos noticiários. 
A Professora Filipa Subtil, que dirigiu a sessão e moderou o debate, também referiu a expectativa de que esta iniciativa possa contribuir para um melhor conhecimento de uma realidade que tem acompanhado todas as nossas vidas.
Numa organização conjunta do MPPM e da Cooperativa Alves Redol realizou-se, no dia 21 de Maio, nas instalações do Clube Vilafranquense, uma concorrida sessão pública em que foi evocada a vida e obra do poeta palestino Mahmud Darwich e se falou da história e da luta do povo da Palestina.
Arlindo Gouveia, Presidente da Cooperativa Alves Redol, enunciou os três objectivos que presidiram à realização desta sessão: cultural, informativo e de solidariedade com “o povo oprimido, humilhado e maltratado da Palestina”. Porque, afirmou, “Vila Franca tem tradição de solidariedade com os mais desfavorecidos, e a solidariedade também tem que ser internacionalista”.
O MPPM promoveu, em 14 de Abril de 2009, no Teatro Cinearte / A Barraca, a realização de um Colóquio subordinado ao tema "A Palestina na Primeira Pessoa", para o qual convidou três jornalistas para darem o seu testemunho pessoal sobre a situação na Palestina. Porque, como justificou Carlos Almeida na sua nota introdutória, "a agenda mediática portuguesa atinge o paroxismo nos períodos de violência máxima mas é de um silêncio esquálido no resto do tempo". "Quem noticiou hoje", pergunta-se "a situação das famílias palestinas que receberam ordem do exército de Israel para abandonar as suas casas em Jerusalém Oriental; ou a morte de duas mulheres, feridas no ataque a Gaza, que morreram porque Israel não permitiu que fossem evacuadas para hospitais fora da Faixa onde poderiam ser tratadas; ou a vandalização do cemitério de Hebron por colonos israelitas?". Mas não é possível compreender o que se passa na região sem conhecer o dia-a-dia dos palestinos.
 1. A luta do povo da Palestina é única na história humana recente. Há mais de sessenta anos refugiado na sua própria terra, forçado ao exílio, ao isolamento e à privação, nenhum outro povo foi privado, durante a história recente e de forma tão prolongada e radical, do reconhecimento internacional do seu direito à dignidade, à justiça e ao seu próprio estado. O conflito israelo-palestino não é linear nem simétrico, opõe um ocupante e um ocupado, uma potência que oprime e explora, e um povo que é reprimido e reclama o seu direito à autodeterminação e à independência, dentro das fronteiras de um estado soberano e viável. O reconhecimento pleno dos direitos nacionais do povo palestino, o direito à criação de um estado nos territórios ocupados por Israel desde 1967, é um direito inalienável, inscrito na Carta das Nações Unidas e na Declaração Universal dos Direitos dos Homem.
Sistintos convidados, colegas e amigos:
Falo-vos hoje em nome de Karen AbuZayd, Comissária-Geral da UNRWA. Karen AbuZayd teria tido o maior prazer em estar aqui presente, mas isso não lhe foi possível por já ter assumido outros compromissos, no momento em que recebeu o convite do MPPM. Karen AbuZayd pediu-me que apresentasse sinceras desculpas e os melhores votos de que esta conferência decorra com sucesso e dê resultados positivos.
Minhas Senhoras e meus Senhores, Caros Amigos,
Obrigado por me terem convidado para participar no vosso Seminário.
Não é anti-semitismo denunciar a guerra iniciada por Israel contra Gaza e a Palestina, denunciar os crimes de guerra e crimes contra a Humanidade cometidos durante um mês em Gaza.
Não é anti-semitismo denunciar o Muro da separação, a colonização, a ocupação militar, as destruições maciças causadas por Israel na Palestina.
Como também não é, na Cisjordânia e em Gaza, anti-semitismo ou anti-americanismo denunciar a cumplicidade da União Europeia e dos seus Estados-membros e a cumplicidade dos Estados Unidos que garantem a impunidade de que goza Israel na perpetuação da agressão e da injustiça feitos ao povo palestino, privado dos seus direitos fundamentais há 61 anos. Foi isto a Nakba – a Catástrofe.
Começarei por reparar duas involuntárias falhas de protocolo. Primeiro, o nosso convidado da UNWRA, Director Executivo da UNWRA chama-se Michael Kingsley Nyinah, porque ele é ganês e o seu nome ganês é Nyinah e de outro modo podia-se pensar que ele seria britânico ou de outra nacionalidade. Não é ofensa nenhuma ser britânico, mas devemos respeitar a realidade. Por outro lado, queria saudar a presença aqui, pelo que vejo, de vários embaixadores ou representantes de embaixadas. Temos muito gosto na vossa presença e desejaremos manter boas relações para o futuro nesta causa comum que é a causa da Palestina e da Paz no Médio Oriente que dá nome ao nosso Movimento.
Boa tarde senhoras e senhores, meus amigos
Não é fácil para mim falar aqui: eu nunca estive na Palestina e não sou um especialista. Estão aqui, pelo menos, três especialistas, não é, a começar pelo Silas Cerqueira, o Pierre Galand - o velho amigo - e Michael Kingsley.
Mas eu estive recentemente no Líbano e vou falar um pouco sobre problemas globais da região.
Do Fórum Internacional em que eu participei, escrevi dois artigos que foram divulgados em Portugal, no Brasil e em várias webs - não no resto da imprensa portuguesa – em que procurei sintetizar o que vi e o que senti em Beirute. Tive oportunidade, também, de dar um salto, de estar dois dias em Damasco. Do que vi e senti, evidentemente, quase nada correspondeu àquilo que esperava. Quando nós vamos a qualquer lado temos uma ideia do que é que vai ser e foi quase tudo muito diferente.
É com muita honra que aqui estou, pedindo antecipadamente desculpa pois, mal termine este primeiro painel, vou ter que me ausentar. Mas não quis deixar de estar aqui hoje para dar um testemunho de solidariedade e para fazer alguma análise e algum apelo.

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