Cultura Palestina

 A viagem à Palestina, Prémio Especial do Júri do Concurso Escolar, oferecido pela Delegação-Geral da Palestina, decorreu entre 22 e 30 de Julho de 2010. A delegação integrou onze alunos (Ana Lourenço, André Pato, Inês Silva, Jéssica Roque e Rafael Monteiro, da Escola Básica dos 2º e 3º Ciclos de Poceirão, Palmela; Ana Real, Andreia Fernandes e Sara Costa, da Escola Básica dos 2º e 3º Ciclos de Real, Braga; Ana Pinho, Ana Bastos e Cátia Almeida, da Escola Básica dos 2º e 3º Ciclos de Carregosa, Oliveira de Azeméis), três professores (Professor Aníbal Serra, da Escola Básica dos 2º e 3º Ciclos de Poceirão, Palmela; Professora Carla Ferreira, da Escola Básica dos 2º e 3º Ciclos de Real, Braga; Professor Nelson Gomes, da Escola Básica dos 2º e 3º Ciclos de Carregosa, Oliveira de Azeméis), um representante da Delegação-Geral da Palestina, o jornalista José Manuel Rosendo e, em representação do MPPM, Amador Clemente. 
"Cultura Palestina" foi o tema escolhido pelo Cineclube de Torres Novas para preencher, em colaboração com o MPPM, uma das suas "Noites de Leitura, Poesia e Música".
No dia 28 de Maio, a partir das 21.30 horas, na Biblioteca Municipal Gustavo de Bivar Pinto Lopes, em Torres Novas, houve "vídeos, conversas e poesia", tendo a Palestina como tema central.
Abriu a sessão Nuno Guedelha, do Cine-Clube de Torres Novas, seguindo-se uma leitura de poemas pelos professores Eduardo Bento e Amélia Maia.
Carlos Silva, da Direcção Nacional do MPPM, fez a apresentação do Movimento e Júlio de Magalhães, também da Direcção Nacional do MPPM, dissertou sobre cultura árabe e cultura palestina, com ênfase nas figuras maiores da cultura palestina: Mahmud Darwich, Ismaïl Shamut e Edward Saïd. A intervenção foi ilustrada com a projecção de um filme sobre a obra de Ismaïl Shamut e outro com danças e cantares da Palestina.
Ismaïl Shammut (1930-2006) foi o mais importante pintor palestino contemporâneo e um dos mais notáveis pintores árabes do século passado.
A sua pintura, especialmente figurativa, reflecte os diversos aspectos da moderna história palestina, desde a Naqba (ele mesmo foi expulso da sua terra natal) até à luta dos palestinos pelo seu país. As suas telas, ou outros suportes, evidenciam a determinação política de um povo arrancado às suas raízes ou exilado na própria pátria mas sempre perseverando no combate pelos seus mais legítimos direitos. De alguma forma, os temas tratados por Shammut constituem um espelho da sua própria vida.

A segunda iniciativa integrada na 2.ª Semana da Palestina, que o MPPM organizou entre 21 e 28 de Novembro de 2009, em torno do Dia Internacional de Solidariedade com o Povo da Palestina, foi dedicada à "Poesia Palestina do Séc. XX".
Como destacou Júlio de Magalhães - responsável pela selecção e tradução dos poemas e ainda pelas notas biográficas dos seus autores - a poesia foi fundamental na construção da identidade árabe ao longo dos séculos. Esta identidade construiu-se em torno da língua árabe, a língua do Corão, e na expansão do mundo árabe a poesia teve um papel primordial.

A 26 de Novembro, a 2.ª Semana da Palestina deslocou-se à Universidade.
Um colóquio sobre a "Vida, Pensamento e Obra de Edward Said", apresentado por Júlio de Magalhães, da Direcção Nacional do MPPM, atraiu a um anfiteatro do ISCTE-IUL uma interessada assistência do meio académico que seguiu atentamente as exposições dos Professores Rosa Maria Perez (ISCTE-IUL), Eva-Maria Von Kemnitz (Universidade Católica, Instituto de Estudos Orientais) e António Manuel Hespanha (Faculdade de Direito, Universidade Nova) no que terá sido a mais relevante iniciativa sobre Saïd realizada em Portugal nos últimos anos.

Poesia Palestina na Barraca

A segunda iniciativa integrada na 2ª Semana da Palestina foi dedicada à "Poesia Palestina do Séc. XX". Como destacou Júlio de Magalhães - responsável pela selecção e tradução dos poemas e ainda pelas notas biográficas dos seus autores - a poesia foi fundamental na construção da identidade árabe ao longo dos séculos. Esta identidade construiu-se em torno da língua árabe, a língua do Corão, e na expansão do mundo árabe a poesia teve um papel primordial. Quando, no século XX, há um movimento político de ressurgimento árabe na sequência da luta contra o Império Otomano, instigada pelas potências ocidentais, que resulta na criação de Estados com fronteiras artificialmente criadas, há também um renascimento cultural, que se inicia no Egipto e se alarga a todo o mundo árabe. Com a criação dos novos Estados, atenua-se o conceito de poesia árabe e começam a surgir as variantes nacionais. É nesse contexto que surge uma poesia de matriz palestina.

Nascido em Jerusalém (que então se encontrava sob mandato britânico) em 1 de Novembro de 1935, Edward Saïd, filho de palestinianos cristãos protestantes, morreu em Nova Iorque a 25 de Setembro de 2003, vítima de leucemia, após uma carreira notável de professor nas mais prestigiadas universidades norte-americanas, de ensaísta brilhante e de activista político em defesa da Causa Palestiniana.
Numa organização conjunta do MPPM e da Cooperativa Alves Redol realizou-se, no dia 21 de Maio, nas instalações do Clube Vilafranquense, uma concorrida sessão pública em que foi evocada a vida e obra do poeta palestino Mahmud Darwich e se falou da história e da luta do povo da Palestina.
Arlindo Gouveia, Presidente da Cooperativa Alves Redol, enunciou os três objectivos que presidiram à realização desta sessão: cultural, informativo e de solidariedade com “o povo oprimido, humilhado e maltratado da Palestina”. Porque, afirmou, “Vila Franca tem tradição de solidariedade com os mais desfavorecidos, e a solidariedade também tem que ser internacionalista”.
O poeta Mahmud Darwich é uma das figuras mais notáveis da Palestina contemporânea. Personagem singular, Darwich conciliou a actividade intelectual (além de poeta foi prosador, ensaísta, jornalista) com a actividade de resistente contra a ocupação israelita, tendo-se tornado uma referência para o Médio Oriente. A sua poesia ultrapassou as fronteiras da geografia e tornou-se conhecida em todo o mundo árabe, que lhe conhece os versos e os recita de cor. A sua voz ergueu-se sempre, tanto através da escrita como na arena política, em defesa de uma Palestina independente, num combate em que lutou até aos seus últimos dias. Darwich, foi, de facto, durante a segunda metade do século XX, a voz e a consciência do Povo Palestino e o seu nome ficará indelevelmente registado na história da literatura e na história política, da Palestina e do Mundo.

O dia 29 de Novembro foi proclamado, pela Assembleia Geral das Nações Unidas, Dia Internacional de Solidariedade com o Povo da Palestina. Celebrado todos os anos, comemora a Resolução 181, de 29 de Novembro de 1947, que proclamava a partilha da Palestina em dois Estados – um judaico e um árabe – mas que jamais foi cumprida no que respeita à criação do Estado Palestino.
No ano do 61º aniversário, o MPPM assinalou a efeméride com um conjunto de iniciativas, integradas na SEMANA DA PALESTINA, que evocaram a luta deste povo mas mostraram, também, a vitalidade da sua cultura.
Assim, em 18 de Novembro, realizou-se na casa do Alentejo, em Lisboa, uma “Sessão Pública de Solidariedade com o Povo Palestino em Luta por uma Independência Soberana e uma Paz Justa. Com presidência de José Neves, Vice-Presidente do MPPM, intervieram: José Manuel Pureza, Carlos Carvalho, Frei Bento Domingues, Embaixadora Randa Nabulsi e José Saramago.

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