Resistência, Política e Sociedade Palestinas

Prosseguindo a sua agressão, o exército israelita efectuou hoje pelo menos 70 ataques na Faixa de Gaza, levados a cabo por aviões, helicópteros e tiros de tanques. Pelo menos três palestinos foram mortos e nove feridos.

Foram nomeadamente visadas concentrações de milhares de pessoas palestinos que protestavam contra a morte de sete palestinos ontem, na sequência da incursão de uma unidade das forças especiais sionistas, deslocando-se num automóvel civil e actuando sob disfarce. Na troca de tiros foi morto também um tenente-coronel israelita.

O exército israelita bombardeou o prédio da estação de televisão Al-Aqsa, ligada ao Hamas, na cidade de Gaza. O prédio ficou completamente destruído, tendo também sido danificadas outras estruturas próximas. Nos últimos 14 anos, é a quarta vez que o prédio é atacado por Israel.

Numa gravíssima escalada, soldados israelitas, actuando descaracterizados, penetraram na Faixa de Gaza na noite de domingo num carro civil, levando a cabo uma operação para assassinar um comandante da ala militar do Hamas.

O Hamas informou que o incidente começou quando os ocupantes de um carro em andamento abriram fogo contra um grupo dos seus militantes armados, matando um de seus comandantes. O ataque, cerca das 21h30 locais, ocorreu a leste de Khan Yunis, a três quilómetros da fronteira de Gaza.

As Brigadas Al-Qassam, ala militar do Hamas, confirmaram a morte do comandante Nour Barakah por forças especiais israelitas.

O carro em que seguia a unidade israelita foi imediatamente perseguido por forças da resistência, com uma nutrida troca de tiros. Seis membros das Brigadas Al-Qassam foram mortos, registando-se ainda sete feridos.

O exército israelita matou hoje um palestino e feriu outros 37 perto da vedação com que Israel isola a Faixa de Gaza, na 33.ª sexta-feira consecutiva das manifestações desarmadas da Grande Marcha do Retorno.

O Ministério da Saúde da Faixa de Gaza confirmou a morte de Rami Wael Ishaq Qahman, de 28 anos, após ter sido atingido no pescoço por um atirador de elite israelita, ficando em estado crítico. O Ministério da Saúde confirmou também que 37 pessoas foram feridas com balas reais, incluindo 6 crianças e 9 mulheres.

Aumenta assim para 221 o número de mortos vítimas da repressão israelita desde o início da Grande Marcha do Retorno, em 30 de Março, registando-se mais de 24 000 feridos.

Pelo menos 10 palestinos foram hoje feridos pelas forças de ocupação israelitas, quatro deles por balas reais, quando participavam na 15.ª marcha marítima, que faz parte da Grande Marcha do Retorno.

As forças de ocupação abriram fogo de metralhadora e dispararam uma barragem de bombas de gás lacrimogéneo contra os manifestantes pacíficos.

«A Marcha do Retorno não vai parar até que sejam atingidas todas as suas metas, em primeiro lugar o levantamento total do cerco da Faixa de Gaza e o fim do sofrimento de dois milhões de palestinos cercados», sublinhou a comissão organizadora da marcha.

O Conselho Central Palestino decidiu hoje acabar com os compromissos da OLP e da Autoridade Palestina relativos aos acordos com Israel, e em primeiro lugar suspender o reconhecimento do Estado de Israel («a potência ocupante») até que este reconheça o Estado da Palestina nas fronteiras 4 de Junho de 1967 com Jerusalém Oriental como sua capital.

Ao cabo de dois dias de reunião em Ramala, na Cisjordânia ocupada, o CCP, a segunda mais alta instância da OLP, decidiu ainda terminar a coordenação de segurança com Israel e pôr fim aos Protocolos Económicos de Paris, uma vez que a fase de transição prevista nos Acordos de Oslo já não existe.

O presidente da OLP e da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, e o Comité Executivo da OLP foram encarregados de aplicar estas decisões.

O exército israelita realizou dezenas de ataques aéreos em toda a Faixa de Gaza sitiada na madrugada de sábado, na ofensiva mais intensa desde o Verão. O exército israelita lançou pelo menos 95 ataques aéreos, segundo o jornal israelita Haaretz, alegadamente em resposta a cerca de 34 rockets disparados do enclave palestino para o Sul de Israel, 15 dos quais terão sido interceptados pelo sistema de defesa anti-aérea Iron Dome (Cúpula de Ferro).

A Jihad Islâmica reivindicou a responsabilidade dos rockets disparados na noite de sexta-feira em direção aos colonatos israelitas adjacentes à Faixa de Gaza, afirmando que foram em resposta à matança na sexta-feira de cinco manifestantes pacíficos da Grande Marcha de Retorno pelo exército israelita. «A resistência não aceitará a equação imposta pelo inimigo baseada na matança por parte deles e no silêncio pela nossa parte», afirma em comunicado.

Manifestação junto à vedação de Gaza, 26 de Outubro de 2018. Crédito: Eliyahu Hershkovitz

Cinco manifestantes palestinos foram hoje mortos a tiro por soldados israelitas durante protestos junto à vedação com que Israel encerra a Faixa de Gaza. Mais de 250 manifestantes ficaram feridos, incluindo 35 menores e quatro paramédicos. As forças sionistas dispararam balas reais e balas de aço revestidas de borracha.

Várias dezenas de pessoas também foram afectadas pelo gás lacrimogéneo disparado pelas forças do regime sionista em direcção aos milhares de manifestantes que participavam nos protestos, realizados pela 31.ª semana consecutiva. A manifestação de hoje decorreu sob a palavra de ordem «Gaza não se renderá».

Em 30 de Março os palestinos lançaram a Grande Marcha do Retorno, reunindo-se desarmados ao longo da «zona-tampão» adjacente à vedação instalada por Israel para isolar o território palestino.

Israel anunciou hoje que vai adiar por «várias semanas» a demolição da aldeia palestina  de Khan al-Ahmar, na Cisjordânia ocupada, que tem sido alvo das atenções internacionais nos últimos meses. No entanto, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, reafirmou a decisão de evacuar a aldeia.
 
Israel decidiu a demolição da aldeia, alegando vez que foi construída sem as devidas autorizações das autoridades. Mas na prática é impossível os palestinos obterem as autorizações de construção.
 
A poucos quilómetros de Jerusalém, a aldeia consiste em precárias construções de lata e madeira e é habitada por 180 beduínos. Encontra-se localizada entre dois grandes colonatos israelitas ilegais, Maale Adumim e Kfar Adumim, que o governo israelita quer expandir. 
 

Cerca de 130 palestinos foram hoje feridos por fogo israelita ou pela inalação de gás lacrimogéneo durante as manifestações da Grande Marcha do Retorno perto da vedação com que Israel isola a Faixa de Gaza, informou o Ministério da Saúde do território. Dois palestinos, um dos quais uma mulher de 70 anos, ficaram feridos com gravidade. Entre os feridos contam-se 25 crianças, um jornalista e pessoal de saúde.
Foi a 30.ª sexta-feira consecutiva dos protestos desarmados da Grande Marcha do Retorno, exigindo o fim do bloqueio da Faixa de Gaza por Israel, que dura há 11 anos, e o direito de retorno dos refugiados palestinos às suas terras, de que foram expulsos na campanha de limpeza étnica levada a cabo pelas forças sionistas em 1948-1949, por altura da criação de Israel.

Os Estados Unidos decidiram que o seu consulado em Jerusalém Oriental, que estava encarregado das relações com os palestinos, passará a funcionar como Unidade de Assuntos Palestinos da embaixada estado-unidense em Israel, quando estiver concluída a ilegal transferência da embaixada dos EUA para Jerusalém, em Maio de 2019.
O Departamento de Estado alega que isso permitirá «eficiências significativas». Porém, ao diminuir o estatuto do consulado, que era a sua principal missão diplomática junto dos palestinos, a medida tem evidente significado político, rebaixando ainda mais as relações entre os EUA e o governo da Autoridade Palestina.
Embora o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, tenha insistido que esta medida não indicava uma mudança de política em relação aos palestinos, o facto é que ela surge na sequência do fecho pelos EUA, em Setembro passado, da missão da Autoridade Palestina em Washington.

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