Resistência, Política e Sociedade Palestinas

Um soldado israelita aponta a arma a manifestantes palestinos em Kafr Qaddum, Cisjordânia ocupada, 12 de Julho de 2019

Um rapazinho palestino de 10 anos foi nesta sexta-feira atingido na cabeça por uma bala real disparada por forças israelitas durante o protesto semanal contra o Muro de separação em Kafr Qaddum, na Cisjordânia ocupada.

O pequeno Abdul-Rahman Yasser Shtewi foi levado pelo Crescente Vermelho Palestino para o Hospital Rafidia em Nablus. Segundo o Ministério da Saúde, o seu estado é crítico.

Morad Ashtwei, um dos promotores dos protestos contra o Muro, afirmou ao jornal israelita Haaretz que o rapazinho de 10 anos que foi gravemente ferido estava a seguir a manifestação apenas «por curiosidade» e «não estava a fazer mal a ninguém» quando foi baleado. O exército israelita «usa balas de borracha e outros meios perigosos» para ferir os participantes nos protestos, acrescentou.

Pelo segundo dia consecutivo, esta sexta-feira o bairro de  Issawiya, em Jerusalém Oriental ocupada, ergueu-se em revolta contra o assassínio de um jovem pelas forças repressivas israelitas.

Na quinta-feira, Mohammed Samir Obaid, de 20 anos, foi baleado no peito e no coração pela polícia israelita durante um protesto, vindo a sucumbir aos ferimentos no início da sexta-feira.

A polícia israelita afirma que os seus agentes dispararam depois de Obaid lhes ter atirado petardos, o que é desmentido por testemunhas no local, que negam terem sido lançados quaisquer petardos. Pelo contrário,
um soldado que se encontrava a 10 metros de Obaid pegou na arma e correu atrás do jovem, antes de disparar contra ele.

As forças israelitas apossaram-se do corpo do jovem e recusam-se a devolvê-lo à família.

Milhares de palestinos protestaram nesta terça-feira na Cisjordânia ocupada e na Faixa de Gaza cercada contra o lançamento do «plano de paz» do governo dos EUA para o Médio Oriente.
 
Cerca de 3000 pessoas manifestaram-se em Nablus, no norte da Cisjordânia, registando-se também manifestações em Ramala e Hebron.
 
Na Faixa de Gaza foi convocada uma greve geral e a maioria das lojas e restaurantes fecharam.
 
Numa conferência de dois dias no Barém, iniciada na terça-feira, os EUA propõem-se apresentar um conjunto de propostas económicas, alegadamente com o objectivo de abrir caminho para um processo de paz entre israelenses e palestinos.
 
A apresentação da parte política do plano vem a ser sucessivamente adiada, estando agora anunciada para depois das eleições israelitas de Setembro.
 

Os dirigentes palestinos rejeitaram as propostas da parte económica do «acordo do século» dos EUA, que serão discutidas numa reunião internacional a realizar esta semana no Barém.

«Primeiro que tudo, dêem-nos a nossa terra e a nossa liberdade», declarou o ministro das Finanças da Autoridade Palestina, Shukri Bishara. «Não precisamos da reunião do Barém para construir o nosso país, precisamos da paz, e a sequência do plano — recuperação económica seguida pela paz — é irrealista e uma ilusão»,

De facto, a apresentação da parte política do «plano de paz» da administração Trump, está mais uma vez adiada, desta vez para depois das eleições israelitas de Setembro.

Pelo menos 79 palestinos foram feridos pelas forças israelitas, que mais uma vez abriram fogo contra os manifestantes desarmados que participavam na 63.ª sexta-feira consecutiva dos protestos da Grande Marcha de Retorno, ao longo da vedação com que Israel isola a Faixa de Gaza.

Segundo o porta-voz do Ministério da Saúde de Gaza, entre os feridos encontram-se também paramédicos que prestavam assistência aos manifestantes.

As manifestações têm-se realizado semanalmente desde 30 de Março do ano passado, exigindo o fim do bloqueio à Faixa de Gaza, que dura desde 2007, e o direito dos refugiados palestinos de retornarem às suas casas, que foram forçados a abandonar durante a campanha de limpeza étnica que acompanhou a criação de Israel, em 1948.

Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, desde o início dos protestos as tropas israelitas já mataram pelo menos 305 palestinos e feriram mais de 17 mil pessoas.

Um paramédico palestino sucumbiu aos ferimentos causados por uma bala de borracha disparada pelas forças israelitas no mês passado, informou o Ministério da Saúde palestino.

Mohammed Sobhi Al-Jdeily, de 36 anos, que trabalhava para o Crescente Vermelho palestino, foi atingido por uma bala de borracha na sexta-feira 3 de Maio, enquanto desempenhava o seu trabalho humanitário durante uma das manifestações semanais junto à vedação com que Israel isola a Faixa de Gaza.

Al-Jdeily foi atingido pela bala de borracha no nariz, o que lhe provocou fracturas no crânio, informou o Crescente Vermelho. Morreu num hospital de Hebron, na Cisjordânia ocupada, e o seu corpo será transferido para Gaza para o funeral. Era pai de quatro filhos e morava no campo de refugiados de Bureij.

É o 306.º palestino a ser morto pelas forças israelitas nos protestos da Grande Marcha do Retorno, iniciadas em 30 de Março de 2018.

Ao fim de seis meses, uma mãe palestina de Gaza recebeu finalmente permissão das autoridades israelitas para regressar a Jerusalém para se juntar à filha, única sobrevivente de trigémeos.

Segundo o jornal israelita Times of Israel, citando o Canal 13, em Janeiro a mulher — cujo nome não foi divulgado —, grávida de trigémeos, deu entrada no hospital Makassed, em Jerusalém Oriental, para uma operação urgente. Entrou em trabalho de parto e deu à luz, mas dois dos gémeos, ambos meninos, morreram dias depois.

Os dirigentes palestinos não participarão na conferência económica que os Estados Unidos vão organizar em Junho no Barém, primeira etapa do «plano de paz» de Trump para a Palestina.

O governo dos EUA anunciou uma «oficina» económica em 25 e 26 de Junho em Manama para aumentar o investimento na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, o que alegadamente permitiria a melhoria das condições de vida dos palestinos que vivem sob ocupação israelita.

No momento em que se assinala o 71.º aniversário da Nakba, a 15 de Maio, o povo palestino enfrenta perigos imensos e vive uma das mais graves situações desde a criação do Estado de Israel. O anunciado «acordo do século» visa legitimar a política anexionista de Israel com o seu cortejo de prisões, mortes, destruição, espoliação. Os refugiados são ignorados, continua o criminoso bloqueio a Gaza, prossegue em ritmo acelerado a construção de colonatos ilegais e a expulsão de palestinos de Jerusalém Oriental. A «Lei do Estado-Nação» consagra a discriminação dos cidadãos palestinos de Israel.

Milhares de pessoas desfilaram pelo centro de Londres no sábado para reclamar uma Palestina livre, o fim da ocupação israelita dos territórios palestinos e dos ataques a Gaza.

A manifestação, organizada pela Palestine Solidarity Campaign, com o apoio da Stop the War Coalition e de várias outras associações e sindicatos, assinalou o 71.º aniversário da Nakba («catástrofe» em árabe), a limpeza étnica da população palestina por ocasião da criação de Israel.
 
Este ano a comemoração da Nakba desenrola-se num clima particularmente ameaçador, já que coincide com os planos estado-unidenses de um «acordo do século» que significaria a total abdicação pelos palestinos dos seus inalienáveis direitos nacionais. 

Durante o desfile os manifestantes exigiram a libertação da Palestina, o direito de retorno para os refugiados palestinos e o fim dos «ataques sem precedentes por Israel contra os palestinos».

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