Ocupação, Colonização e Apartheid Israelitas

Após reabertura, mais de uma centena de feridos em ataque das forças israelitas
A situação em torno do complexo de Al-Aqsa, em Jerusalém Oriental ocupada, conheceu hoje, quinta-feira, 27 de Julho, um desenlace provisório que constitui uma vitória dos palestinos.
O governo de Benjamin Netanyahu foi forçado pela firmeza dos protestos dos palestinos, sobretudo de Jerusalém Oriental mas também dos restantes territórios palestinos ocupados, a ceder: primeiro a retirar os pórticos detectores de metais à entrada do Haram al-Sharif (Nobre Santuário) / Esplanada das Mesquitas, depois a renunciar à instalação de câmaras «inteligentes», e finalmente a franquear aos fiéis muçulmanos a totalidade das entradas no santuário, contrariamente ao anunciado.

O MPPM condena a restrição por Israel do acesso ao complexo de Al-Aqsa e o agravamento da repressão em toda a Jerusalém Oriental, numa escalada de tensão que visa aprofundar a política israelita de anexação do território palestino.

Na sexta-feira, 14 de Julho, um tiroteio na Cidade Velha de Jerusalém que terminou no Haram al-Sharif/Esplanada das Mesquitas resultou na morte dos três atacantes e de dois polícias de fronteira israelitas, uns e outros palestinos com cidadania israelita.

Israel prendeu brevemente o Mufti de Jerusalém e impôs durante dois dias o encerramento total do local, pela primeira vez desde há muitos anos. Violando a liberdade de culto e pondo em causa o estatuto do local sagrado, de que é garante a Jordânia, o acesso a Haram al-Sharif só foi permitido por Israel depois da instalação nas suas entradas de pórticos detectores de metais.

O Conselho de Segurança da ONU deve reunir-se à porta fechada na próxima segunda-feira, 24 de Julho, para discutir a situação tensa que se vive nos últimos dias em Jerusalém Oriental ocupada em torno do complexo da Mesquita de al-Aqsa.
Entretanto, o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas ordenou a suspensão de todos os contactos oficiais com Israel até que sejam retirados os detectores de metais colocados às entradas do complexo de Al-Aqsa.
No sábado, 22 de Julho, continuaram os confrontos em algumas zonas de Jerusalém Oriental e da Margem Ocidental ocupadas. Forças israelitas mataram pelo menos dois palestinos com balas reais, ferindo gravemente um outro, na cidade de al-Eizariya, no distrito de Jerusalém da Margem Ocidental ocupada, segundo informações do Crescente Vermelho palestino à agência Ma'an. Registaram-se igualmente dezenas de feridos.
Três palestinos foram mortos a tiro durante confrontos em Jerusalém Oriental ocupada e na Margem Ocidental ocupada hoje, 21 de Julho, relata a agência palestina Ma'an. Em todo o território palestino ocupado, e particularmente em Jerusalém Oriental ocupada, ocorreram protestos em grande escala contra as novas medidas de segurança impostas pelas autoridades israelitas no acesso ao complexo de Al-Aqsa.
O Waqf, a organização islâmica que administra Al-Aqsa, apelou no início desta semana a que todas as mesquitas de Jerusalém fechassem na sexta-feira, dia santo muçulmano, e todos os fiéis muçulmanos da cidade se dirigissem a Al-Aqsa para denunciar a instalação de portais detectores de metais e outras medidas de segurança adicionais, surgidas na sequência do ataque do passado dia 14, em que três palestinos cidadãos de Israel mataram dois polícias israelitas, igualmente palestinos cidadãos de Israel.
Vários palestinos ficaram feridos em confrontos entre a polícia israelita e fiéis muçulmanos hoje, 17 de Julho, perto do complexo de Al-Aqsa, na Cidade Velha de Jerusalém Oriental ocupada.
O presidente da Iniciativa Nacional Palestina, Dr. Mustafa Barghouti, foi atingido na cabeça por uma bala com ponta de borracha. Barghouthi declarou à agência Ma'an que ele e vários outros fiéis, habitantes de Jerusalém, foram agredidos por forças israelitas após realizarem orações junto à Porta dos Leões, uma das várias que dão acesso a Al-Aqsa, para expressar a sua rejeição dos procedimentos de segurança israelitas em todo o complexo, incluindo a instalação de detectores de metal às entradas.
Um rapaz palestino de 13 anos, de Jerusalém Oriental ocupada, perdeu um olho na noite de domingo, 9 de Julho, após ser atingido por uma bala de ponta de esponja disparada pela polícia israelita, informa o diário israelita Haaretz.
A família do adolescente, Nur Hamdan, declarou que ele foi atingido pela bala quando estava na varanda de um segundo andar. O jovem também sofreu fracturas da cavidade ocular e outras lesões faciais.
A polícia israelita entrou no bairro de Isawiyah, em Jerusalém Oriental ocupada, após uma briga entre vizinhos. Residentes palestinos começaram a atirar-lhes pedras, e em resposta a tropa usou «armas de controlo de multidões».
O tio de Nur disse o rapaz não participou nos acontecimentos; estava simplesmente na varanda ao lado da mãe e de um primo. «As crianças estavam a brincar na varanda, até que a minha esposa os chamou para dentro por causa da polícia», relatou. «Ele foi atingido quando se levantou para entrar.»
Um menino palestino de 18 meses de idade, seriamente lesionado há dois meses pela inalação de gás lacrimogéneo disparado por soldados israelitas, morreu na sexta-feira, 7 de Julho, informa a agência palestina Wafa.
Em 19 de Maio, os soldados israelitas entraram em confronto com moradores da aldeia de Aboud, perto de Ramala, durante protestos ocorridos em toda a Margem Ocidental ocupada em apoio aos 1500 presos palestinos em greve de fome. Os soldados dispararam de forma aleatória um grande volume de gás lacrimogéneo sobre casas palestinas, causando sufocação em muitas pessoas, incluindo mulheres e crianças. O menino Abdul Rahman Barghouti foi gravemente afectado pelo gás lacrimogéneo.
As ambulâncias palestinas que tentavam chegar a sua casa foram bloqueadas por jipes do exército israelita. Os socorristas palestinos tiveram de ir a pé prestar os primeiros socorros à criança e transportaram-na depois, sempre a pé, para os seus veículos.
Por ocasião do Fórum das Nações Unidas para Marcar os 50 Anos da Ocupação, realizado na sede da ONU em 29 e 30 de Junho apesar dos protestos do embaixador israelita, o secretário-geral da ONU, António Guterres, apelou ao fim da ocupação israelita da Margem Ocidental, Jerusalém Leste, Gaza e Montes Golã como a «única maneira de alcançar os direitos inalienáveis do povo palestino».
Num comunicado transmitido durante o fórum, intitulado «Acabar com a ocupação: O caminho para a independência, justiça e paz para a Palestina», Guterres exortou a negociações directas para alcançar uma solução de dois Estados, de acordo com o direito internacional.
Destacando o pesado ónus humanitário da ocupação para os palestinos, Guterres lamentou o facto de «gerações de palestinos terem crescido em campos de refugiados superlotados, muitos numa miséria abjecta, e com poucas ou nenhumas perspectivas de uma vida melhor para os seus filhos».
Um palestino foi morto a tiro por forças israelitas na noite de quarta-feira, 28 de Junho, durante uma incursão na cidade de Hebron, no Sul da Margem Ocidental ocupada.
Soldados israelitas da unidade de elite Duvdevan, actuando disfarçados de palestinos, procuravam armas na cidade palestina. Segundo fontes citadas pelo jornal israelita Haaretz, o palestino abriu fogo sobre as forças israelitas, sendo depois morto a tiro.
O palestino morto foi identificado como Iyad Munir Arafat Ghaith, de 23 anos, da cidade de Hebron.
Hebron é um caso particularmente chocante da ocupação israelita. No coração da sua Cidade Velha está instalado um colonato israelita, com 800 habitantes, protegidos por forças militares israelitas, impondo um regime de humilhações e terror aos 30.000 palestinos que aí vivem.
O jornal israelita Haaretz informou no dia 9 de Junho que há agora 590.000 colonos judeus a viver em colonatos oficiais na Margem Ocidental ocupada e em Jerusalém Oriental ocupada.
O jornal assinalou que 380.000 colonos vivem na Margem Ocidental, enquanto o número em Jerusalém Oriental ocupada é agora de 210.000.
Porém, estas estatísticas, nota o Haaretz, não incluem milhares de colonos que vivem «postos avançados» localizados em terras ocupadas que são propriedade privada de palestinos.
De acordo com a ONG israelita Peace Now, existem 97 desses postos avançados, que formalmente são «ilegais» face ao direito israelita, ou seja, foram construídos sem autorização das autoridades israelitas, embora de facto beneficiem das infra-estruturas e da protecção militar do Estado sionista. Mas, à luz do direito internacional, todos e cada um dos colonatos de Israel são ilegais.

Páginas

Subscreva Ocupação, Colonização e Apartheid Israelitas