Solidariedade Internacional

Os dirigentes de 21 importantes organizações humanitárias estado-unidenses, incluindo organizações cristãs e muçulmanas, enviaram ontem uma carta a membros da administração dos EUA — a embaixadora dos EUA na ONU, Nikki Haley, o secretário de Estado, Rex Tillerson, o Conselheiro de Segurança Nacional, H. R. McMaster, e o secretário de Defesa, James Mattis — protestando contra a decisão desta de cortar 65 milhões de dólares da contribuição para a UNRWA, agência das Nações Unidas para a assistência aos refugiados palestinos no Médio Oriente.
Na carta os dirigentes afirmam que estão «profundamente preocupados com as consequências humanitárias desta decisão para a assistência essencial a crianças, mulheres e homens na Jordânia, Líbano, Síria e na Margem Ocidental e Faixa de Gaza».
Entrevista de Anne-Laure Le Gall a Corinne e Laurent Mérer publicada no Paris Match em 4 de Janeiro de 2018
 
«A colonização na Palestina é um cancro que desenvolve diariamente as suas metástases»: é esta a conclusão extremamente forte de Corinne e Laurent Mérer, dois voluntários católicos que passaram três meses nos Territórios Ocupados.
Israel publicou uma lista de 20 grupos internacionais cujos membros serão impedidos de entrar no país devido ao seu apoio ao movimento Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS).
O BDS é um movimento que se opõe à política de colonização, repressão e discriminação praticada por Israel contra o povo palestino. Apela ao boicote pelos cidadãos, ao desinvestimento pelas empresas e às sanções pelos Estados como forma de pressão sobre Israel.
A lista negra, que foi publicada ontem pelo Ministério dos Assuntos Estratégicos de Israel, inclui organizações baseadas em vários países europeus, bem como nos Estados Unidos, no Chile e na África do Sul.
Vários dignitários cristãos da Palestina rejeitaram ontem a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de reconhecer Jerusalém como capital de Israel.
Num momento em que Belém, normalmente repleta de turistas nesta época do ano, quase não tinha visitantes devido aos confrontos entre forças israelitas e manifestantes palestinos, os dignitários cristãos classificaram de «perigosa» e «insultuosa» a decisão dos EUA, sublinhando ao mesmo tempo a centralidade de Jerusalém para as três religiões monoteístas.
«A paz começa com Jerusalém. O poder não pode impor uma paz injusta», disse o ex-patriarca latino Michel Sabah, que acrescentou: «Os lugares sagrados são governados pelo status quo, que deve ser respeitado».
No mesmo sentido se pronunciou o arcebispo ortodoxo grego Attallah Hanna: «Nós, palestinos, cristãos e muçulmanos, rejeitamos o reconhecimento pelos EUA de Jerusalém como capital de Israel.»
Tilda Swinton, Mark Ruffalo, Roger Waters, Peter Gabriel e Brian Eno são alguns das dezenas de escritores, músicos e actores que condenaram a decisão de Donald Trump de reconhecer Jerusalém como capital de Israel, numa carta enviada ao diário britânico «The Guardian»
«Ao reconhecer Jerusalém como capital de Israel», afirma a carta, «Donald Trump procura alcançar com uma declaração aquilo que Israel vem tentando fazer há 50 anos pela força das armas: apagar os palestinos, como presença política e cultural, da vida de sua própria cidade.»
«Os palestinos de Jerusalém já estão sujeitos a uma discriminação municipal a todos os níveis e a um processo de limpeza étnica.»
Pelo quinto dia consecutivo, prosseguem em toda a Palestina e em muitos locais do mundo inteiro os protestos contra a decisão do presidente estado-unidense, Donald Trump, de reconhecer Jerusalém como capital de Israel e de para aí transferir a embaixada dos EUA.
Nos territórios palestinos registaram-se novos protestos, nomeadamente em Ramala, Hebron e Tulkarem, na Margem Ocidental ocupada, e na Faixa de Gaza cercada.
Os protestos têm sido brutalmente reprimidos por Israel.
De acordo com o Ministério da Saúde palestino, as forças de ocupação israelitas mataram 4 palestinos e feriram outros 1632 durante os protestos.
Estatísticas publicadas ontem pelo Ministério da Saúde revelam que houve 1327 feridos na Margem Ocidental e em Jerusalém ocupadas, incluindo 28 por balas reais, 305 por balas de metal revestidas de borracha e 962 casos de sufocação devido à inalação de gás lacrimogéneo.
Na sequência de uma intensa campanha por grupos de activistas, organizações de estudantes e outras, a Universidade Católica de Lovaina (Bélgica) anunciou que não participará em futuros desenvolvimentos do projecto LAW TRAIN, um programa de cooperação com a polícia de Israel para estudar técnicas de interrogatório financiado pela União Europeia ao abrigo do programa Horizonte 2020 – informa a Samidoun (Rede de Solidariedade com os Presos Palestinos)
No anúncio feito no passado dia 6, o recém-eleito reitor da Universidade de Lovaina (UCL), Luc Sels, definiu a sua posição em três pontos:
No passado dia 6 de Novembro decorreu em Bruxelas a primeira conferência sobre os colonatos israelitas nos territórios palestinos ocupados realizada em solo europeu, impulsionada pela Organização para a Libertação da Palestina (OLP). Foram endereçados convites a múltiplas organizações europeias, entre as quais o MPPM. A conferência decorreu com um quadro alargado de organizações e participantes a título individual, incluindo deputados do Knesset (parlamento israelita), com destaque para Aida Touman-Sliman, da Lista Conjunta (coligação de partidos palestinos e da esquerda não sionista em Israel).
A conferência visava criar uma coligação contra os colonatos israelitas, reafirmando a solução de dois Estados segundo as fronteiras de 1967, desenvolver linhas de acção que se opusessem às tentativas de alteração paisagística e geográfica levadas a cabo no interior das fronteiras de 1967 e, por último, rejeitar liminarmente o acordo UE-Israel.
Do Muro do Apartheid de Israel em território palestino até ao muro da vergonha dos EUA em território indígena na fronteira com o México — os muros são monumentos de expulsão, exclusão, opressão, discriminação e exploração. Nós, como pessoas afectadas por estes muros e como movimentos que apresentam a justiça, a liberdade e a igualdade como as nossas ferramentas para resolver os problemas deste planeta, juntamo-nos ao apelo do dia 9 de Novembro como Dia de Acção Global por um Mundo Sem Muros.
«Não existe palavra para muro na nossa língua. Nós perguntámos aos nossos pais. Nós procurámos. Não existe palavra para muro porque não deveria haver muros.»
Verlon M. José, vice-presidente da tribo Tohono O’odham.
(A terra do povo Tohono O’odham está dividida pela fronteira EUA-México)
Milhares de manifestantes desfilaram ontem, 4 de Novembro, em Londres condenando a celebração pelo governo britânico do centenário da Declaração Balfour, que em 1917, em violação dos direitos nacionais da população autóctone, prometeu aos sionistas um «lar nacional» na Palestina, abrindo o caminho à formação do Estado de Israel, que significou
décadas de repressão e exílio, de usurpação de terras, de silenciamento e esmagamento da identidade cultural do povo palestino.
Os manifestantes protestaram também contra as declarações da primeira-ministra Theresa May, que afirmou que era com «grande prazer» que acolhia o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, para comemorar os 100 anos da Declaração Balfour. Theresa May disse ainda que o Reino Unido estava «orgulhoso» do papel que desempenhou na criação do Estado de Israel.

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