A violência de colonos e activistas de direita judeus israelitas contra os palestinos na Cisjordânia ocupada triplicou no ano passado. Até meados de Dezembro, contavam-se 482 incidentes, em comparação com 140 em 2017, informa na sua edição de hoje o jornal israelita Haaretz.
Além de espancamentos e lançamento de pedras contra palestinos, os delitos mais frequentes consistiram em pintar palavras de ordem nacionalistas e anti-árabes ou antimuçulmanos, danificar casas e carros e cortar árvores pertencentes a agricultores palestinos.
Esse incidentes tinham diminuído acentuadamente em 2016 e 2017 comparativamente com os anos anteriores. As autoridades israelitas atribuem essa diminuição à sua acção após o lançamento de uma bomba incendiária contra uma casa na aldeia de Duma, na Cisjordânia ocupada. Nesse ataque foram mortos Saad e Riham Dawabsheh e o seu bebé de 18 meses, Ali; o único sobrevivente foi o filho de quatro anos do casal, Ahmed.
Após o ataque, o serviço de segurança israelita, Shin...
Trinta e quatro intelectuais e artistas israelitas, incluindo historiadores e outros académicos, de universidades israelitas, europeias e norte-americanas, vários deles galardoados com o Prémio Israel – considerado a maior distinção cultural do Estado de Israel – tornaram pública uma carta aberta em que denunciam a campanha em curso na Europa para confundir com anti-semitismo as críticas ao Estado de Israel.
«Subscrevemos e apoiamos totalmente a luta intransigente da UE contra o anti-semitismo», afirmam, ressalvando: «Esta luta contra o anti-semitismo não deve ser instrumentalizada para impedir a crítica legítima à ocupação e às graves violações dos direitos humanos palestinos por Israel.»
Os subscritores da carta aberta alertam: «a definição [de anti-semitismo] pode ser perigosamente instrumentalizada para conferir a Israel imunidade contra as críticas por graves e generalizadas violações dos direitos humanos e do direito internacional […] Isso tem um efeito inibidor sobre qualquer...
O MPPM manifesta profunda preocupação pela notícia de que a União Europeia está a promover, pela calada e à pressa, a aprovação de um documento que caminha no sentido de equiparar críticas ao sionismo e a Israel com anti-semitismo. Segundo a notícia (EUobserver, 29.11.2018), veiculada precisamente no Dia Internacional de Solidariedade com o Povo Palestino, o documento poderá ser aprovado já esta semana, no dia 6 de Dezembro, aquando da reunião dos Ministros da Administração Interna dos países da UE.
A ser exacto o conteúdo da notícia, trata-se dum facto de extrema gravidade. Abrem-se as portas à censura, perseguição e eventual criminalização da justa denúncia dos inúmeros crimes perpetrados por Israel e da justa solidariedade com a luta do povo palestino pelos seus inalienáveis direitos nacionais. Não deixa de ser revelador que um papel de destaque na preparação do referido documento tenha cabido ao governo austríaco, um dos governos de extrema-direita que, na UE, mais tem cavalgado e...
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, deu luz verde para a aprovação de um projecto de lei que tornaria mais fácil a pena de morte para «terroristas» palestinos.
O projecto de lei deverá ser discutido no próximo dia 14 de Novembro na comissão de legislação do Knesset (parlamento israelita).
Israel tem em vigor uma lei que permite a pena de morte, mas não é aplicada desde a execução de Adolf Eichmann, em 1962.
A lei actual só permite que os tribunais militares israelitas pronunciem a pena de morte por decisão unânime de um painel de três juízes.
O projecto de lei apresentado em 2017 pelo partido Yisrael Beiteinu, do ministro da Defesa, Avigdor Lieberman, a que Netanyahu deu agora a sua aprovação, permitiria que tribunais israelitas, militares mas também civis, aprovassem a pena de morte por maioria simples. Israel aboliu em 1954 o uso da pena capital por tribunais civis para crimes de assassínio.
O controverso projecto já tinha sido aprovado em votação preliminar em Janeiro de...
O MPPM condena com veemência a celebração do «Memorando de Entendimento sobre Cooperação no Domínio do Mar e da Água» assinado no passado dia 22 pela ministra do Mar de Portugal, Ana Paula Vitorino, e pelo ministro da Ciência, Tecnologia e Espaço de Israel, Ofir Akunis.
O memorando, afirma o comunicado oficial, visa reforçar as colaborações científicas e aumentar o intercâmbio de conhecimentos e de cientistas entre Portugal e Israel, visando nomeadamente a protecção dos oceanos, a promoção do crescimento económico azul e a redução dos gases com efeito de estufa.
A coberto de uma colaboração científica e de preocupações ambientais, que seriam politicamente neutras, estamos perante um efectivo branqueamento pela ministra do Mar, e pelo Governo, da criminosa política de Israel relativamente ao povo palestino, também no que diz respeito ao mar e às questões ambientais.
Entre muitas outras questões, não é possível ignorar que Israel continua a controlar e a abusar dos recursos hídricos que...
Os cidadãos palestinos de Israel assinalaram nesta segunda-feira o aniversário dos acontecimentos de Outubro de 2000, nos quais 13 cidadãos árabes israelitas foram mortos pelas forças policiais do regime sionista.
O Alto Comité de Acompanhamento para os Cidadãos Árabes [Palestinos] de Israel, organismo que inclui representantes de todos os partidos e movimentos políticos dos palestinos cidadãos de Israel, apelou a uma greve geral em todas as comunidades, incluindo o sector de educação. Um comunicado conjunto do Alto Comité e do Conselho dos Presidentes de Câmara Árabes especificou que este ano a greve também seria um protesto contra a «lei do Estado-nação».
Esta lei de carácter constitucional, aprovada a 19 de Julho, confirma o carácter confessional e segregacionista do Estado de Israel e institucionaliza a discriminação de que sofrem os cidadãos não judeus de Israel, nomeadamente os palestinos, que constituem 20% da população e são os descendentes dos palestinos que permaneceram nas...
No 15.º aniversário do falecimento de Edward Said, o MPPM divulga este artigo, publicado logo após a assinatura dos Acordos de Oslo em 1993, em que o grande intelectual palestino faz uma análise muito crítica daqueles acordos. Agora que parte da euforia já se foi, é possível reexaminar o acordo entre Israel e a OLP com o bom senso exigido. O que emerge de tal escrutínio é um acordo que é mais defeituoso e, para a maioria do povo palestino, mais desfavoravelmente desequilibrado do que muitos inicialmente supunham. As vulgaridades, dignas de uma exibição de moda, da cerimónia na Casa Branca, o espectáculo degradante de Yasser Arafat agradecendo a todos pela suspensão da maioria dos direitos do seu povo e a solenidade tola do desempenho de Bill Clinton, como um imperador romano do século XX pastoreando dois reis vassalos pelos rituais de reconciliação e obediência: tudo isso apenas temporariamente oculta as proporções verdadeiramente assombrosas da capitulação palestina.Então, primeiro...
Artigo publicado em Orient XXI em 16 de Agosto de 2018 Desde há meses que Jeremy Corbyn é alvo de uma campanha orquestrada pelo lobby pró-israelita no Reino Unido, com o apoio da ala direita do seu próprio partido (Partido Trabalhista) e do Partido Conservador. É regularmente acusado de anti-semitismo. Aquele que assim é visado é um dos dirigentes políticos europeus que denunciou constante e persistentemente, apesar de todas as chantagens, a ocupação israelita, os assassínios em Gaza, a política do governo de Benjamin Netanyahu. O último episódio destas polémicas data de há alguns dias e é relatado, em termos mais do que discutíveis, pelo diário Le Monde: «Benjamin Netanyahu interveio, na segunda-feira, 13 de Agosto, na controvérsia sobre o anti-semitismo que dilacera o Partido Trabalhista britânico. No Twitter, o primeiro-ministro israelita pediu uma “condenação inequívoca” de Jeremy Corbyn, o líder do Labour. Este é acusado de em 2014 ter deposto uma coroa de flores no túmulo dos...
O MPPM lamenta o falecimento, no passado dia 20 de Agosto, de Uri Avnery, que dedicou a sua vida à causa da paz entre israelitas e palestinos. Nascido na Alemanha em 1923, com o nome de Helmut Ostermann, Uri Avnery emigrou com a família para a Palestina do Mandato Britânico em Novembro de 1933, poucos meses depois de Hitler subir ao poder.Em 1938, com 15 anos, Uri Avnery aderiu ao Irgun, um grupo sionista de extrema-direita, mas rapidamente se desiludiu com a sua retórica e prática anti-árabe.Antes da criação de Israel, Avnery acreditava num Estado único para todos os habitantes da Palestina, judeus e árabes. Porém, após participar na guerra israelo-árabe de 1948-1949, de onde regressou ferido, convenceu-se da necessidade da coexistência no território da Palestina de dois Estados, incluindo, portanto, um Estado da população árabe palestina. Como diria mais tarde, «A Guerra convenceu-me de que existe um povo palestino e de que a paz tem que ser construída primeiro que tudo com eles».Foi...
Artigo publicado no Haaretz em 12 de Agosto de 2018Para Uri AvneryEnquanto a sede de sangue tomava conta dos órgãos de comunicação social, enquanto o comentador Shimon Riklin escrevia no Twitter: «Nós queremos que vocês matem terroristas, e tantos quantos possível, até que os gritos das suas famílias superem seu doentio instinto homicida»; enquanto o ministro Yoav Galant, um homem cujas mãos estão manchadas com uma grande quantidade de sangue de Gaza, declarava com lirismo bíblico, «eu vou perseguir os meus inimigos e apanhá-los, eu não vou voltar até que eles estarem acabados ”; enquanto Yair Lapid escrevia: «A IDF deve atingi-los com toda a sua força, sem hesitar, sem pensar» — enquanto tudo isto acontecia, Inas e Bayan Khammash eram assassinadas.Elas eram mãe e filha. Inas tinha 23 anos, estava no nono mês de gravidez; Bayan era uma bebé de 18 meses. Elas foram mortas quando um míssil atingiu a sua casa, um apartamento alugado num prédio de um andar em Dir al-Balah, na Faixa de...