Ocupação, Colonização e Apartheid Israelitas

Pelo menos 10 palestinos foram hoje feridos pelas forças de ocupação israelitas, quatro deles por balas reais, quando participavam na 15.ª marcha marítima, que faz parte da Grande Marcha do Retorno.

As forças de ocupação abriram fogo de metralhadora e dispararam uma barragem de bombas de gás lacrimogéneo contra os manifestantes pacíficos.

«A Marcha do Retorno não vai parar até que sejam atingidas todas as suas metas, em primeiro lugar o levantamento total do cerco da Faixa de Gaza e o fim do sofrimento de dois milhões de palestinos cercados», sublinhou a comissão organizadora da marcha.

Forças israelitas assaltaram hoje os escritórios do governador palestino de Jerusalém e do  Ministério palestino dos Assuntos de Jerusalém.

Antes de procederem ao assalto, dezenas de soldados fortemente armados isolaram as sedes das duas instituições da Autoridade Palestina, no bairro de Al-Barid, na parte de Jerusalém Oriental ocupada separada do resto da cidade pelo Muro do apartheid.

O ministro, Adnan al-Husseini, informou que as forças israelitas confiscaram documentos e materiais. As autoridades israelitas confirmaram o assalto às instalações, durante o qual ficaram feridos dois empregados palestinos.

Já no passado dia 20 de Outubro as forças de ocupação tinham detido o governador palestino de Jerusalém, Adnan Gheith, que foi libertado dois dias depois.

A Autoridade Palestina tem um ministro para os Assuntos de Jerusalém e um governador da província de Jerusalém, mas Israel proíbe as actividades da Autoridade Palestina na cidade.

Israel matou 32 palestinos — 26 na Faixa de Gaza sitiada e seis na Cisjordânia ocupada — em Outubro, incluindo seis crianças. Outros 2166 foram feridos pelas forças sionistas nos territórios palestinos ocupados.

Os números constam de um relatório do Centro de Pesquisas Abdullah Al-Horani, ligado à Organização de Libertação da Palestina (OLP). Entre os palestinos mortos no mês passado conta-se Wisam Shalaldeh, de 28 anos, que faleceu numa prisão israelita devido a negligência médica.

Segundo o relatório, Israel continua a reter e recusa-se a entregar às suas famílias os corpos de 32 palestinos mortos.

Foram feridos 1916 palestinos na Faixa de Gaza sitiada e outros 250 na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental ocupadas. Além disso, em Outubro os ocupantes israelitas prenderam 525 palestinos na Cisjordânia, em Jerusalém Oriental e na Faixa de Gaza.

Uma criança palestina morreu na manhã de hoje devido a ferimentos sofridos durante a agressão de Israel à Faixa de Gaza em 2014.

O pequeno Mohamed Naser al-Rifi, de 12 anos, tinha estado internado nos últimos quatro anos no Hospital de Reabilitação Al-Wafa.

Em 21 de Agosto de 2014, um avião militar israelita disparou um míssil contra a casa da sua família, na cidade de Gaza. Mohamed sofreu ferimentos graves, em resultado dos quais ficou tetraplégico e a sofrer de outros problemas de saúde.

O míssil israelita matou o seu pai, um irmão e quatro primos.

Segundo o Centro Al-Mezan de Direitos Humanos, os soldados israelitas mataram pelo menos 2218 palestinos, incluindo centenas de crianças, durante a agressão de 2014 contra a Faixa de Gaza (Operação «Margem Protectora»), que durou 51 dias. Dezenas de outras pessoas morreram posteriormente devido aos seus graves ferimentos. 

A escritora palestino-americana Susan Abulhawa foi detida ontem ao chegar ao aeroporto de Tel Aviv, com a intenção de participar num festival literário na Cisjordânia ocupada, e foi hoje deportada de regresso aos Estados Unidos.

Susan Abulhawa, autora nomeadamente do conhecido romance As Madrugadas em Jenin, deveria participar no Festival Palestino de Literatura, a ter lugar de 3 a 7 de Novembro.

Os serviços de fronteiras israelitas alegaram que a escritora deveria ter previamente obtido um visto, porque em 2015 lhe foi negada entrada na Palestina através da Ponte Allenby, controlada por Israel. Normalmente os cidadãos dos EUA estão isentos de visto para entrar em Israel.

A Declaração Balfour, de que hoje se assinala o 101.º aniversário, é um documento histórico de consequências terríveis para o povo palestino.

Em 2 de Novembro de 1917, Lord Arthur Balfour, secretário dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido, enviou uma carta a Lionel Walter Rothschild, uma figura de proa da comunidade judaica britânica. Nessa carta o governo britânico prometia à Federação Sionista favorecer a constituição na Palestina de um «lar nacional para o povo judaico».

Com sobranceria imperial e inteiramente à revelia dos habitantes autóctones — o povo palestino —, o imperialismo britânico prometia a pessoas que não viviam na Palestina um território que não lhe pertencia (nessa altura a Palestina fazia parte do Império Otomano). A promessa veio a revelar-se funesta para este.

O presidente eleito do Brasil, o político de extrema-direita Jair Bolsonaro, confirmou que pretende transferir a embaixada do seu país de Tel Aviv para Jerusalém, violando a legalidade internacional e afrontando os palestinos.

O Brasil tornar-se-ia assim o segundo grande país a fazê-lo, depois dos Estados Unidos.

«Como afirmado durante a campanha, pretendemos transferir a Embaixada do Brasil de Tel Aviv para Jerusalém. Israel é um Estado soberano e nós o respeitamos», diz Bolsonaro num post publicado ontem na sua página do Facebook.

Bolsonaro fez declarações similares numa entrevista ao jornal Israel Hayom. «Israel é um país soberano», afirma. «Se vocês decidirem acerca da vossa capital, nós agiremos de acordo com isso.» Bolsonaro acrescentou que Israel pode contar com o voto do Brasil na ONU e insinuou que mudaria o estatuto da embaixada palestina no Brasil: «A Palestina primeiro precisa de ser um país para ter direito a uma embaixada.»

Israel cometeu este domingo um novo crime repugnante na Faixa de Gaza cercada, ao matar três rapazes palestinos num ataque aéreo.

O Ministério da Saúde em Gaza informou que os rapazes mortos são Khaled Bassam Saeed, de 14 anos, Abdul Hamid Abu Zaher, de 13, e Mohammed Ibrahim Al-Sattari, também de 13.

Os militares sionistas alegaram que os três rapazes se aproximaram da vedação com que Israel isola o território palestino e portanto foram alvejados e mortos por um avião militar.

Por outro lado, também no domingo, um outro palestino de Gaza, Yahya Bader al-Hasanat, de 37 anos, sucumbiu aos ferimentos sofridos durante as manifestações de sexta-feira. Eleva-se assim para seis o número de palestinos mortos pelas forças repressivas israelitas nos protestos da 31.ª sexta-feira consecutiva da Grande Marcha do Retorno.

O exército israelita realizou dezenas de ataques aéreos em toda a Faixa de Gaza sitiada na madrugada de sábado, na ofensiva mais intensa desde o Verão. O exército israelita lançou pelo menos 95 ataques aéreos, segundo o jornal israelita Haaretz, alegadamente em resposta a cerca de 34 rockets disparados do enclave palestino para o Sul de Israel, 15 dos quais terão sido interceptados pelo sistema de defesa anti-aérea Iron Dome (Cúpula de Ferro).

A Jihad Islâmica reivindicou a responsabilidade dos rockets disparados na noite de sexta-feira em direção aos colonatos israelitas adjacentes à Faixa de Gaza, afirmando que foram em resposta à matança na sexta-feira de cinco manifestantes pacíficos da Grande Marcha de Retorno pelo exército israelita. «A resistência não aceitará a equação imposta pelo inimigo baseada na matança por parte deles e no silêncio pela nossa parte», afirma em comunicado.

Manifestação junto à vedação de Gaza, 26 de Outubro de 2018. Crédito: Eliyahu Hershkovitz

Cinco manifestantes palestinos foram hoje mortos a tiro por soldados israelitas durante protestos junto à vedação com que Israel encerra a Faixa de Gaza. Mais de 250 manifestantes ficaram feridos, incluindo 35 menores e quatro paramédicos. As forças sionistas dispararam balas reais e balas de aço revestidas de borracha.

Várias dezenas de pessoas também foram afectadas pelo gás lacrimogéneo disparado pelas forças do regime sionista em direcção aos milhares de manifestantes que participavam nos protestos, realizados pela 31.ª semana consecutiva. A manifestação de hoje decorreu sob a palavra de ordem «Gaza não se renderá».

Em 30 de Março os palestinos lançaram a Grande Marcha do Retorno, reunindo-se desarmados ao longo da «zona-tampão» adjacente à vedação instalada por Israel para isolar o território palestino.

Páginas

Subscreva Ocupação, Colonização e Apartheid Israelitas