Refugiados e Deslocados

Na noite de 16 de Setembro de 1982, milícias falangistas libanesas invadiram os campos de refugiados de Sabra e Chatila, nos arredores de Beirute, com a conivência do exército israelita que, desde Junho, ocupava a capital do Líbano. Durante 40 horas levaram a cabo um hediondo massacre de que resultaram numerosas vítimas palestinas, em grande parte mulheres e crianças. Enquanto os falangistas executavam a sua macabra missão, o exército israelita bloqueava as saídas dos campos para evitar a fuga dos refugiados em pânico e, à noite, iluminava o terreno com foguetes luminosos.
O número exacto de vítimas é difícil de determinar pois, além do milhar de corpos enterrados em valas comuns pela Cruz Vermelha, muitas vítimas ficaram soterradas nas casas derrubadas a buldózer pelas milícias e centenas de palestinos foram por elas levados para destino desconhecido de onde nunca regressaram. Uma estimativa credível aponta para 3500 vítimas.
Forças israelitas mataram a tiro um jovem palestino no campo de refugiados de Shufat, em Jerusalém Oriental ocupada, às primeiras horas de segunda-feira, após realizarem uma invasão do campo.
Mustafa Nimir, de 27 anos, morreu após ser alvejado quando viajava num carro conduzido pelo seu cunhado, Ali Tayser Nimir, de 25 anos, que ficou ferido.
Fontes israelitas citadas pela imprensa alegam que no fim de uma «actividade operacional realizada pela Polícia de Israel e pela Polícia de Fronteiras», o carro em que seguiam as duas vítimas tentou atropelar as forças israelitas.
O CPPC organizou na Casa do Alentejo, em Lisboa, no dia 23 de Setembro, uma sessão de solidariedade com os refugiados a nível mundial e de denúncia das causas e reesponsáveis pela tragédia.
Carlos Carvalho, Vice-Presidente do MPPM, foi um dos oradores convidados pelo CPPC para intervir nesta sessão. As intervenções foram de Deolinda Machado (Movimento Erradicar a Pobreza), Lisandra Rodrigues (Juventude Operária Católica), José Goulão (Jornalista) e Sérgio Ribeiro (Conselho Português para a Paz e Cooperação).
Houve ainda intervenções da CGTP-IN e de vários participantes na sessão.
A CGTP-IN promoveu no dia 18 de Setembro,  no Auditório da Escola Profissional Bento de Jesus Caraça, em Lisboa, um debate, muito participado, sobre «A tragédia humanitária no Mediterrâneo e na Europa», sobre a situação dos refugiados e imigrantes, vítimas das guerras, das agressões, da exploração económica.
Participaram neste debate, organizado pela CGTP-IN, as seguintes organizações:
- Conselho Português para os Refugiados
- MPPM- Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente
- Serviço Jesuíta aos Refugiados 
- Comissão Nacional Justiça e Paz
- Obra Católica Portuguesa de Migrações
- Conselho Português para a Paz e Cooperação
Em representação do MPPM interveio Vítor Silva, membro da Direcção Nacional.
O MPPM foi convidado a participar no debate promovido pela Associação Abril e pela Sociedade Portuguesa de Autores que teve lugar no Auditório da SPA no dia 29 de Junho.
Raul Ramires, da Direcção Nacional do MPPM, abordou a questão dos refugiados palestinos, a maior e mais antiga população de refugiados no mundo.
Guadalupe Portelinha, da Associação Abril, moderou o debate em que interveio, também, Cristina Santinho, investigadora na área dos refugiados e direitos humanos.
Os refugiados palestinos constituem um dos grupos de refugiados no mundo mais numerosos e há mais tempo à espera de solução. Estima-se em 7,9 milhões o número de palestinos deslocados, sendo 7, 25 milhões refugiados e os restantes deslocados internamente. Os deslocados internos são palestinos que tiveram que abandonar as suas casas para escapar a ameaças à sua vida, mas transpuseram fronteiras reconhecidas internacionalmente. Estão, portanto, nos territórios palestinos ocupados mas fora do seu local de residência.
O maior grupo de refugiados (que, de acordo com o direito internacional, inclui os seus descendentes directos) resultou da Nakba. Estima-se em 6,1 milhões o número de palestinos – e seus descendentes – que foi forçado a abandonar a sua terra entre 1948 e 1949. Uma segunda vaga de refugiados – estimada em 1,1 milhões – foi gerada pela guerra de 1967. Os restantes resultaram das diversas agressões sionistas.
Neste ano da 2014, proclamado pelas Nações Unidas como Ano Internacional de Solidariedade com o Povo Palestino, a Apordoc – Associação pelo Documentário - acolheu uma proposta do MPPM para assinalar o Dia Mundial do Refugiado com uma sessão do Rossio ("um cineclube informal, irregular e itinerante") dedicada aos refugiados palestinos: porque dois em cada cinco refugiados em todo o mundo são palestinos; porque os refugiados palestinos são os que se encontram há mais tempo nesta situação; porque 7 milhões de palestinos, constituindo três quartos da população, são refugiados ou deslocados.

A história do povo palestino nos últimos 65 anos é uma história de diáspora.
Expulsos das suas casas e das suas terras, refugiados no estrangeiro e estrangeiros na sua pátria, são muitos milhões que anseiam voltar à sua terra natal, que conservam os títulos das suas terras e as chaves das suas casas.
Esta Folha Informativa n.º 8 descreve a limpeza étnica que Israel tem posto em prática sobre o povo palestino, desde o tenebroso Plano Dalet, de 1948, até à nefanda Lei Prawer-Begin, dos nossos dias, para dar lugar à consolidação do estado judaico racista de Israel

A Folha Informativa n.º 4 é dedicada a um tema pouco falado na análise da questão palestina – a expulsão dos cidadãos árabes de Israel das suas casas e das suas terras.
Abordamos o tema em duas vertentes plenas de actualidade: a demolição de casas e consequente destruição da vida familiar, e o plano para a expulsão da população beduína do Negev no que, a concretizar-se, seria a maior limpeza étnica praticada por Israel depois dos anos da Nakba.

Há trinta anos, as Forças Armadas de Israel invadiram o Líbano e ocuparam a capital Beirute. Os ocupantes lançaram milícias libanesas contra os campos de refugiados palestinos e, em Sabra e Shatila, muitas centenas - possivelmente milhares - de palestinos, em grande parte mulheres e crianças, foram massacrados de forma selvagem. Em 16 de Dezembro desse mesmo ano de 1982, a Assembleia Geral da ONU classificou os massacres (sem votos contrários) como um ato de genocídio. Todos os responsáveis pelo massacre permanecem impunes, incluindo Ariel Sharon, então Ministro da Defesa de Israel e supremo comandante militar da invasão do Líbano, e que viria mais tarde a tornar-se Primeiro-Ministro de Israel.

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