Resistência, Política e Sociedade Palestinas

Mais de 30 palestinos ficaram feridos ontem, sexta-feira, quando soldados israelitas reprimiram manifestantes palestinos na Cisjordânia e na Faixa de Gaza na 12.ª «sexta-feira de raiva» para protestar contra a decisão dos EUA de reconhecer Jerusalém como capital de Israel.
As forças israelitas atacaram palestinos que se reuniram em diversos locais da fronteira de Gaza. Vinte e dois manifestantes foram feridos a tiro, enquanto muitos outros sofreram sufocação devido ao gás lacrimogéneo, informou o Ministério da Saúde em Gaza.
Também sexta-feira, pelo menos três palestinos, incluindo um menor, foram feridos a tiro quando forças israelitas reprimiram a manifestação semanal pacífica contra a colonização israelita na aldeia de Kufr Qaddoum, a leste de Qalqilya.
O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, apelou a uma conferência internacional de paz, a realizar em meados de 2018, baseada nas resoluções internacionais e com uma ampla participação internacional, incluindo palestinos e israelitas, mas também actores regionais e internacionais.
Falando no Conselho de Segurança das Nações Unidas na terça-feira 20 de Fevereiro, pela primeira vez desde 2009, Abbas afirmou que entre os resultados da conferência devem incluir-se a aceitação do Estado da Palestina como membro de pleno direito da ONU e o reconhecimento mútuo entre Palestina e Israel nas fronteiras de 1967.
Dezenas de palestinos ficaram feridos durante o dia de hoje em confrontos com tropas israelitas na Margem Ocidental ocupada e na Faixa de Gaza cercada, na 11.ª sexta-feira de protestos contra o reconhecimento pelos Estados Unidos de Jerusalém como capital de Israel.
As forças israelitas usaram balas reais, balas de borracha e grandes quantidades de gás lacrimogéneo para dispersar manifestantes palestinos, havendo a registar 130 manifestantes feridos.
Em Janeiro de 2018 o exército israelita matou deliberadamente, sem justificação, cinco palestinos, quatro dos quais menores, informou o B'Tselem, centro israelita para os direitos humanos nos territórios palestinos ocupados.
Em comunicado publicado no passado dia 8, o B'Tselem relata:
Em 3 de Janeiro de 2018, soldados das forças de ocupação atingiram mortalmente no pescoço Mus'ab a-Sufi, de 16 anos, na aldeia de Deir Nidham, a noroeste de Ramala. Durante o seu funeral, realizado no dia seguinte, 4 de Janeiro, os soldados israelitas atingiram na cabeça Muhammad 'Awad, de 19 anos, da aldeia de 'Abud, deixando-o gravemente ferido.
Em 11 de Janeiro, os soldados mataram Ali Qinu, de 17 anos, com um tiro na cabeça, perto da aldeia de Iraq Burin, a sul de Nablus.
Escolas, clínicas e centros de distribuição de alimentos na Faixa de Gaza cercada estiveram hoje fechados devido a uma greve dos 13.000 empregados da UNRWA, a agência das Nações Unidas de assistência aos refugiados palestinos no Próximo Oriente.
Os empregados palestinos estão indignados com a decisão dos EUA de reduzir a sua contribuição anual para o funcionamento da UNRWA, que tem 278 escolas em Gaza, frequentadas por cerca de 300.000 alunos.
Os palestinos da Margem Ocidental e de Jerusalém Oriental ocupadas e da Faixa de Gaza realizaram ontem uma greve geral, protestando contra a visita a Israel do vice-presidente dos EUA, Mike Pence, e a decisão do seu governo de reconhecer Jerusalém como capital de Israel.
A greve paralisou todos os sectores dos territórios palestinos ocupados, com excepção da educação e da saúde. Lojas, empresas e restaurantes em toda a Margem Ocidental ocupada fecharam, e estradas habitualmente movimentadas ocupadas estavam anormalmente vazias.
Dezenas de jovens palestinos fecharam a estrada que liga Ramala ao Norte da Margem Ocidental e queimaram pneus.
Registou-se forte presença das forças repressivas israelitas em torno de Jerusalém, com bloqueio das principais estradas que conduziam à Cidade Velha, enquanto Pence visitava o Muro das Lamentações, que se encontra em território de Jerusalém Oriental, ocupada por Israel desde 1967.
O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas criticou hoje severamente os chamados esforços de paz no Médio Oriente do presidente estado-unidense Donald Trump. «O acordo do século é a bofetada do século e nós não o aceitaremos», declarou Abbas, referindo-se à promessa de Trump de alcançar o «acordo supremo».
Abbas afirmou que «hoje é o dia em que os acordos de Oslo terminam. Israel matou-os. Somos uma autoridade sem autoridade e uma ocupação sem qualquer custo. Trump ameaça cortar o financiamento da autoridade porque as negociações falharam. Quando diabo é que as negociações começaram?!»
E prosseguiu: «A nossa posição é um Estado palestino nas fronteiras de 67 com capital em Jerusalém Oriental e a aplicação de decisões da comunidade internacional, bem como uma solução justa para os refugiados.»
Nabi Saleh é a aldeia de Ahed Tamimi. É também a aldeia que se tornou conhecido pelos seus protestos pacíficos contra a violência dos habitantes do vizinho colonato de Halamish e o roubo das suas terras, protestos esses que o exército israelita reprime com brutalidade. É ainda a aldeia onde três habitantes foram mortos pelo exército de Israel.
O realizador belga Jan Beddegenoodts apresenta em «Thank God, it’s Friday» («Graças a Deus é Sexta-Feira»), um documentário sobre a vida diária na aldeia palestina de Nabi Saleh e também no vizinho colonato israelita de Halamish.
Thanks God It's Friday
Thanks God It's Friday
Mais de 200 palestinos ficaram ontem feridos na Margem Ocidental ocupada e na Faixa de Gaza cercada, em resultado da repressão das forças de ocupação israelitas aos protestos, pela quarta semana consecutiva, contra a declaração do presidente dos EUA, Donald Trump, de reconhecer Jerusalém como capital de Israel.
Segundo o Crescente Vermelho palestino, mais de 130 palestinos ficaram feridos em confrontos com as forças israelitas na Margem Ocidental: 4 atingidos com balas reais e 45 com balas de metal revestidas de borracha, enquanto 77 foram vítimas da inalação de gás lacrimogéneo.
Na Faixa de Gaza, mais de 50 palestinos foram feridos, a maioria deles com balas reais.
Os confrontos ocorreram após as preces de sexta-feira, em resposta ao apelo de várias facções palestinas para um dia de raiva em resposta à decisão ilegal e unilateral dos Estados Unidos de reconhecer Jerusalém como a capital de Israel e de para aí transferir a sua embaixada.
As forças militares de ocupação israelitas prolongaram hoje a detenção administrativa de Khalida Jarrar por mais seis meses, a quatro dias de expirar o seu período de detenção.
Dirigente da Frente Popular para a Libertação da Palestina, Khalida Jarrar é deputada ao Conselho Legislativo Palestino (parlamento) e presidente da sua Comissão dos Presos, sendo ainda vice-presidente do Addameer, organização de apoio aos presos palestinos.
Khalida Jarrar tinha sido aprisionada por soldados das forças de ocupação na madrugada de 2 de Julho e condenada a seis meses de detenção administrativa, prática de detenção arbitrária, sem julgamento nem culpa formada, que constitui uma grave violação do direito e dos padrões internacionais dos direitos humanos.

Páginas

Subscreva Resistência, Política e Sociedade Palestinas