Resistência, Política e Sociedade Palestinas

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, elogiou as forças repressivas de Israel após o assassínio de 17 palestinos na Faixa de Gaza, a maior matança desde a guerra de agressão contra este território palestino em 2014.
«Parabéns aos nossos soldados», disse Netanyahu. Numa declaração publicada hoje, sábado 31 de Março, agradeceu às suas tropas por «guardarem as fronteiras do país».
Ontem, além dos 17 mortos, mais de 1500 pessoas ficaram feridas, segundo o Ministério da Saúde da Palestina. As forças israelitas dispararam balas reais e balas de aço revestidas de borracha e usaram gás lacrimogéneo contra os manifestantes.
O Exército israelita enviou para a fronteira de Gaza 100 atiradores de elite com autorização para usar munições reais, como parte dos preparativos para reprimir as manifestações palestinas planeadas a partir da próxima sexta-feira.
Os organizadores afirmaram esperar que milhares de pessoas de Gaza, incluindo famílias inteiras, respondam ao apelo para se reunirem em tendas em cinco locais ao longo da fronteira entre o território sitiado e Israel, num protesto de seis semanas pelo direito de retorno dos refugiados palestinos, vítimas da limpeza étnica efectuada por Israel em 1948.
Segundo os organizadores, a marcha permanecerá a 700 metros da vedação fronteiriça com Israel para evitar atritos com as forças israelitas. Um membro do comité organizador declarou ao jornal israelita Haaretz que o objectivo é apresentar o caso dos palestinos ao mundo e não envolver-se em confrontos com o exército israelita.
Rim Banna, representante respeitada da moderna cultura palestina, faleceu hoje, em Nazaré, onde tinha nascido há 51 anos e vivia com os seus três filhos.
Estudou canto e direcção musical no Instituto Superior de Música de Moscovo.
No início dos anos 90 foram populares as suas versões de canções tradicionais infantis que estavam à beira do esquecimento.
Compôs as suas próprias canções e musicou poemas tradicionais palestinos, dando-lhes uma nova vida. As suas canções reflectiam a sua preocupação com o sofrimento do seu povo.
Em 2003 participou no projecto norueguês «Canções de Embalar do Eixo do Mal», com artistas ocidentais e do Médio Oriente, em protesto contra a política de George W. Bush.
O álbum «Espelho da Minha Alma» (2005) foi dedicados a todos os presos políticos palestinos e árabes nas prisões israelitas e inclui canções de desespero e esperança sobre a vida de um povo em luta.
Rim Banna - Ya Sitti
Rim Banna - Ya Sitti
O tribunal militar israelita de Ofer, na Cisjordânia ocupada, condenou hoje Ahed Tamimi a oito meses de prisão e uma multa de 5000 shekels (1370 euros) e sua mãe, Nariman, também a oito meses de prisão e uma multa de 6000 shekels (1400 euros), após um acordo entre a sua advogada e a procuradoria militar.
Ahed Tamimi — uma das 356 crianças e adolescentes palestinos actualmente nas cadeias israelitas — foi presa em 19 de Dezembro pelas forças de ocupação quando tinha apenas 16 anos (completou, entretanto, 17 anos). Foi acusada de esbofetear um soldado israelita que invadiu a casa da sua família na aldeia de Nabi Saleh, perto de Ramala. Pouco antes deste episódio, o seu primo Mohammed, de 15 anos, tinha sido baleado na cabeça por soldados israelitas, ficando em estado muito grave. A mãe, Nariman, foi presa no mesmo dia por filmar o incidente e colocar o vídeo na internet, sendo por isso acusada de «incitamento».
As forças de ocupação israelitas impuseram uma série de brutais medidas de punição colectiva contra a família do suspeito de um alegado ataque por atropelamento ontem, 16 de Março, perto do colonato israelita ilegal de Reihan, no Norte da Cisjordânia ocupada.
No alegado ataque, ocorrido junto a um posto militar na estrada entre os colonatos israelitas de Mevo Dotan e Hermesh, morreram dois soldados israelitas e ficaram feridos outros três, um deles em estado grave.
O alegado atacante, identificado como Ala Rateb Abed al-Latif Kabha, de 26 anos, ficou moderadamente ferido e foi levado sob prisão para o Hospital Hillel Yaffe em Hadera, Israel. Anteriormente tinha estado preso durante 17 meses numa cadeia israelita, tendo sido libertado em Abril passado.
Solidariedade em Palmela 15 Mar 2018
Prosseguindo a sua notável acção de solidariedade com a Palestina, o município de Palmela promoveu hoje mais uma iniciativa, desta vez integrada na 23.ª edição do Março a Partir — Mês da Juventude.
A jornada solidária, organizada pela Câmara Municipal de Palmela e pela Missão Diplomática da Palestina, com o apoio do MPPM, iniciou-se com a inauguração da Exposição «Herança Cultural Palestiniana — História e Luta», que estará patente na Sala de Exposições da Biblioteca Municipal de Palmela até ao dia 26 de Abril.
Seguiu-se uma sessão-debate com alunos do ensino secundário do concelho, em que intervieram a artista plástica Joana Vilaverde, o jornalista José Goulão, o embaixador da Palestina, Nabil Abuznaid, e o presidente da Câmara Municipal de Palmela, Álvaro Amaro. A moderação esteve a cargo de Carlos Almeida, vice-presidente do MPPM.
A coluna em que se deslocava o primeiro-ministro da Autoridade Palestina, Rami Hamdallah, foi hoje atingida por uma explosão na Faixa de Gaza cercada. A explosão provocou vários feridos ligeiros.
O engenho explosivo, que estaria enterrado a dois metros de profundidade, detonou pouco depois de a coluna de carros, em que seguia também o chefe do Serviço Geral de Inteligência da Autoridade Palestina (AP), Majid Faraj, entrar na Faixa de Gaza através o posto de Erez, controlado por Israel. Nem Hamdallah nem Faraj ficaram feridos.
Apesar do atentado, Hamdallah continuou o seu programa na Faixa de Gaza, onde ia inaugurar uma central de dessalinização de água.
Um jovem palestino foi morto hoje, 10 de Março, por forças do exército israelita. Amir Omar Shahada, de 19 anos, foi atingido a tiro no peito na aldeia de Urif, perto da cidade de Nablus, na Cisjordânia ocupada.
O incidente fatal ocorreu depois de um grupo de colonos extremistas do vizinho colonato israelita de Yitzhar invadirem a aldeia, provocando a reacção dos moradores. Pouco depois, dezenas de soldados israelitas invadiram a aldeia para assegurar a retirada dos colonos e começaram a disparar balas reais, balas de aço revestidas de borracha, bombas de gás e granadas de atordoamento contra os palestinos, muitos dos quais ripostaram lançando pedras.
Um rapaz palestino de 14 anos foi também atingido numa perna, e muitos palestinos sofreram os efeitos da inalação de gás lacrimogéneo.
No Dia Internacional da Mulher, o MPPM homenageia a mulher palestina pela mão de dois nomes maiores da sua cultura. O poeta Mahmoud Darwich (1941-2008) traz-nos o poema «À Minha Mãe», que o pintor Ismail Shamout (1930-2006) ilustra com a sua obra «Preparação do Casamento», de 1987.
À MINHA MÃE
Tenho saudades do pão da minha mãe,
Do café da minha mãe,
Do carinho da minha mãe...
Estou a crescer,
De dia para dia,
E amo a vida, porque
Se morresse,
Teria vergonha das lágrimas da minha mãe!
Se um dia voltar, faz de mim
Uma sombrinha para as tuas pálpebras.
Cobre os meus ossos com a erva
Baptizada sob os teus pés inocentes.
Ata-me
Com uma mecha dos teus cabelos,
O parlamento israelita aprovou uma lei que permite ao ministro do Interior revogar o direito de residência de qualquer palestino de Jerusalém por motivo de «violação de lealdade» a Israel. A lei aplica-se a todos os residentes permanentes, quer sejam imigrantes recentes quer sejam residentes de longa data de Jerusalém Oriental.
Apesar de Israel afirmar que Jerusalém Oriental ocupada faz parte da sua capital «eterna e indivisa», os 420.000 palestinos que aí residem possuem cartões de identidade de residência permanente e são tratados como imigrantes estrangeiros pelo governo israelita. De acordo com a nova lei, o Estado israelita pode expulsar qualquer pessoa cujo direito de residência seja retirado.

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