Ocupação, Colonização e Apartheid Israelitas

O jornalista palestino Ahmed Abu Hussein sucumbiu ontem aos ferimentos infligidos por um atirador de elite do exército israelita enquanto cobria as manifestações da «Grande Marcha do Retorno» na Faixa de Gaza cercada.
Ao seu funeral, realizado hoje, 26 de Abril, acorreram centenas de palestinos.
O jornalista foi atingido a tiro na sexta-feira 13 de Abril, vindo a falecer no dia 25 de Abril num hospital israelita, informa o Ministério da Saúde de Gaza.
Abu Hussein foi alvejado por atiradores especiais israelitas, apesar de estar a uma distância de 350 metros da vedação de separação entre a Faixa de Gaza e Israel — superior portanto à distância de 300 metros estabelecida pelo exército de ocupação. Além disso, um vídeo amador mostra que quando foi baleado o jornalista usava um colete de protecção com a palavra «Press» e um capacete marcado com as letras «TV».

A repressão israelita sobre as manifestações da Grande Marcha do Retorno, na Faixa de Gaza cercada, tem sido de uma violência extrema. Os ferimentos por fogo real infligidos a mais de 1700 palestinos no mês passado foram invulgarmente graves, afirmam médicos palestinos e estrangeiros citados por Amira Hass num artigo do diário israelita Haaretz.
Os soldados israelitas mataram 40 palestinos (número fornecido a 23 de Abril pelo Ministério da Saúde de Gaza) e feriram cerca de 5000, 36% dos quais por balas reais, desde 30 de Março, dia do início das manifestações exigindo o direito do retorno às suas casas e terras dos refugiados causados pela limpeza étnica levada a cabo por Israel, 
Médicos do Hospital Shifa de Gaza, citados pela organização Medical Aid for Palestine, com sede em Londres, afirmaram que não viam ferimentos tão graves desde a «Operação Margem Protectora», a guerra lançada por Israel contra a população de Gaza em 2014. 
A Coligação da Flotilha da Liberdade anunciou hoje que o navio Al-Awda (O Retorno) deve partir da Noruega rumo a Gaza no dia 15 de Maio para marcar o 70.º aniversário da Nakba («catástrofe») de 1948.
A embarcação, juntamente com cinco outras, navegará no quadro de uma nova campanha para romper o cerco a Gaza, que será lançada do Norte da Europa sob o lema «por um futuro justo para os palestinos».
A nova campanha pretende elevar o conhecimento público sobre o sofrimento do povo palestino de Gaza, submetido há mais de uma década a um bloqueio injusto e desumano por Israel. 
Segundo dados do final de 2016 do Escritório da ONU para Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), 1,3 milhões de habitantes de Gaza dependiam da ajuda internacional para sobreviver e quase metade das famílias de Gaza não tinha acesso seguro a alimentos.

Manifestações de massas tiveram lugar hoje, 20 de Abril, ao longo da vedação fronteiriça entre a Faixa de Gaza e Israel, pela quarta sexta-feira consecutiva, como parte da «Grande Marcha do Retorno», que teve início em 30 de Março e deve continuar até 15 de Maio.
Segundo informações do Ministério da Saúde em Gaza, às 19h locais as vítimas da repressão das forças israelitas totalizavam quatro mortos palestinos, incluindo um menor, e 729 feridos, incluindo 45 menores. Entre as 305 pessoas hospitalizadas (42 % dos feridos), 156 tinham sido atingidas por balas reais, indicou ainda o Ministério da Saúde. Os prestadores de cuidados de saúde debatem-se com a escassez de recursos para enfrentar o afluxo maciço de vítimas.

Segundo informa o jornal israelita Haaretz, mais de 20.000 pessoas participaram hoje, 19 de Abril, num desfile para assinalar a Nakba («catástrofe», em árabe), a limpeza étnica levada a cabo pelas forças sonistas antes e depois da formação do Estado de Israel, em 1948, e em que mais de 750 000 palestinos foram expulsos das suas casas e das suas terras.
A Associação para a Protecção dos Direitos dos Desalojados organizou o evento pelo 21.º ano consecutivo, coincidindo com as comemorações do «Dia da Independência» de Israel. (A independência de Israel foi proclamada a 14 de Maio de 1948, segundo o calendário gregoriano; porém, em Israel as comemorações ocorrem no dia 5 de Iyar do calendário judaico, que é de base lunissolar, sendo por isso uma data móvel.)

Milhares de palestinos desceram hoje à rua em diversos locais da Cisjordânia e na Faixa de Gaza, marcando o Dia dos Presos Palestinos, que se assinala anualmente a 17 de Abril.
Em Ramala, centenas de pessoas, incluindo famílias de presos, desfilaram em direcção ao posto de controlo militar (checkpoint) israelita a norte da cidade, onde soldados das forças de ocupação dispararam balas de borracha, gás lacrimogéneo e granadas atordoantes contra os manifestantes.
Protestos e manifestações similares ocorreram nas cidades de Nablus, Jenin, Belém, Hebron, Tulkarem e Qalqilya, na Cisjordânia, e também na Cidade de Gaza, onde os participantes se reuniram em frente ao escritório da Cruz Vermelha exigindo a intervenção da agência humanitária internacional para garantir que os seus filhos e filhas presos nas cadeias israelitas são tratados de acordo com o direito internacional. Os manifestantes empunhavam fotos de seus filhos e filhas presos, reclamando a sua libertação.

Artigo publicado no jornal israelita Haaretz em 3 de Abril de 2018
 
Na Faixa de Gaza, Israel mostra-se no seu pior. Esta afirmação não diminui de forma nenhuma a maldade, tanto deliberada como acidental, que caracteriza a sua política em relação aos outros palestinos — em Israel e na Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental. Também não diminui os horrores dos seus ataques de vingança (também conhecidos por operações de represália) na Cisjordânia antes de 1967 ou dos seus ataques contra civis no Líbano.
No entanto, em Gaza, Israel supera a sua maldade habitual. Aí em particular faz com que soldados, comandantes, burocratas e civis exibam comportamentos e traços de carácter que em qualquer outro contexto seriam considerados sádicos e criminosos ou, na melhor das hipóteses, inadequados a uma sociedade civilizada.

As forças de ocupação israelitas mataram um palestino e feriram 968 outros durante durante a repressão dos protestos da Grande Marcha do Retorno ocorridos hoje, 13 de Abril, na Faixa de Gaza cercada.
Os soldados israelitas dispararam tiros e granadas de gás lacrimogéneo contra os manifestantes, causando a morte de Islam Herzallah, de 28 anos. Entre os feridos incluem-se 17 jornalistas e equipas médicas. Dos 968 palestinos feridos, 419 foram evacuados para o hospital, sendo 233 vítimas de balas reais e 13 de balas de borracha.
Nas duas anteriores semanas de protestos quase 1300 palestinos já tinham sido feridos a tiro por soldados israelitas, segundo uma contagem realizada pelo Ministério da Saúde de Gaza. Outros 1554 foram tratados devido à inalação de gás lacrimogéneo ou ferimentos por balas de aço revestidas de borracha. Além disso, 34 palestinos foram mortos durante este período.

Dois palestinos alvejados pelas forças israelitas na Faixa de Gaza ocupada sofreram a amputação de uma das pernas porque as autoridades de Israel negaram a sua transferência para um hospital da Cisjordânia.
As autoridades israelitas referiram explicitamente a participação dos dois jovens nos recentes protestos da Grande Marcha do Retorno como a razão pela qual o pedido foi rejeitado.
Segundo um comunicado do Adalah (Centro Jurídico pelos Direitos da Minoria Árabe em Israel), Yousef Karnaz, de 20 anos, e Mohammad Al-'Ajouri, de 17, foram feridos a tiro por atiradores de elite israelitas em 30 de Março, o primeiro dia da Grande Marcha do Retorno.
O Hospital Shifa de Gaza, «que não tinha meios para salvar as pernas dos feridos», encaminhou-os para o Hospital Al Istishari, em Ramala, no dia 1 de Abril, e no mesmo dia foi entregue aos militares israelitas um pedido de saída de Gaza e transferência para Ramala.
Forças israelitas demoliram uma escola primária palestina no distrito de Hebron, no sul da Cisjordânia ocupada. Na noite de segunda-feira, 9 de Abril, as forças israelitas invadiram a pequena comunidade beduína de Zanouta e destruíram a escola, construída com blocos de cimento e placas de zinco.
A escola tinha sido inaugurada em 26 de Março, juntamente com outras seis escolas na zona, construídas para possibilitar a educação de crianças das comunidades vulneráveis da área. A estrutura agora demolida tinha seis salas de aula e servia  43 crianças em idade escolar, incluindo 10 no jardim de infância.
Apesar da demolição, as crianças apareceram na escola na terça-feira, debaixo de chuva. Os professores deram aulas no chão da estrutura.
O Ministério da Educação palestino condenou a destruição da escola, descrevendo-a como «um novo crime contra instituições educativas».

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