Vitória: Ahmad Zahran termina greve da fome ao fim de 114 dias

Ao 114.º dia, o preso palestino Ahmad Zahran anunciou nesta segunda-feira, 13 de Janeiro, a vitória na sua heróica greve da fome contra a sua detenção administrativa por Israel.

Na segunda-feira à noite, Zahran telefonou à sua família (durante os quase quatro meses de greve de fome tinham-lhe sido negadas as visitas e telefonemas familiares) do hospital Kaplan, para onde foi transferido devido à grave deterioração do seu estado de saúde, informando que tinha chegado a um acordo com os serviços prisionais israelitas e que a sua detenção administrativa não seria renovada e terminaria em 25 de Fevereiro de 2020.

Esta foi a segunda greve de fome que Ahmad Zahran realizou durante a sua detenção administrativa, que dura desde Março de 2019. A greve da fome anterior durou 39 dias e terminou após lhe ser prometida a libertação; a promessa foi violada e a sua detenção administrativa foi renovada.

Zahran, que é casado e pai de quatro filhos, já anteriormente tinha passado quase 15 anos nas prisões israelitas.

A greve da fome de Zahran foi acompanhada pela solidariedade de vários companheiros de prisão palestinos, incluindo uma greve da fome de 16 dias de Jamil Ankoush e de uma outra de 5 dias, fora da prisão, da ex-presa Sumoud Karajeh. Dezenas de presos da Frente Popular para a Libertação da Palestina, enfrentando o isolamento e a repressão, realizaram uma série de greves da fome rotativas e de protestos para exigir a liberdade de Zahran.

Segundo um comunicado da Frente Popular para a Libertação da Palestina, o acordo que permitiu o fim da greve da fome surgiu após intensas negociações entre o Shin Bet (polícia de informações israelita) e a direcção do ramo prisional da FPLP.

Saudando a vitória alcançada pelo seu dirigente Ahmad Zahran, a FPLP apela ao prosseguimento da luta pelo fim do regime de detenção administrativa e pela libertação dos presos palestinos.

Zahran é um dos cerca de 460 palestinos mantidos em regime de detenção administrativa, de um total de cerca de 5000 presos políticos palestinos nos cárceres de Israel.

As ordens de detenção administrativa foram um dos instrumentos introduzidos na Palestina pelas autoridades coloniais britânicas no tempo Mandato, sendo depois adoptadas pelo regime sionista. São emitidas por um comandante militar israelita, sem qualquer intervenção judicial, uma vez que os territórios palestinos se encontram sujeitos a regime militar desde a sua ocupação em 1967.

A cada ordem de detenção administrativa os detidos podem ficar presos até seis meses, sem acusação nem julgamento, sendo as ordens indefinidamente renováveis. Assim, os palestinos podem passar anos encarcerados ao abrigo da detenção administrativa.

O fim do odioso regime da detenção administrativa é uma grande reivindicação do movimento dos presos palestinos.

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