Muitas centenas manifestam solidariedade com a Palestina e condenação de Israel e Estados Unidos no Largo de Camões em Lisboa
Mais de cinco centenas de pessoas reuniram-se esta tarde, no Largo de Camões, em Lisboa, em resposta a um apelo lançado pelo CPPC, pela CGTP-IN, pelo MDM e pelo MPPM, a que se associaram mais de 50 outras organizações e acima de uma centena de subscritores individuais. Falaram, em nome das organizações primeiras promotoras, Filipe Ferreira (CPPC), Ana Souto (MDM), Carlos Almeida (MPPM) e Arménio Carlos (CGTP-IN). Houve sentida manifestação de solidariedade com a heróica resistência do povo palestino e uma veemente condenação da decisão da administração americana pela decisão de reconhecer Jerusalém como capital de Israel e par aí transferir a sua embaixada. Causou vivo repúdio a realização dos festejos de inauguração da embaixada ao mesmo tempo que o exército israelita continua a assassinar manifestantes palestinos desarmados. Só no dia de hoje, já se tinham registado mais de 50 mortos e acima de dois milhares de feridos.Transcrevemos o texto do apelo e a lista de organizações e individualidade subscritoras:Basta de crimes! Não à provocação de Trump!Liberdade para a Palestina!Paz no Médio Oriente!No próximo dia 15 de Maio assinalam-se os 70 anos da Nakba – a «catástrofe», como a designa o povo palestino. Numa campanha premeditada, que acompanhou o processo de criação de Israel em 1948, as milícias sionistas destruíram mais de 500 aldeias, cometeram inúmeros massacres e expulsaram das suas casas cerca de 750.000 palestinos.Os massacres cometidos pelas forças armadas de Israel desde o dia 30 de Março último, Dia da Terra, para reprimir violentamente as dezenas de milhares de palestinos que se têm manifestado pacificamente na Grande Marcha do Retorno, matando dezenas pessoas e ferindo milhares, é prova eloquente que, setenta anos volvidos, a Nakba não terminou.É inaceitável e ultrajante que os Estados Unidos da América, pela voz do seu Presidente, Donald Trump, tenham decidido reconhecer Jerusalém como capital de Israel e transferir para aí a sua embaixada, precisamente quando se assinalam os 70 anos dessa Catástrofe. Trata-se de uma decisão que viola a legalidade internacional, encoraja os crimes da ocupação e colonização dos territórios palestinos e premeia a sistemática violação por Israel, desde há mais de sete décadas, do direito internacional e das resoluções da ONU.Milhões de refugiados palestinos constituem hoje a mais antiga e numerosa população de refugiados do mundo. Vivem espalhados pelos Estados vizinhos e pelo mundo inteiro, e também nos territórios palestinos ocupados, e continuam a não ver reconhecido o seu direito ao regresso ou a uma justa compensação. Israel desenvolve desde a sua criação uma política visando a limpeza étnica da Palestina e o apagar da presença palestina em todos os domínios da realidade social. Exemplo disso são a política de demolições e expulsões em Jerusalém Oriental, e na Cisjordânia ocupadas, ou visando as comunidades beduínas, bem como a incessante política de construção ilegal de colonatos sionistas em território palestino. Há actualmente mais de 600.000 colonos israelitas a viver em colonatos na Cisjordânia e Jerusalém Oriental ocupadas, todos eles ilegais à luz do direito internacional.Os palestinos cidadãos de Israel, descendentes da minoria que permaneceu após a limpeza étnica de 1948, e que constituem 20% da população, estão hoje sujeitos a dezenas de leis discriminatórias. Israel não é «a única democracia do Médio Oriente», como proclama, é antes um Estado de confessional e segregacionista.Persiste, desde 1967, a brutal ocupação militar por Israel dos territórios palestinos da Cisjordânia, Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental, que o direito internacional não reconhece e condena. Continua a construção do ignominioso Muro do apartheid, considerado ilegal pelo Tribunal Internacional de Justiça. O território da Cisjordânia está cada vez mais fragmentado pelo Muro, os checkpoints, as infra-estruturas e o sistema viário para uso exclusivo dos colonatos.Israel sujeita os palestinos a humilhações quotidianas e a uma repressão brutal, traduzida em mais de 850 000 presos e milhares de mortos, nomeadamente nas repetidas agressões contra a população da Faixa de Gaza, submetida, desde 2006, a um criminoso bloqueio e que se encontra à beira da catástrofe humanitária.A realidade evidente é que Israel rejeita a solução de dois Estados, israelita e palestino, vivendo lado a lado em paz e segurança, solução reiterada em inúmeras resoluções da ONU e que reúne consenso na comunidade internacional. Em vez disso, Israel avança a passos largos para o reconhecimento formal da anexação, há muito efectiva, do território palestino ocupado da Cisjordânia, e para a consumação do seu projecto de sempre: a ocupação de toda Palestina por um Estado sionista, do Mediterrâneo até ao Jordão.A aliança estratégica dos Estados Unidos com Israel traduz-se também no corte drástico do contributo dos Estados Unidos para a UNRWA, a agência da ONU que presta serviços indispensáveis a milhões de refugiados palestinos, e para a Autoridade Palestina.Israel é, ainda, um foco de guerra permanente no Médio Oriente, a mais rica região do planeta em termos de recursos energéticos e alvo permanente da cobiça das potências imperialistas. As últimas guerras testemunham a ingerência israelita na guerra da Síria, e são públicas as ameaças de ataque militar ao Irão.No 70.º aniversário da Nakba, vamos:- condenar a política de colonização, limpeza étnica, ocupação e repressão, praticada por Israel contra o povo palestino desde há 70 anos;- exigir a paz no Médio Oriente, pondo fim às catástrofes geradas pelas guerras deste último quarto de século;- protestar contra o reconhecimento pelos Estados Unidos de Jerusalém como capital de Israel e a transferência para aí da sua embaixada;- reclamar do Governo Português que, nos fóruns em que participa, defenda o direito internacional e as resoluções da ONU respeitantes à Palestina e que reconheça formalmente o Estado da Palestina com capital em Jerusalém Oriental.- manifestar a nossa solidariedade com a justa luta do povo palestino pelos seus inalienáveis direitos nacionais, pela edificação do Estado da Palestina livre, independente, soberano e viável nas fronteiras anteriores a 1967, com capital em Jerusalém Oriental, e uma solução justa para a situação dos refugiados palestinos, nos termos do direito internacional e das resoluções pertinentes das Nações Unidas.Organizações subscritoras:A Voz do OperárioAssociação Água PúblicaAssociação Conquistas da RevoluçãoAssociação de Amizade Portugal-CubaAssociação Intervenção DemocráticaAssociação Os Pioneiros de PortugalAssociação Portuguesa de Amizade e Cooperação Iúri GagárinAssociação Portuguesa de DeficientesAssociação Portuguesa de Juristas DemocratasAssociação Projecto RuídoCentro Cultura IntercidadeColectivo Andorinha – Frente Democrática Brasileira de LisboaConfederação Geral dos Trabalhadores Portugueses – Intersindical NacionalConfederação Nacional de AgriculturaConfederação Nacional de Jovens Agricultores e Desenvolvimento RuralConfederação Nacional de Reformados Pensionistas e IdososConfederação Portuguesa das Colectividades de Cultura, Recreio e DesportoConselho Português para a Paz e CooperaçãoCooperativa Cultural Popular BarreirenseEcolojovem - «Os Verdes»Federação dos Sindicatos da Agricultura, Alimentação, Bebidas, Hotelaria e Turismo de PortugalFederação dos Sindicatos dos Transportes e ComunicaçõesFederação Intersindical das Indústrias Metalúrgicas, Químicas, Eléctricas, Farmacêutica, Celulose, Papel, Gráfica, Imprensa, Energia e MinasFederação Nacional dos ProfessoresFederação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e SociaisFederação Portuguesa dos Sindicatos da Construção, Cerâmica e VidroFederação Portuguesa dos Sindicatos do Comércio, Escritórios e ServiçosFrente Anti-RacistaInter-ReformadosInterjovemJuventude Comunista PortuguesaMovimento Democrático de MulheresMovimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio OrienteSindicato de Trabalhadores das Empresas do Grupo Caixa geral de DepósitosSindicato dos Enfermeiros PortuguesesSindicato dos Professores da Grande LisboaSindicato dos Professores da Região CentroSindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários e Urbanos de PortugalSindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de PortugalSindicato dos Trabalhadores do Município de LisboaSindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Local e Regional, Empresas Públicas, Concessionárias e AfinsSindicato Nacional dos Trabalhadores do Sector FerroviárioUnião de Resistentes Antifascistas PortuguesesUnião dos Sindicatos da MadeiraUnião dos Sindicatos de AveiroUnião dos Sindicatos de CoimbraUnião dos Sindicatos de LisboaUnião dos Sindicatos de SetúbalUnião dos Sindicatos do Distrito de LeiriaUnião dos Sindicatos do Distrito de SantarémUnião dos Sindicatos do Norte AlentejanoUnião Sindical de Torres Vedras,Cadaval,Lourinhã e Sobral de Monte AgraçoUniversidade Popular do PortoEsta iniciativa conta ainda com o apoio de várias figuras públicas, que juntam a sua voz à solidariedade com a Palestina e à denúncia da provocação da Administração norte-americana:Adel Sidarus - professor universitárioAlain Vachier – produtor musicalAlex Cortez – músico e programador musicalAmador Clemente, bancárioAmérico Jones – professorAmérico Madeira Bárbara - embaixador aposentadoAna Gouveia – professoraAna Lúcia Rodrigues - professora do ensino superiorAna Vilela da Costa – actrizAndré Albuquerque – actorAndré Levy – biológo e actorAntónio Lara Cardoso – comandante da marinhaArménio Carlos – secretário geral da CGTP-INAugusto Flôr – antropólogo e dirigente associativoAvelino Gonçalves – sindicalista bancárioBárbara Carvalho - investigadoraBeat Laden (Bruno Lobato) – produtor musicalBruno Dias - presidente do grupo parlamentar de amizade Portugal-PalestinaCarlos Almeida - historiador, vice-presidente do MPPMCarlos Seixas – director do Festival Músicas do mundo de SinesCátia Terrinca – actrizCelina da Piedade – músicoCláudia Dias – bailarinaCláudio Torres - director do Campo Arqueológico de Mértola, Prémio PessoaCristina Cruzeiro – nvestigadora, professora do ensino superiorDeolinda Machado – dirigente sindical e da Liga Operária CatólicaDomingos Folque Guimarães – empresárioDuarte – fadistaDuarte Rolo – professor do ensino superiorEduardo Afonso Dias - designer industrial, professor jubilado e doutorado Honoris Causa pela FAULElsa Dias – bioquímicaFátima Rolo Duarte – designerFélix Magalhães - técnico de som/vídeoFernando Correia – professor universitárioFernando José Pereira - artista plástico, professor do ensino superiorFilipa Malva – cenógrafaFlak – músicoFrederico Carvalho – cientistaHelena Casqueiro – juristaHernâni Faustino – músicoHernâni Mergulhão – professor do ensino superiorIgor Gandra - director do FIMP (Festival Internacional de Marionetas do Porto)Ilda Figueiredo – presidente da direcção nacional do CPPCInês Beleza Barreiros – investigadora e guionistaIsaac Achega – músicoIsabel Allegro de Magalhães – professora do ensino superiorIsilda Sanches – locutora de rádioJoão Cruz - professor do ensino superiorJorge Cadima - professor universitárioJorge Figueiredo - editor de resistir.infoJorge Palma – músicoJorge Pé-Curto - escultorJosé António Gomes - escritor, professor do ensino superiorJosé António Silva - artista plásticoJosé Baptista Alves – coronel, presidente da Associação Conquistas da RevoluçãoJosé Goulão – jornalistaJosé Moz Carrapa – músicoKaras - actor e encenadorLuís Alfaro Cardoso – investigadorLuís Urbano – produtor de cinemaLuis Varatojo - músicoMadalena Santos – jurista, presidente da Associação Portuguesa de Juristas DemocratasManuel Begonha – capitão de mar e guerraManuel Freire – cantor e compositorManuel Gantes - artista plástico, professor do ensino superiorManuel Gusmão – escritor e professor do ensino superiorManuel Jorge Veloso – crítico musicalMaria Anadon – músicoMaria do Céu Guerra – presidente da direcção nacional do MPPMMaria Santos – bibliotecáriaMarília Villaverde Cabral - coordenadora da URAPMário Pádua - médicoMarta Mateus – cineastaMitó – músicoNuno Pedrosa – artista plástico e investigadorNuno Pinhão – investigadorNuno Ramos de Almeida – jornalistaOctávio Augusto Teixeira – economistaPaulo Mota – sociólogoPedro André Bahia – músicoPedro Salvador – músicoPedro Saraiva - professor catedráticoPedro Saraiva – engenheiroRaquel Bulha – locutora de rádioRegina Marques – direcção nacional do MDMRibeiro Cardoso - jornalistaRita Namorado – professora e pianistaRui Albuquerque - professor do ensino superiorRui Namorado Rosa – professor do ensino superiorRui Portulez – locutor de rádioSandra Lourenço – investigadoraSebastião Antunes – músicoSérgio Dias Branco – professor universitário e investigadorSérgio Machado Letria - programador culturalTeresa Carvalho - artista plásticaTiago Salazar – escritorTiago Santos – músicoTomás Maia - artista plástico, professor do ensino superiorVasco Lourenço - coronelVictor Marques - engenheiroVictor Silva – professor do ensino superiorVítor Pinto – engenheiro electrotécnicoZeferino Coelho – editor