MPPM assinala Dia da Nakba com sessão muito participada

Sessão Nakba 24Mai2022

A jornalista palestina Shireen Abu Akleh, morta no exercício da sua actividade profissional e uma das mais recentes vítimas da acção criminosa do exército israelita, não podia deixar de ser evocada na sessão pública com que o MPPM assinalou o dia da Nakba.

Na terça-feira, 24 de Maio, na Casa do Alentejo, em Lisboa, recordou-se que o povo palestino continua a enfrentar diariamente agressões, expropriações e expulsões que se mantêm desde a limpeza étnica que acompanhou a criação do Estado de Israel em 14 de Maio de 1948. E para que não esqueça, 15 de Maio é consagrado como o Dia da Nakba, a Catástrofe.

Na sessão moderada por António Delgado Fonseca, militar de Abril, e membro da Direcção. Nacional do MPPM, falou primeiro o jornalista José Goulão que denunciou o flagrante contraste entre a forma como as potências ocidentais e a comunidade internacional lidam com certos conflitos, nomeadamente a guerra na Ucrânia, e ignoram a violenta ocupação da Palestina por Israel.

Giulia Daniele, Investigadora no Centro de Estudos Internacionais do ISCTE, focou-se na caracterização, de forma sustentada, de Israel como um «estado de apartheid».

Hindi Mesleh é um palestino residente em Portugal há cinco anos. Pela sua experiência de vida, testemunhou que a Nakba não terminou em 1949, ela continua nos dias de hoje. Só que, como notou Delgado Fonseca, à fase explosiva de 1947-49, opõe-se agora uma forma mais insidiosa, menos visível, mas não menos destruidora.

Falou, por fim, Carlos Almeida, Investigador do Centro de História da FLUL e Vice-Presidente do MPPM. Considerou que a impressionante manifestação popular no funeral de Shireen Abu Aleh é a prova de que, em 74 anos de Nakba, a resistência palestina não cedeu e o sionismo não venceu. Para ele, Shireen, com as suas reportagens, reflectia duas das linhas e força da resistência palestina: a luta contra o esquecimento e a luta contra o silenciamento.

Houve ainda uma intervenção vinda da assistência. Augusto Praça corroborou o que tinha sido dito, com um testemunho da sua vivência nas visitas que fez à Palestina enquanto dirigente sindical.

Finalizou-se a sessão com um apelo para que se reforce a solidariedade com o povo palestino, nomeadamente subscrevendo a Iniciativa Cidadã Europeia que pretende pôr termo ao comércio com os colonatos ilegais e que pode ser assinada aqui: https://stopsettlements.org/portuguese/
 

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