Knesset de Israel aprova lei que permite expulsar deputados. Alvo são deputados palestinos da Lista Conjunta

O parlamento de Israel, o Knesset, aprovou na passada lei terça-feira à noite uma lei que permite a expulsão de deputados. A chamada «lei de suspensão», que passou com 62 votos a favor e 45 contra, estipula que as razões para a destituição são «incitar à violência ou ao racismo, apoiar o conflito armado contra Israel ou rejeitar Israel como um Estado judaico e democrático». Na realidade, a lei visa os deputados da Lista Conjunta, coligação de partidos palestinos e da esquerda não sionista em Israel.A lei foi criticada pela Associação para os Direitos Civis em Israel (ACRI) como «uma das propostas legislativas mais graves dos últimos anos, que atenta contra os pilares da democracia — o direito à liberdade de expressão, o direito de votar e de ser eleito e o direito de representação».O Adalah (Centro Jurídico para os Direitos das Minorias Árabes em Israel) afirmou que a lei representa «um grave perigo para os direitos democráticos básicos» e visa expulsar do Knesset os deputados árabes «que 'ousam' afastar-se dos limites que lhes são ditados pela maioria israelita judaica».Por seu lado, o deputado Yousef Jabareen, da Lista Conjunta, declarou: «Aqueles que apoiam esta lei procuram desfazer-se dos deputados árabes para os silenciar e às opiniões que acham intoleráveis. É uma afronta não somente aos deputados que podem ter de enfrentar a expulsão dos seus lugares, mas igualmente aos seus eleitores. Esta medida invalida dezenas de milhares de votos legitimamente expressos.»Citado pelo jornal israelita Haaretz, o presidente da Lista Conjunta, Ayman Odeh, disse que a lei é apenas a fase a mais recente do objectivo maior de Netanyahu de silenciar a oposição e a desaprovação de Israel pelos palestinos. «Netanyahu não quer que os árabes votem; não quer que sejamos uma força política legítima. Netanyahu quer a política somente para os judeus. É por isso incita sistematicamente contra o público árabe e contra os seus representantes eleitos.»

Quarta, 20 de Julho de 2016 - 00:00