Comemorações Populares do 25 de Abril

A Comissão Promotora das Comemorações Populares do 25 de Abril, que o MPPM integra, deliberou retomar a realização do desfile na Avenida da Liberdade, em Lisboa, em moldes adequados à situação sanitária que nos condiciona e com regras acordadas com a Direcção Geral de Saúde.

O desfile decorrerá entre o Marquês de Pombal e os Restauradores, com início às 15 horas ddo dia 25,  e está limitado a representantes das organizações integrantes da Comissão Promotora.

A Comissão Promotora apela a outras iniciativas propiciadoras de uma alargada homenagem ao 25 de Abril.

APELO À PARTICIPAÇÃO

Comemoramos 47 anos da Revolução de Abril - o heróico levantamento militar do Movimento das Forças Armadas, logo seguido por um amplo levantamento popular, que pôs fim a 48 longos anos de obscurantismo e ditadura fascista e a 13 anos de uma guerra colonial que vitimou milhares de jovens portugueses e dos povos irmãos africanos.

Mais do que uma data, o 25 de Abril assinala o início de um processo revolucionário protagonizado pelo povo e pelos militares progressistas que realizou profundas transformações e conquistas democráticas no nosso país – conquistaram-se liberdades e garantias, direitos políticos, económicos, sociais e culturais, afirmaram-se a soberania e a independência nacionais, que foram consagrados na Constituição da República Portuguesa, que este ano celebra o 45º aniversário.

É preciso cumprir Abril.

Para cumprir Abril é preciso impedir que sejam os trabalhadores e as pessoas mais vulneráveis a serem as principais vítimas das nefastas consequências económicas e sociais da crise provocada pela pandemia do COVID19 e, é preciso continuar a combater políticas de retrocesso como a precarização das relações de trabalho e o aumento da exploração dos trabalhadores, a manutenção dos baixos salários e pensões, o ataque aos serviços públicos e às funções sociais do Estado que devem ser garantidos de forma universal, não deixando de defender o interesse nacional na política externa.

Para cumprir Abril, temos de ultrapassar as dificuldades do momento que vivemos não recuando na reposição e aumento de rendimentos e salários, na estabilidade laboral, no reforço dos serviços públicos, na garantia do direito à educação e à saúde, na garantia do acesso à criação e fruição cultural, nos direitos das famílias.

A calamidade que enfrentamos evidencia, uma vez mais, o valor inestimável do Serviço Nacional de Saúde como eixo estruturante do regime democrático, só possível graças à Revolução de Abril e que importa defender e reforçar, cumprindo-nos dirigir uma sentida e justa saudação a todos os profissionais de saúde pela sua abnegada dedicação à causa pública, tantas vezes com risco para a própria vida.

É hoje necessário reforçar o Serviço Nacional de Saúde, em meios humanos e técnicos, é necessário reforçar a estrutura de saúde pública, assegurando a interrupção das cadeias de contágio por via da testagem massiva, é necessária uma vacinação rápida de todos os portugueses, concretizando o direito à saúde, plasmado na Constituição que saiu da Revolução de Abril.

Neste momento, em que enfrentamos tão difícil crise, reafirmamos que para cumprir Abril se impõe continuar a lutar para acabar com múltiplas discriminações e injustiças sociais, ainda existentes, e que a pobreza, a desigualdade entre homens e mulheres, a homofobia e transfobia, o desrespeito dos direitos humanos das pessoas com deficiência, a xenofobia e o racismo têm de ser combatidos e expurgados da nossa sociedade!

Face ao recrudescimento de expressões reacionárias, de cariz racista, fascista e anti-democrático, como democratas e progressistas, afirmamos que estamos unidos na afirmação de que os valores de Abril estão bem presentes na história, na identidade de Portugal e dos portugueses e tudo faremos para combater ideias e acções que ataquem Abril.

Comemorar Abril é convergir na defesa dos valores de Abril, na defesa da liberdade, da democracia, da reposição e conquista de direitos e rendimentos, do desenvolvimento de políticas para uma mais justa distribuição da riqueza, da construção de uma sociedade inclusiva, caminho que só é possível ultrapassando os constrangimentos impostos a um desenvolvimento nacional sustentável e soberano.

Comemorar Abril é convergir para cumprir valores da cooperação, da Paz, da solidariedade, da não ingerência e pela solução pacífica dos conflitos internacionais, afirmando a concepção universalista do Povo Português de amizade com todos os povos do mundo, e em particular, com os povos de língua oficial portuguesa.

No sentido de propiciar uma alargada homenagem ao 25 de Abril e tendo em conta os condicionamentos provocados pela complexa situação sanitária que vivemos, apelamos:

• Aos órgãos de comunicação social, Rádios e Televisões que, às 18 horas do dia 25 de Abril (hora da rendição de Marcelo Caetano em 1974), transmitam a “Grândola, Vila Morena”, seguida do Hino Nacional.

• A todas(os) as(os) cidadãs(os), onde quer que estejam, às mesmas 18 horas, suspendam os trabalhos (com excepção dos que o não possam fazer, nomeadamente os que estejam a prestar serviços de saúde) e cantem a “Grândola, Vila Morena”, seguida do Hino Nacional.

• Às e aos que estiverem em casa, provavelmente a maioria, que às mesmas 18 horas, venham às janelas e às varandas e cantem a “Grândola, Vila Morena”, seguida do Hino Nacional.

COMISSÃO PROMOTORA

• Associação 25 de Abril (A25A)
• Associação Abril
• Associação de Aposentados, Pensionistas e Reformados (APRE!)
• Associação Conquistas da Revolução (ACR)
• Associação de Combate à Precariedade - Precários Inflexíveis (PI)
• Associação de Exilados Políticos Portugueses (AEP 61-74)
• Associação Intervenção Democrática (ID)
• Associação José Afonso (AJA)
• Associação “Os Pioneiros de Portugal”
• Associação Política de Renovação Comunista
• Associação Portuguesa de Deficientes (APD)
• Associação Portuguesa de Juristas Democratas
• Associação Projecto Ruído
• Bloco de Esquerda (BE)
• Comissão Coordenadora das Comissões de Trabalhadores da Região de Lisboa (CIL)
• Comissão da Juventude da UGT
• Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses - Intersindical Nacional (CGTP-IN)
• Confederação Nacional de Organizações das Pessoas com Deficiência (CNOD)
• Confederação Nacional de Reformados, Pensionistas e Idosos (MURPI)
• Confederação Portuguesa das Colectividades de Cultura, Recreio e Desporto (CPCCRD)
• Conselho Nacional da Juventude (CNJ)
• Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC)
• Ecolojovem “Os Verdes”
• Frente Anti-Racista (FAR)
• lnterjovem-CGTP
• Jovens do Bloco
• Juventude Comunista Portuguesa (JCP)
• Juventude Socialista (JS)
• LIVRE
• Manifesto em Defesa da Cultura
• Movimento Alternativa Socialista (MAS)
• Movimento Cívico Liberdade e Democracia (MICLeD)
• Movimento Cívico “Não Apaguem A Memória!” (NAM)
• Movimento Democrático de Mulheres (MDM)
• Movimento dos Utentes de Serviços Públicos (MUSP)
• Movimento Pelos Direitos do Povo Palestino e Pela Paz no Médio-Oriente (MPPM)
• Partido Comunista Português (PCP)
• Partido Ecologista “Os Verdes” (PEV)
• Partido Socialista (PS)
• União Geral dos Trabalhadores (UGT)
• União dos Resistentes Antifascistas Portugueses (URAP)

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