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[27 Mai 2009]

 

PALESTINA: DIÁLOGO COM JORNALISTAS NA ESCOLA SUPERIOR DE COMUNICAÇÃO SOCIAL

Com a colaboração da respectiva Associação de Estudantes e o apoio da Direcção da Escola, o MPPM levou a cabo, no dia 27 de Maio de 2009, na Escola Superior de Comunicação Social, em Lisboa, um Encontro com os Jornalistas José Manuel Rosendo, da Antena 1 e RTP, e Patrícia Fonseca, da revista Visão.

Diálogo com Jornalistas na Escola Superior de Comunicação Social em 27 de Maio de 2009Bruno Reizinho, da Associação de Estudantes, destacou o interesse da iniciativa para os todos quantos trabalham na Escola por permitir o acesso a informações que não fazem parte do conteúdo habitual dos noticiários. A Professora Filipa Subtil, que dirigiu a sessão e moderou o debate, também referiu a expectativa de que esta iniciativa possa contribuir para um melhor conhecimento de uma realidade que tem acompanhado todas as nossas vidas. 

 

Carlos Almeida, que recordou que a primeira visita de Yasser Arafat à Europa foi a Portugal, em 1979, apresentou o MPPM como um movimento cívico que veio suprir a falta de uma organização portuguesa expressamente dedicada à questão palestina. Enfatizou a importância do conhecimento do quotidiano do povo palestino para compreender o sofrimento, as humilhações e a violência de que é vítima, por ser uma informação que, normalmente, está afastada dos órgãos de comunicação que só despertam quando há erupções de violência. Citou alguns exemplos: uma vasta área de uma aldeia palestina foi confiscada para o alargamento de dois colonatos; uma criança morreu enquanto aguardava transporte para um hospital, tornando-se na 337ª vítima da burocracia que Israel impõe ao povo sitiado de Gaza para ter acesso a cuidados médicos no exterior; ou o cancelamento, pela polícia israelita de um Festival Cultural patrocinada pela Unesco e pelo British Council em Jerusalém Oriental. A finalizar, esquematizou a história recente da Palestina em torno de algumas datas-chave.
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[21 Mai 2009]

HISTÓRIA E CULTURA DA PALESTINA EM VILA FRANCA DE XIRA

Numa organização conjunta do MPPM e da Cooperativa Alves Redol realizou-se, no passado dia 21 de Maio, nas instalações do Clube Vilafranquense, uma concorrida sessão pública em que foi evocada a vida e obra do poeta palestino Mahmud Darwich e se falou da história e da luta do povo da Palestina.

Arlindo Gouveia, Presidente da Cooperativa Alves Redol, enunciou os três objectivos que presidiram à realização desta sessão: cultural,Sessão em Vila Franca de Xira informativo e de solidariedade com “o povo oprimido, humilhado e maltratado da Palestina”. Porque, afirmou, “Vila Franca tem tradição de solidariedade com os mais desfavorecidos, e a solidariedade também tem que ser internacionalista”.

Júlio de Magalhães, investigador em assuntos árabes e membro da Direcção do MPPM, traçou a biografia de Mahmud Darwich, desde o seu nascimento, na Galileia em 1941, até ao seu falecimento, nos Estados Unidos, em 2008. Apresentou Darwich como uma das três grandes figuras da cultura palestina do séc. XX, juntamente com o pintor Ismaïl Shamut e o académico Edward Said. Mahmud Darwich, poeta, ensaísta, prosador, jornalista e político, combatente da resistência palestina ao longo de toda a sua vida foi, para Júlio de Magalhães, “a consciência do povo palestino”. Na segunda parte da sua intervenção passou em revista os oito períodos da obra literária de Mahmud Darwich.

Paulo Rato ilustrou a intervenção de Júlio de Magalhães com a leitura dos poemas “Bilhete de Identidade”, “O Morto nº 18”, “Estrangeiro em Terra Distante”, “A Terra É Estreita Para Nós”, “O Mural” (excertos) e “À Minha Mãe”.

José Manuel Goulão, jornalista e escritor e membro da Comissão Executiva do MPPM, situou a sua intervenção entre dois momentos históricos: em 1922, a Palestina ficou sob Mandato Britânico “até que os Palestinianos estivessem em condições de se governar”; recentemente, em Washington, Benjamin Netanyahu rejeita a possibilidade de criação de um Estado Palestiniano porque “os palestinianos não estão em condições de se governar”. Entre um momento e outro, ocorreu uma verdadeira limpeza ética na Palestina, “porque os Palestinianos não se sabem governar”. Abordou em seguida o fenómeno – que diz ser muito ignorado – da colonização por Israel dos territórios ocupados na sequência da Guerra dos Seis Dias, em 1967: Gaza, Cisjordânia e Jerusalém Oriental. Recordou que as Convenções de Genebra estipulam que os territórios ocupados numa guerra, não podem ser objecto de alterações demográficas por parte da potência ocupante. Mas, os colonatos que Israel tem vindo a construir nos territórios ocupados, bem como todas as estruturas que os rodeiam, com a destruição de casas e culturas, inviabilizam o modo de vida das populações dos territórios ocupados, promovendo a sua expulsão e substituição pelos colonos judeus.

Paulo Rato, Júlio de Magalhães, José Manuel Goulão e Arlindo Gouveia em Vila Franca de XiraEvocou, de seguida, o papel relevante que Yasser Arafat teve na unificação da resistência palestiniana e a forma como soube manter-se independente das mais diversas influências, até à sua morte, em condições tornadas ainda mais suspeitas depois de vir a público o plano Dagan, dos serviços secretos israelitas, em que estava previsto o seu assassinato bem como uma série de outras ocorrências, que se verificaram ao detalhe. Os ataques ao Líbano, em 1982, com os massacres da Sabra e Shatila e a quase total destruição de Beirute Ocidental, acordaram algumas consciências israelitas, como é testemunhado no filme “A Valsa com Bashir”. A grande força da “revolta das pedras” (a Intifada), iniciada em 1987, em Gaza e depois alargada à Cisjordânia, por sua vez, terá convencido Itzahk Rabin da necessidade de negociar, levando-o a assinar os Acordos de Oslo, mas criando, com isso, na direita israelita mais radical, o ambiente que levou ao seu assassinato.

Considera Goulão que, na sua visita aos Estados Unidos, Natanyahu colocou Obama entre a espada e a parede: enquanto Obama pretende a construção do Estado palestiniano como forma de atrair os países árabes para uma frente contra o Irão, Netanyahu insiste que a prioridade é combater o Irão e que, aos palestinianos, basta melhorar a sua condição económica, relegando a construção do Estado para segunda prioridade. Para Goulão, a política de facto consumado praticada por Israel, com a expansão dos colonatos, a destruição de casas, a construção do Muro, tudo isso torna a vida nos territórios um inferno e inviabiliza a construção do estado palestiniano enquanto a comunidade internacional vai falando de acordos de Paz. O que se passa na Palestina, em que Israel é considerado um farol da democracia no Médio Oriente, ao mesmo tempo que a comunidade internacional se recusa a aceitar o resultado de eleições consideradas legítimas por todos os observadores internacionais, só porque não deram o resultado esperado, é, para José Manuel Goulão, “a forma suprema da hipocrisia, a hipocrisia sangrenta

Para saber mais sobre Mahmud Darwich:

Mahmud Darwich: A Vida e a Obra

Mahmud Darwich: Um Testemunho Pessoal

Mahmud Darwich – Poeta e Resistente

Para saber mais sobre a História da Palestina:

Cronologia de História da Palestina

[Vítor Pinto]

 
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[14 Abr 2009]

COLÓQUIO "A PALESTINA NA PRIMEIRA PESSOA"

 

Patrícia Fonseca, José Manuel Rosendo, Maria do Céu Guerra, Lumena Raposo e Carlos AlmeidaO MPPM promoveu, em 14 de Abril de 2009, no Teatro Cinearte / A Barraca, a realização de um Colóquio subordinado ao tema "A Palestina na Primeira Pessoa", para o qual convidou três jornalistas para darem o seu testemunho pessoal sobre a situação na Palestina. Porque, como justificou Carlos Almeida na sua nota introdutória, "a agenda mediática portuguesa atinge o paroxismo nos períodos de violência máxima mas é de um silêncio esquálido no resto do tempo". "Quem noticiou hoje", pergunta-se "a situação das famílias palestinas que receberam ordem do exército de Israel para abandonar as suas casas em Jerusalém Oriental; ou a morte de duas mulheres, feridas no ataque a Gaza, que morreram porque Israel não permitiu que fossem evacuadas para hospitais fora da Faixa onde poderiam ser tratadas; ou a vandalização do cemitério de Hebron por colonos israelitas?". Mas não é possível compreender o que se passa na região sem conhecer o dia-a-dia dos palestinos.

Esta nota viria a ser reforçada por José Manuel Rosendo, jornalista da Antena 1, ao confessar a sua dificuldade em transmitir o que considera ser a verdadeira violência: "O conflito, o atentado, a explosão é o que chega às notícias, geralmente em plano fechado; mas a verdadeira violência está no dia-a-dia do povo palestino e isso é difícil de fazer chegar às pessoas. O que se passa com o Muro, serpenteando entre as aldeias palestinas, é difícil de entender por qualquer mente civilizada". Referiu, por exemplo, a forma ostensiva como os horários de abertura do Muro são desfasados dos da escola das crianças, obrigando-as a longas esperas nos percursos de ida e vinda da escola. 

Maria do Céu Guerra, que moderou o colóquio, referiu a sua experiência de uma anterior visita à Palestina, no aniversário da primeira Intifada, onde já era patente a violência física e psicológica exercida sobre os palestinos, com o acesso limitado aos hospitais com medo de serem controlados e perderem o trabalho, com os controlos intermináveis nos check-points. "Vi acabar o apartheid, vi acabar a guerra do Vietname, vi acabar a guerra de África, mas não vejo o fim da guerra israelo-árabe, melhor, da agressão de Israel contra os árabes" - desabafou, para deixar uma questão: "Continua a ser legítimo que Israel ainda esteja nas Nações unidas, com tanto desrespeito pelas suas deliberações, com tanta violação do direito internacional?" 
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