Home Ocupação Israelita Embaixador Mufeed Shami no 65º aniversário da Nakba
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Intervenção do Embaixador Mufeed Shami na comemoração dos 65 anos da Nakba organizada pelo MPPM (*)

nakba 65 anos - embaixador mufeed shamiExcelências, Senhoras e Senhores,

Estendo os meus melhores cumprimentos e profundos agradecimentos a todos, pela vossa participação na comemoração dos 65 anos da Nakba, quer através das mensagens transmitidas nesta ocasião quer pela vossa presença nesta comemoração anual, expressando a vossa solidariedade para com o povo palestiniano e suas aspirações quanto à obtenção dos seus direitos legítimos à autodeterminação, terminando com a ocupação israelita e conseguindo a independência de um estado soberano nas fronteiras de 4 de Junho de 1967, com Jerusalém Oriental como sua capital.

Apreciamos extremamente os esforços e iniciativas do MPPM, destinados a apoiar a Palestina e o povo palestiniano, influenciado a política pública em relação à Palestina através da implementação das resoluções das Nações Unidas, relembrando à comunidade internacional que a questão da Palestina começou em 1948 com a Nakba, uma tragédia que persiste há 65 anos e que provocou o deslocamento de mais de metade do nosso povo, que continua a sofrer os seus efeitos, quer seja sob a ocupação quer seja nos campos de refugiados e na diáspora.

A afronta contra o nosso povo em 1948 não tem igual na História moderna das populações e das nações, gerada através de uma falsa divisa adoptada pelo Movimento Sionista - uma terra sem povo para um povo sem terra – que desenraizou a nossa população das nossas cidades e aldeias, numa tentativa de apagar o nome da Palestina do mapa mundial.

Este apoio ilimitado a Israel pelas superpotências levou à convicção de que Israel está acima da Lei e que o destino dos palestinianos está entregue ao tempo: onde os idosos morrerão e os jovens irão esquecer. Consequentemente, o nome dos palestinianos tornou-se sinónimo de refugiados. Desde então que o mundo tem desconsiderado os direitos dos palestinianos, sendo que o que estava a nosso favor foi ignorado e Israel foi aceite como membro das Nações Unidas.

Contudo, a geração da Nakba, desde o ano de 1948, e apesar do sofrimento daqueles que ficaram na sua terra natal ou tornaram-se refugiados na sua própria terra ou fora desta, continuam a sua luta para devolver a Palestina ao mapa mundial, tendo atravessado várias fases que se acumulam na direcção da Independência da Palestina.

A Primeira Fase foi marcada pela Nakba (Dia da Catástrofe), na qual mais de 700.000 palestinianos foram deslocados, enquanto as suas cidades e aldeias eram destruídas, após a declaração da independência de Israel em 1948. Muitos palestinianos fugiram, sujeitos ao ataque militar pelas forças de Israel, outros fugiram por medo a novos massacres, como na aldeia de Deir Yassin e de outras cidades. Fugiram deixando para trás muitas das suas posses, agarrando-se às chaves dos seus lares, com a esperança de poder regressar um dia. A Nakba marcou também a perda dos direitos políticos, tornando-se numa causa humanitária de 1948 a 1964.

A Segunda Fase assinala-se pelo restabelecimento da Identidade Palestiniana, através de uma luta armada e pelo estabelecimento da OLP – Organização para a Libertação da Palestina – como a protectora de todas as organizações palestinianas e do seu governo no exílio entre 1964 e 1987.

A Terceira Fase ficou marcada pelo começo da Primeira Intifada, a Resistência através de meios pacíficos, desde 1987 até 1993, forçando Israel a reconhecer a OLP como legítima e única representante dos palestinianos em todo o mundo.

A Quarta Fase distinguiu-se pela assinatura dos Acordos de Oslo entre 1993 e 2000, baseados num mútuo reconhecimento entre Israel e a OLP, que transformou a causa palestiniana de política/histórica em geográfica, significando por isso a criação de uma base para um estado palestiniano e da construção de uma nação.

A Quinta Fase de 2000 a 2005 destaca-se pelo início da Segunda Intifada, devido à negação de Israel dos direitos dos palestinianos, e pela recusa da implementação do acordo entre as duas partes.

A Sexta Fase, que se iniciou em 2005 e que se estende até ao presente, está marcada pela construção de instituições estatais, juntamente com a resistência popular, usando todo o tipo de meios pacíficos contra a ocupação e práticas de Israel, através da solidariedade internacional e da frente diplomática, de acordo com a legitimidade internacional. 2012 assinalou o começo do reconhecimento internacional e a mudança das regras do conflito, alterando-se o estatuto de terras disputadas para o de país ocupado, procurando a independência.

Contudo, isto não teria sido possível sem a solidariedade internacional e o apoio de pessoas independentes como vós, que se solidarizaram connosco e mantiveram-se firmes contra as práticas ilegais impostas aos palestinianos. Não desistiram em influenciar os decisores políticos em Portugal, traduzindo-se essa influência no voto afirmativo para o reconhecimento do estatuto da Palestina como Estado Observador da ONU e para que os colonatos, incluindo os de Jerusalém Oriental, fossem considerados ilegais sob a lei internacional, bem como um obstáculo à paz.

Neste dia afirmamos que somos uma população apegada à nossa terra e que assim permaneceremos. Temos fé que todas as pessoas com consciência neste mundo e todos aqueles que respeitam a Carta das Nações Unidas apoiarão e contribuirão para a possibilidade do nosso povo alcançar a independência dentro de um estado soberano e livre. Esse estado será um estado democrático e pluralista, no qual não existirá discriminação de religião ou etnia, um estado pacífico que apenas quer viver em paz e segurança ao lado de Israel e do resto dos países da região, mesmo depois de volvidos 65 anos desde a Nakba.

Viva a Palestina

(*) Sessão realizada no dia 15 de Maio de 2013 na Biblioteca Museu República e Resistência - Espaço Grandella

 
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