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SEMINÁRIO INTERNACIONAL SOBRE A CATÁSTROFE HUMANITÁRIA EM GAZA E OS CRESCENTES PERIGOS DA ACTUAL SITUAÇÃO NOS TERRITÓRIOS PALESTINOS E NA REGIÃO

 

Seminário Internacional sobre a Catástrofe Humanitária em GazaPromovido pelo MPPM – Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente, realizou-se no passado dia 14 de Fevereiro, no Hotel Holiday Inn, em Lisboa, um Seminário Internacional sobre a Catástrofe Humanitária em Gaza e os Perigos da Actual Situação na Região.

Esta iniciativa contou com as intervenções de Michael Kingsley, director executivo da UNRWA (Agência das Nações Unidas para a Assistência aos Refugiados Palestinos no Médio Oriente), com sede em Gaza, Pierre Galand, antigo senador socialista belga e presidente da Coordenação Europeia das Organizações de Apoio à Palestina, Miguel Urbano Rodrigues, escritor e jornalista, Francisco Assis, deputado socialista ao Parlamento Europeu, Silas Cerqueira, coordenador do MPPM e Mussa Abunaim, ministro conselheiro da Delegação Geral da Palestina em Lisboa, em representação da embaixadora Randa Nabulsi, que se encontrava doente. 

O Seminário contou com a presença de mais de 150 pessoas, entre as quais os representantes diplomáticos da Arábia Saudita, Egipto, Irão, Líbia e Tunísia.

Miguel Urbano Rodrigues referiu-se aos problemas globais da região e à sua participação no recente Fórum Internacional de Beirute. Salientou a necessidade de uma solidariedade internacional com o povo palestino em face da barbárie israelita.

Francisco Assis focou quatro aspectos: a importância da solidariedade com a Palestina, a manutenção da esperança no processo de paz, a convicção de que a eleição de Obama alterará o papel dos EUA na tentativa da resolução do conflito israelo-palestino e a necessidade de uma intervenção da União Europeia para pressionar Israel.

Silas Cerqueira apontou como causa do conflito a natureza colonialista do Estado de Israel, um último colonialismo do século XXI que não tem o direito de existir. Frisou que os dirigentes israelitas se enganaram nesta guerra contra Gaza, pois não contavam com a resistência do Hamas: não conseguiram derrubar o Hamas e não puseram termo ao lançamento de morteiros. Afirmou que o colonialismo pode ser derrotado ou pela resistência ou pela negociação, ou por ambas, como tentava Yasser Arafat, que foi assassinado. Concluiu, dizendo que não se pode desligar o colonialismo israelita do imperialismo ocidental, especialmente norte-americano.

Michael Kingsley começou por apresentar um documentário vídeo sobre a destruição de Gaza, forneceu informações sobre a UNRWA, relatou os acontecimentos no terreno e discorreu sobre o que podemos e devemos fazer. Considerou cinco condições essenciais para se retomarem as negociações: 1) O cessar-fogo; 2) A abertura das fronteiras; 3) O restabelecimento da actividade comercial e industrial; 4) A investigação sobre a forma dos ataques e a instauração de processos quanto aos crimes de guerra; 5) A necessidade de reconciliação das duas facções palestinianas.

Pierre Galand referiu a decisão da União Europeia, em Dezembro passado, de elevar o grau das suas relações com Israel, resolução entretanto congelada devido à invasão de Gaza. Alertou para que a Europa não se transforme numa ONG humanitária que pague os custos de reconstrução de tudo o que Israel vai sistematicamente destruindo nos territórios palestinos. Nunca a União Europeia pediu contas a Israel pela destruição de todas as estruturas que foram erguidas com o dinheiro dos contribuintes europeus. Notou que o problema da Palestina é o mais antigo conflito do planeta e que sem a sua resolução não haverá paz no Médio Oriente nem mesmo no Mundo. Referiu também um episódio curioso: a estátua de Godofredo de Bulhão (primeiro soberano do Reino Latino de Jerusalém, embora não tivesse usado o título de rei) que se encontra em Bruxelas (Godofredo nasceu num território que faz parte da actual Bélgica) tem no pedestal uma inscrição dizendo que o mesmo morreu em Jerusalém, na Palestina. Ora as autoridades israelitas têm feito as maiores diligências para apagar do pedestal a referência à Palestina, embora sem êxito.

Notou Pierre Galand que a fim de satisfazer as pretensões de Israel a União Europeia chega a violar os seus próprios regulamentos, refugiando-se sistematicamente por detrás da equidistância, com a cumplicidade dos americanos, para desculpar a política de Israel. Disse que se a Carta do Hamas não reconhece o Estado de Israel também a Carta do Likud não aceita que seja criado um Estado Palestino. Referiu ainda que os bancos dos países ocidentais financiam a construção de colonatos na Cisjordânia, que Israel funciona como o porta-aviões do Ocidente no Mediterrâneo e que um grande impulsionador da adesão israelita à NATO é o presidente do Clube de Bidelberg, o visconde Étienne d’Avignon, de nacionalidade belga. Por fim, referiu que em 4 de Março próximo (seguindo o exemplo do Tribunal Russell para os crimes de guerra no Vietname) será constituído o Tribunal Russell para a Palestina que terá comissões de apoio em diversos países.

A concluir as intervenções, Mussa Abunaim, em nome da Delegação Geral da Palestina, agradeceu a realização desta iniciativa do MPPM e disse que nada teria a acrescentar, já que os oradores precedentes tinham abordado todos os grandes problemas que neste momento o povo palestino enfrenta.

Seguiu-se um período em que a assistência colocou questões aos membros da Mesa, tendo o Seminário sido orientado pelos co-presidentes do MPPM, Isabel Allegro de Magalhães e Mário Ruivo.

[Júlio de Magalhães]

 

 
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