Home Liberdade para Gaza Intervenção do MPPM na concentração de 02 Jun 10
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O POVO PALESTINO TEM DIREITO A VIVER EM PAZ NA SUA TERRA!

 

Saudação às organizações que convocam esta concentração, e a todos os presentes, expressando o nosso desejo em aprofundar relações e intensificar a acção, em favor do reforço de um movimento de opinião pública solidário com o povo da Palestina que seja amplo, democrático e cada vez mais vivo e actuante.

 

Faltam palavras para descrever a ignomínia. A cada crime, a cada chacina, pensamos, queremos acreditar, que se atingiu o limite do insuportável. Depois, a maioria da opinião pública acomoda-se, embalada no vai e vem paralisante do espectáculo mediático. Mas, de repente, eis de novo o sobressalto: os gritos e o sangue, a violência mais brutal e indiscriminada, executada de forma fria, calculada e profissional. E também as mentiras, os sofismas, a histeria irracional dos que sustentam esta insaciável máquina de morte, as meias-verdades daqueles, como os Estados Unidos, a União Europeia e Governo Português, que mais ou menos envergonhados, dissimulam, sob piedosos lamentos, a sua cumplicidade objectiva com a repressão. Sobre a dor e o sofrimento de um povo que mantém viva a esperança, rechaçando cada investida com uma inigualável nobreza e coragem, as falsidades, o cinismo e a hipocrisia podem ser tão cortantes como as balas e os canhões. A esses, apetece perguntar-lhes, como o grande Mahmud Darwich, "Senhoras e senhores de bom coração, a terra dos homens é, como afirmais, para todos os homens?"

 

O governo do Estado de Israel mobiliza, hoje, batalhões de juristas em todo o mundo para sustentar a tese de que a faixa de Gaza não é, desde a retirada do seu exército, em 2005, um território ocupado. Se os bombardeamentos de 2008 sobre a população de Gaza não bastassem para revelar a falsidade de tais artifícios, o assalto ao comboio de ajuda humanitária ocorrido na madrugada da passada segunda feira aí estaria para o sublinhar de forma concludente. Não é apenas porque foi realizado em águas internacionais que esse acto é um crime. Ele constitui uma violação grosseira do direito e da legalidade internacional porque ao Estado de Israel não assiste nenhum direito de patrulhar o mar fronteiro a Gaza e, menos ainda, impedir que qualquer embarcação aí circule. Tratou-se, sobretudo, de um acto de pirataria executado em defesa de um bloqueio férreo e desumano imposto desde há cerca de três anos com o único objectivo de submeter, pela fome, a doença e as privações, a população daquele território E nesse contexto, o assalto à Frota da Liberdade, por sangrento que seja, longe de ser um acto isolado é apenas mais uma operação militar, como os bombardeamentos, as incursões nos campos de refugiados, as prisões, os assassinatos e as torturas, o afundamento das embarcações de pesca, ou a destruição dos campos de cultivo que, todos os dias, sob silêncio sufocante dos grandes meios de comunicação, se abate sobre os homens, mulheres e crianças que ali vivem.

 

E é por eles que aqui estamos. Foi por eles que centenas de activistas, a quem aqui saudamos, desafiaram a arrogância de Israel e se lançaram ao mar com comida, medicamentos, e tudo o mais que é necessário para socorrer aquela terra sitiada. É com eles, ao seu lado, que dizemos basta. Que tem que haver um limite para a impunidade e o arbítrio, que se, como clamava o poeta, a terra dos homens é mesmo para todos os homens, então o povo palestino tem direito a viver em paz na sua terra, que as crianças têm direito a brincar em segurança nas areias brancas das suas praias, a visitar os seus irmãos e amigos, em Jenin, em Hebron em Qalqylia ou em Jerusalém, a abraçar os parentes que, lá longe, amontoados em campos de refugiados, esperam que lhes seja feita justiça, que os homens e as mulheres têm direito a cultivar os seus laranjais, a produzir o seu azeite, a fabricar os seus tecidos, a viver, em suma, em liberdade, num Estado independente e viável, democrático e soberano.

 

Viva a solidariedade internacional!

Viva a luta do povo palestino!

 

[Intervenção de Carlos Almeida, em representação do MPPM, na concentração frente à Embaixada de Israel, em 2 de Junho 2010, convocada por dezenas de organizações democráticas para protestar contra o ataque à "Frota da Liberdade"]

 

 

 
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