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NOTA SOBRE O FILME “INTERVENÇÃO DIVINA”

 

Júlio de Magalhães

 

INTERVENÇÃO DIVINA

(Yadon ilaheyya)

Realização e argumento: Elia Suleiman

Duração: 92 min

Data: 2002

Locais de filmagem: Jerusalém Oriental. Nazaré (Israel) e França

Língua: Árabe

Intérpretes principais: Elia Suleiman, Manal Khader, Nayef Fahum Daher

Produção: Humbert Balsan

Prémio do Júri e Prémio da Crítica Internacional do Festival de Cannes, 2002

 

Elia Suleiman nasceu em Nazaré (cidade palestina hoje integrada em Israel), em 28 de Julho de 1960. Em 1977 partiu para Londres, onde estudou e trabalhou num restaurante. Entre 1981 e 1993 viveu em Nova Iorque, onde realizou curtas-metragens. Em 1994, estabeleceu-se em Jerusalém e começou a ensinar na Universidade de Birzeit (próximo de Ramallah). Vive actualmente em Paris.

 

Filmografia:

- Introduction to the End of an Argument (1990)

- Harb el Khalij… wa baad (A Guerra do Golfo… e depois?) (1993) – Em colaboração com outros realizadores

- Chronicle of a Disappearance (1996)

- War and Peace in Vesoul (1997)

- Cyber Palestine (1999)

- Yadon ilaheyya (Intervenção Divina) (2002)

- Chacun son cinéma ou Ce petit coup au cœur quand la lumière s’éteint et que le film commence (2007)

- The Time That Remains (2009) – Em produção

 

Intervenção Divina é um conjunto de pequenas histórias que retratam, de forma sarcástica ou dramática, o quotidiano dos palestinos a viver sob ocupação israelita. Oscilando entre o realismo e a fantasia, entre o literal e o simbólico, cultivando a ironia e denunciando a violência (gratuita) a que os árabes são submetidos em Israel e nos territórios ocupados, Suleiman dá-nos um retrato do absurdo da vida dos seus compatriotas.

Descrevendo as relações de proximidade entre habitantes da sua terra natal (Nazaré), introduzindo a questão da partilha da propriedade entre vizinhos, Suleiman reinventa a história do seu país e das suas várias fronteiras aqui transportadas à escala das ruas da cidade.

O par central do filme, um palestino de Jerusalém e uma palestina de Ramallah, atendendo aos constrangimentos fronteiriços impostos pelo ocupante, vêem-se na necessidade de marcar os seus encontros num parque de estacionamento, junto a um posto de controlo do exército israelita. É, aliás, desse local que o protagonista lança o balão vermelho com o rosto de Arafat, que subirá no horizonte, atravessando a linha de fronteira (perante o olhar incrédulo e indignado dos soldados, que encaram mesmo a hipótese de o abater) e indo finalmente pousar no cimo da Cúpula do Rochedo, lugar sagrado dos muçulmanos em Jerusalém.

Exemplar, é a cena da guerrilheira Ninja que se eleva nos céus, indemne às balas do comando israelita, balas que se disporão à volta da sua cabeça como uma coroa de espinhos.

Crónica de amor e sofrimento, como lhe chamou o autor, este filme mostra-nos que existe a possibilidade de “passar para o outro lado”, que o humor (e o amor) existe mesmo em situações desesperadas e em espaços fechados e que troçar de si mesmo, como faz Suleiman, não deixa de ser um exercício salutar e até uma atitude revolucionária. Intervenção Divina não é um filme panfletário anti-israelita (como poderia ser o filme de um realizador palestino), mas é seguramente um filme anti-ocupação israelita, onde não há ódio contra o povo israelita, mas onde se denuncia firmemente a agressão diariamente sofrida pelos palestinos há mais de meio século.

 

O filme “Intervenção Divina foi exibido no dia 25 de Novembro de 2008 no Cine-Teatro Cinearte / A Barraca, integrado na Semana da Palestina promovida pelo MPPM.

Júlio de Magalhães é Investigador de assuntos Árabes e Islâmicos e membro da Direcção Nacional do MPPM

 

 
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