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COM UM PRATO DE HUMMUS...

 

Carlos Silva

 

Sra. Embaixadora da Palestina em Portugal, Randa Nabulsi

Caros amigos

 

Antes de mais, começo por agradecer à equipe da Embaixada da Palestina em Portugal, pela confecção deste magnifico repasto, agradecendo a presença de todos, e também expressando um agradecimento especial ao Grupo Sportivo Adicense, à sua Direcção e todos os colaboradores.

Assistimos passados 61 anos à continuação da ocupação, da repressão, de Israel contra os direitos legítimos do povo palestino.

Em 1948 Israel espezinhou a resolução 181 da ONU, da partilha em dois Estados, um judeu e outro árabe. É essa data que o MPPM, nesta Semana da Palestina, está a assinalar com um conjunto de iniciativas.

Em 1948 Israel proclamou a independência em 78% do território e expulsou pela guerra centenas de milhares de palestinos.

Em 1967 ocupou os restantes territórios: Jerusalém Oriental, Cisjordânia, Faixa de Gaza e outros territórios árabes

Israel, em violação sistemática do direito internacional e das resoluções das Nações Unidas continua impune:

Na Cisjordânia, com 2,3 milhões de habitantes, 250.000 colonos israelitas controlam 40 % do território e as melhores terras agrícolas,

Continuam as anexações em Jerusalém Oriental e na Cisjordânia,

Continua um cerco terrestre marítimo e aéreo por Israel à Faixa de Gaza, após ter anunciado com muita pompa a retirada unilateral de Gaza, que se vê assim transformada na maior prisão do mundo, onde 1.500.000 de habitantes estão ameaçados na sua sobrevivência.

Continuam a rejeitar a negociação do direito ao regresso dos refugiados palestinos dos quais mais de um milhão vivem em campos miseráveis na região, em contínuo desrespeito pela decisão 194 da ONU.

Carlos Silva no Jantar Palestino em 21 de Novembro de 2008Nos últimos 15 anos fracassaram todas as conferências, reuniões, processos de paz, quando se chega à questão decisiva da retirada israelita dos territórios ocupados e do estabelecimento de um Estado palestino independente e soberano nos mesmos territórios de 1967.

Israel continua impune, em conluio e com o apoio da comunidade internacional, com os EUA à cabeça, com a Europa rendida, Portugal incluído, e até com a passividade do mundo árabe.

O que continua a prevalecer nesta politica de conluio entre os EUA e Israel é eliminação dos palestinos enquanto povo.

A Europa continua sem política, sem uma posição e atitude firme ao lado do povo palestino

A Europa enquanto apoia financeiramente a Palestina, assiste impávida e serena, por exemplo a destruição por ataques aéreos e pelo exército de Israel de instalações e infra-estruturas que foram executados com fundos da comunidade europeia.

A Europa apoia financeiramente a construção de uma central térmica, mas não repudia, não condena o bloqueio a Gaza, que impede que o combustível para o seu funcionamento possa chegar.

A comunidade política internacional e o seu expoente máximo – os EUA -, têm dois pesos e duas atitudes diferentes.

Intervêm nos assuntos de outros Estados, provocam guerras, argumentando razões políticas quando as razões fundamentais são económicas – o petróleo e a ambição de dominarem o mundo.

Ao longo dos anos foram utilizados argumentos e mais argumentos sempre para adiarem a solução:

Argumentaram, que a OLP não reconhecia Israel

Argumentaram com o problema de Jerusalém

Mais recentemente, argumentaram que quem ganhou as eleições, na Palestina, o Hamas, não é uma força democrática (mas que foi eleita em eleições que eles próprios provocaram e incentivaram),

Antes do Hamas, estava no governo a Fatah, e a situação foi idêntica.

Negociações, negociações sem soluções

São utilizados também os argumentos dos ataques suicidas, (que também condenamos), mas não nos podemos deixar afastar do aspecto fundamental, que levam a estes actos de desespero, não podemos afastar-nos de que o principal responsável de tudo isto é Israel, que pratica o terrorismo de estado com um exército dos melhores do mundo, detentor de armas nucleares (pese embora a derrota da guerra que lhes foi infringida no Líbano em 2006).

 

Caros amigos,

É natural que alguns perguntem: porquê um movimento em Portugal de apoio a causa do povo palestino?Jantar Palestino, no Grupo Sportivo Adicense, em 21 de Novembro de 2008

O MPPM surge porque está ameaçada a sobrevivência dos palestinos enquanto povo.

A fundação do MPPM surge, quando em 2004, começou a construir-se o “muro de Sharon”. O muro, com 670 km, originou a criação de uma espécie de guetos ou bantustões de triste memória, sem acesso natural aos que foram os seus vizinhos e familiares de sempre e até mesmo dos terrenos que cultivavam.

A construção do muro de um novo apartheid, teve uma expressiva sentença condenatória do tribunal internacional de Haia, em 2004, com a decisão aprovada por 14 votos contra um do juiz norte-americano.

Unimo-nos no MPPM pessoas de diferentes opiniões políticas e religiosas, na continuidade de múltiplas iniciativas de solidariedade com o povo palestino que tiveram lugar no nosso país, para congregar esforços na consolidação de uma estrutura organizativa consagrada a questão da Palestina.

Fazemo-lo para, como movimento específico, dar mais força à divulgação da situação na Palestina, e apelar aos órgãos de soberania em Portugal para que tenham uma atitude consentânea com a Constituição portuguesa, com as decisões das Nações Unidas.

O MPPM surge para combater e denunciar essas campanhas de manipulação da opinião pública sem precedentes, cada vez mais sofisticadas.

A verdade é que utilizam e manipulam através dos media uma sistemática campanha contra a verdade inquestionável dos factos e reconhecida pelas Nações Unidas, no imediato após a ocupação dos judeus dos territórios palestinos em 1948 – há 61 anos – o direito à criação de um Estado palestino.

Nesta campanha de diversão chegámos a ouvir recentemente o ridículo da afirmação de Bush, dizendo que até ao final do ano a Palestina seria independente.

O que Bush quereria dizer (mas por outras palavras) era que pretendia impor um “Estado” palestino falhado à partida, sem soberania, assente em alguns enclaves isolados e cercados.

O MPPM surge assim porque não nos resignamos, e não esquecemos que, tudo que o mundo progressista conseguiu para a humanidade, foi através da luta solidária dos povos.

A descolonização mundial, a independência da África do Sul e a forma como foi alcançada, o exemplo de Timor contra a poderosíssima Indonésia, entre muitas outras.

Não podemos deixar no esquecimento este assunto cuja resolução pode e irá contribuir para uma paz duradoura em todo o Médio Oriente.

Os mais cépticos dirão que não compreendem o que se passa, a divisão das forças políticas, a corrupção, o terrorismo, são assuntos que suscitam, incompreensões, receios, duvidas.

Pensamos que as soluções têm que passar pela unidade de todas as forças da Palestina, para a implantação de um estado soberano e independente que todo o povo ambiciona.

No nosso movimento, é este o apelo que fazemos a todas as forças políticas na Palestina.

Também no MPPM, existem opiniões diferentes sobre a situação naquela região, mas congregamos vontades, opiniões políticas e religiosas, na criação do Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente.

Assim, apelamos a todos os presentes (que ainda não o tenham feito) para que queiram aderir ao MPPM, que possam apoiar esta causa com uma contribuição financeira ou de outra índole; que acompanhem a nossa actividade, recebendo documentação regular de informação sobre a situação naquela região, assim como participando em grupos de trabalho para dinamizar a divulgação destes objectivos.

Somos poucos; precisamos do vosso apoio, da vossa colaboração.

Queremos chegar a vários pontos do pais, dinamizar a discussão e a informação sobre a palestina.

Queremos um MPPM capaz de apelar aos órgãos de soberania nacionais:

- Para que Portugal assuma uma posição activa própria, na União Europeia, na ONU;

- Para que Portugal exija o fim imediato do bloqueio a Gaza, com consequências dramáticas para mais de um milhão e meio de pessoas;

- Para que Portugal exija o desmantelamento do muro de um novo apartheid,

- Para que Portugal exija a retirada de Israel dos territórios ocupados incluindo Jerusalém Oriental e que cessem a ocupação e instalação de mais colonatos

- Para que Portugal exija a adopção de sanções internacionais a Israel.

- Para que Portugal exija no fundo que sejam implementadas as decisões das nações unidas e que esta restabeleça o principal papel politico e de execução.

Queremos que Portugal tenha uma política ao lado dos palestinos, ao lado das resoluções das Nações Unidas, e não de submissão à política dos EUA.

 

Caros amigos,

Esta pretende ser uma iniciativa de solidariedade, de denúncia e combate, mas também desde logo de confraternização, de convívio e de cultura.

Com este jantar, com a gastronomia palestina, ficámos afinal a conhecer um pouco mais acerca deste povo e das suas tradições. É também para isso que está a servir esta Semana da Palestina, com o conjunto de iniciativas que o MPPM decidiu realizar – divulgar a Palestina, a cultura e a luta do seu povo.

Por isso apelamos a todos para que continuem a participar nas iniciativas do MPPM, desde já com as próximas iniciativas desta “Semana da Palestina”.

Estamos certos de que está a valer a pena levar a cabo estas acções e difundir esta nossa mensagem. Contava uma companheira nossa do MPPM, que há dias um canal de televisão emitia um documentário sobre “gastronomia em zonas de perigo”. E ali se retratava como tantas pessoas de Israel, ultrapassando conflitos e desconfianças, demonstravam também desta forma que os povos se podem conhecer melhor, partilhar costumes e tradições.

Ao fim e ao cabo, como se confirma com esta iniciativa, também com um prato de “hummus” podemos ajudar a defender a soberania, a liberdade, os direitos do povo palestino e uma paz justa para o Médio Oriente.

 

Intervenção proferida em 21 de Novembro de 2008 no “Jantar com Sabores da Palestina” realizado na sede do Grupo Sportivo Adicense, em Lisboa.

Carlos Silva é Gerente Comercial e membro da Direcção Nacional do MPPM

 
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