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NO PRIMEIRO ANIVERSÁRIO DA MAIS RECENTE AGRESSÃO ISRAELITA CONTRA A FAIXA DE GAZA

Em 8 de Julho de 2014 – faz hoje um ano – Israel deu início a uma bárbara agressão contra a população palestina da Faixa de Gaza, que designou por “Operação Margem Protectora”, e que iria prolongar-se por 51 dias. O balanço é devastador, mas a crueza dos números não relata os traumas psicológicos das crianças e adultos, as vidas destroçadas dos sobreviventes, as dificuldades de reconstrução num território onde tudo o que entra ou sai é sujeito ao férreo controlo de quem provocou a destruição.

Durante a agressão foram registadas 2.251 vítimas mortais entre os palestinos, das quais 551 crianças e 299 mulheres. No mesmo período, houve 73 mortos israelitas, sendo 6 civis. O número de feridos palestinos ascendeu a 11.231. Os grupos mais vulneráveis da população não foram poupados: 3.436 crianças e 3.540 mulheres contam-se entre os feridos. Devido à elevada densidade populacional e acentuada urbanização de Gaza, virtualmente toda a população ficou exposta à agressão. Nenhum local era seguro: habitações e hospitais, escolas e mesquitas usadas como abrigo para os desalojados foram bombardeados sem contemplação.

A agressão israelita contra Gaza não só causou uma enorme perda de vidas como provocou danos sem precedentes nas infra-estruturas públicas deixando centenas de milhares de pessoas sem acesso a electricidade, água potável ou cuidados de saúde. A maioria da população de Gaza perdeu os seus meios de subsistência. 419 fábricas e oficinas foram danificadas, com 128 totalmente destruídas. O abandono forçado das terras e rebanhos levou à perda de 17.000 hectares de terras de cultivo e da maior parte das infra-estruturas agrícolas como estufas, sistemas de rega, explorações pecuárias. Os pescadores estiveram proibidos de sair para o mar durante a agressão – ou faziam-no com risco de vida – e muitos perderam as suas embarcações. A situação da água e do saneamento, que já era crítica antes da agressão, devido à sobreexploração e contaminação do aquífero costeiro, agravou-se com a destruição de poços e condutas e a falta de electricidade e combustível. Cerca de 30% das infra-estruturas da rede de água foram significativamente afectados. 450.000 pessoas estiveram sem acesso a água. Em consequência do bombardeamento aéreo da sua única central eléctrica, a electricidade teve que ser cortada durante 18 horas por dia. 18.000 habitações foram destruídas ou seriamente danificadas,  deixando 108.000 pessoas sem abrigo, e outras 37.650 foram danificadas mas continuaram a ser habitadas. Há registo de danos causados em 277 escolas, 73 hospitais e centros de saúde, 260 mesquitas e 2 igrejas cristãs.

Toda esta devastação veio agravar ainda mais a já débil economia de Gaza onde, antes da agressão, já 57% da população sofria de insegurança alimentar. A taxa de desemprego, no último trimestre de 2014, foi de 42,8% (comparada com 18,7% em 2000) e é a maior a nível mundial.

No auge da agressão, 485.000 pessoas – vinte e oito por cento da população de Gaza – estiveram deslocadas internamente, incluindo em escolas da UNRWA (United Nations Relief and Works Agency) designadas como abrigos de emergência, em escolas oficiais, em abrigos improvisados tais como edifícios devolutos, igrejas e mesquitas, e em famílias de acolhimento. Mesmo depois de terminado o conflito, estima-se que cerca de 110.000 pessoas sejam desalojadas de longa duração, uma vez que as suas habitações ficaram destruídas.

E, um ano volvido, num clima de aparente normalidade, a avaliar pelo silêncio dos media, qual é a situação?

Os 1.800.000 habitantes da Faixa de Gaza, dos quais 1.240.000 são refugiados, continuam sujeitos um férreo bloqueio, por terra, mar e ar, impostos tanto por Israel como pelo Egipto. A pesca só é permitida até às 6 milhas náuticas (cerca de 11 km) da costa. A agricultura está interdita numa faixa de 1 km ao longo de toda a fronteira de Israel (num território cuja largura varia entre 6 e 11 km!).

Há dois postos fronteiriços praticáveis: Rafah, para o Egipto, só esteve aberto 15 dias entre Outubro de 2014 e Maio de 2015; Erez, para Israel, regista 2% do movimento que tinha em 2000. A única fronteira para mercadorias é a de Kerem Shalom, mas só as mercadorias autorizadas por Israel podem circular, e Israel considera que cascalho, barras de ferro ou cimento, assim como um grande número de peças, material informático e veículos são itens de “dupla utilização” e, portanto, têm importação restrita.

A reconstrução está virtualmente parada, devido ao bloqueio. Até ao momento, apenas 1% dos materiais necessários à reconstrução de habitações entrou em Gaza.

Entre 8 de Julho e 26 de Agosto de 2014 o mundo civilizado indignou-se com os relatos das barbaridades cometidas contra o povo de Gaza. Depois, tudo voltou “à normalidade” – os media deixaram de falar de Gaza, os problemas deixaram de existir. E nem o relatório da Comissão Independente designada pelas Nações Unidas que evidencia, uma vez mais, a prática de crimes de guerra por Israel, parece despertar as consciências.

Até quando permitiremos que esta situação persista?

Lisboa, 8 de Julho de 2015

A Direcção Nacional do MPPM

 
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