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MPPM insta UEFA a rejeitar candidatura de Jerusalém a cidade anfitriã do Euro 2020

No próximo dia 19 a UEFA vai decidir quais as 13 cidades que acolherão a fase final do Euro 2020. Entre as cidades candidatas encontra-se Jerusalém, proposta por Israel. Se acolher esta candidatura, a UEFA estará a passar a mensagem de que, contrariamente à sua campanha de promoção do “fair play”, na realidade está a aprovar, se não a incentivar, a violência étnica, o desrespeito pelo direito internacional, as violações de direitos humanos, a guerra ao próprio futebol.

Israel continua a ocupar brutalmente o território da Palestina e Jerusalém Leste, fazendo tábua-rasa de todas as resoluções das Nações Unidas, no sentido de pôr termo à ocupação, e do direito internacional e do direito humanitário internacional, que regulam as obrigações das potências ocupantes. Pelo contrário, desafiando toda a comunidade internacional, prossegue a sua política de colonização ilegal, nomeadamente em Jerusalém, visando a sua judaização através da expulsão dos seus habitantes nativos.

O futebol é um desporto apaixonante, que deveria servir para desenvolver ideais de justiça e de solidariedade, especialmente entre a juventude. Mas Ahmad Muhammad al-Qatar e Uday Caber, dois jovens futebolistas palestinos de 19 anos, não vão viver esses ideais porque se incluem nas mais de 2.000 vítimas mortais da recente agressão israelita contra Gaza.

Estádios de futebol, alguns oferecidos pela União Europeia à Palestina foram, de pronto, destruídos por Israel. Embora a Palestina seja um membro da FIFA – ocupa a 88ª posição do ranking, entre 208 países – os seus jogadores são frequentemente proibidos por Israel de se deslocar ao serviço da sua selecção.

O Estádio Teddy Kollek, proposto por Israel para acolher o Euro 2020, é sede do Beitar Jerusalem Football Club, um bastião de racismo e xenofobia – a absoluta antítese dos valores defendidos pela UEFA. Correu mundo o episódio da violenta contestação, pelos adeptos do Beitar, à contratação de dois futebolistas muçulmanos tchetchenos, não tendo sido suficiente a explicação do treinador do clube, Eli Cohen, de que os muçulmanos europeus são bons, ao contrário dos muçulmanos árabes…

É frequente as instâncias dirigentes do futebol resguardarem-se atrás da máxima “não misturamos futebol com política”. Bem recentemente, aliás, ela serviu para justificar a aplicação de multas contra clubes irlandeses e escoceses (entre eles o Celtic de Glasgow) pelo facto de os seus adeptos terem exibido bandeiras palestinas durante a realização de jogos a contar para as competições europeias. Mas, quando estão em causa valores humanos fundamentais, desde logo o direito à vida, esta falsa neutralidade representa, de facto, um alinhamento ao lado do agressor contra o agredido, ao lado do carrasco contra a vítima.

A FIFA nunca conseguirá lavar a vergonhosa mancha com que se cobriu ao desqualificar a União Soviética por se recusar a jogar a segunda mão do play-off para o Mundial de 1974, contra o Chile, no Estádio Nacional, em Santiago – onde, duas semanas antes, o ditador Augusto Pinochet tinha feito aprisionar, torturar e executar centenas de opositores – negando-lhe a possibilidade de jogar noutro campo. Da mesma forma, a organização em Israel, por decisão da UEFA, do Campeonato da Europa de sub-20 de 2013, incluindo entre outros o mesmo estádio agora proposto para acolher o Euro 2020, constituiu uma decisão que compromete os organismos do futebol europeu com a violação do direito internacional e a política de limpeza étnica levada a cabo pelo Estado de Israel, e que tem em Jerusalém um dos seus principais alvos.

O MPPM – Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente – apela à UEFA a que, em coerência com a sua defesa do “fair play” e o combate ao racismo e à xenofobia no futebol, rejeite a candidatura de Jerusalém a cidade anfitriã da fase final do Euro 2020.

O MPPM insta o governo português, e bem assim, os organismos que representam o futebol nacional a que, em nome dos direitos humanos, dos princípios caros ao ideal desportivo como o respeito pela dignidade da pessoa humana, a educação e formação do ser humano, a afirmação e defesa da paz e da cooperação entre os povos, e no respeito pelos valores inscritos na Constituição da República Portuguesa, se manifestem de forma clara e sem hesitações contra a candidatura apresentada por Israel para a fase final do Euro 2020.

O MPPM apela a todos os amantes do futebol e defensores dos altos valores e ideais que este desporto encerra a que se pronunciem no sentido de levar a UEFA a rejeitar a candidatura de Jerusalém a cidade anfitriã da fase final do Euro 2020.

Lisboa, 14 de Setembro de 2014

A Direcção Nacional do MPPM

 
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