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Em nome do direito à defesa

Em nome do “direito à defesa”, Israel iniciou ontem a operação militar Protective Edge contra a tão martirizada população da Faixa de Gaza que, recorde-se, é vítima de um bloqueio desumano, por Israel e pelo Egipto, que dura há sete anos.

Alegando defender-se dos ataques de rockets lançados a partir de Gaza, que terão causado um ferido ligeiro entre a sua população, Israel deu início a uma operação aérea em larga escala que, só no primeiro dia, terá causado a morte a mais de duas dezenas de palestinos, entre os quais várias crianças, além de muitos feridos e desalojados.

Esta operação vinha sendo antecipada com as ofensivas do exército de Israel contra a população da Palestina Ocupada, intensificada a partir de meados de Junho, que se traduziram em mais mortes, prisões e destruição.

Em nome do “direito à defesa” Israel destrói habitações, arrasa campos de cultivo, divide aldeias e isola populações, para prosseguir a construção do Muro do Apartheid – declarado ilegal pelo Tribunal Internacional de Justiça numa sentença histórica cujo 10º aniversário hoje se assinala.

Em nome do “direito à defesa” Israel prossegue a construção e expansão de colonatos – ilegais à luz do direito internacional – e povoa-os com colonos cheios de ódio racista e xenófobo aos seus vizinhos palestinos, e cobre com o manto da impunidade os seus crimes bárbaros, como o que tirou a vida ao jovem Mohamad Abu Khaderis que terá sido queimado vivo como retaliação pela morte, por autores não identificados, de três jovens colonos judaicos.

Em nome do “direito à defesa” Israel conta com o apoio incondicional dos Estados Unidos e com a “neutralidade colaborante” dos países europeus.

Mas quem protege o “direito à defesa” dos palestinos?

Quem protege o seu “direito à defesa” contra a usurpação das suas terras, contra a demolição das suas casas, contra a destruição dos seus campos e pomares, contra a prisão arbitrária dos seus parentes e amigos, contra o assassinato dos seus pais, esposos e filhos?

Quem protege o seu “direito à defesa” da criação de um Estado que seja seu, na terra em que sempre viveram, tendo como capital a cidade que é sagrada para três religiões e uma referência histórica para todos?

Quem protege o “direito à defesa” do regresso ou da justa compensação de todos os foram forçados a abandonar as suas casas e terras, empurrados pela violência bestial do ocupante?

É tempo de dizer basta!

É tempo de dizer bem alto que a vida de uma criança palestina é tão preciosa como a de uma judaica, que a casa de um palestino é tão valiosa como a de um israelita, que a propriedade de um palestino deve ser protegida da mesma maneira que a de um israelita.

É tempo de afirmar que todos são iguais perante a lei e que quem, reiteradamente, viola o direito internacional, ignora as deliberações legítimas dos tribunais e as dos organismos internacionais a que livremente aderiu, não pode fazer parte do concerto das nações nem merece o reconhecimento dos seus pares.

É tempo de denunciar a política hipócrita de dois pesos e duas medidas com que os governos dos países ocidentais tratam a questão palestina.

O MPPM reclama, do governo português que, como representante de um povo solidário e amante da paz, paute a sua intervenção na questão palestina pelo rigoroso cumprimento do direito internacional e do direito internacional humanitário e se abstenha de apoiar quem, como Israel, ao violá-los sistematicamente, se coloca do lado de fora da lei.

Lisboa, 9 de Julho de 2014

A Direcção Nacional do MPPM

 
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