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50.000 PALESTINOS EM DETENÇÃO ADMINISTRATIVA DESDE 1967

As forças de ocupação israelitas emitiram 50.000 ordens de detenção administrativa contra palestinos desde a ocupação da Margem Ocidental e da Faixa de Gaza em 1967, revelou a Comissão para os Assuntos dos Detidos e ex-Detidos. Ao abrigo do regime de detenção administrativa, Israel pode manter os palestinos encarcerados por períodos de seis meses, indefinidamente renováveis, sem julgamento nem culpa formada e sem sequer justificar os motivos da detenção.

Segundo o grupo de direitos dos presos Addameer, neste momento há cerca de 500 detidos administrativos nas prisões israelitas, de um total de 6300 presos.

Desde 1967, o número total de presos e detidos palestinos nas prisões israelitas já ultrapassou os 850.000, ou seja, 20% da população total e 40% da população masculina.

[09.06.2017]

 
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COLÓQUIO NA VOZ DO OPERÁRIO: “COMO É VIVER NA PALESTINA HOJE?”

Como é viver na Palestina após 50 anos de colonização? Esta foi a pergunta a que procuraram responder os participantes no Colóquio realizado n’A Voz do Operário. E a resposta não podia ser mais devastadora. Nos cinquenta anos que se seguiram à ocupação da Margem Ocidental, de Jerusalém Oriental e de Gaza, na sequência da guerra dos Seis Dias, com a cumplicidade da comunidade internacional, Israel tem procedido à pilhagem de recursos naturais, apropriação ou destruição de casas e terras, e construção de colonatos, concretizando uma política de colonização, contrária ao Direito Internacional e inúmeras vezes condenada – inconsequentemente – em instâncias internacionais, de que o Muro do Apartheid é a face mais visível.

Vítor Agostinho, da Direcção da Voz do Operário, deu as boas-vindas aos presentes e destacou o compromisso da associação que dirige com a solidariedade para com as pessoas e os povos.

José Oliveira, da Direcção Nacional do MPPM, traçou um esboço histórico da intervenção externa que conduziu à ocupação da Palestina e à expulsão ou assassinato de muitos dos seus habitantes naturais.

Fernando Quaresma, estudante, participou como voluntário num campo de trabalho em Nablus e relatou a sua experiência das dificuldades da vida quotidiana, tanto em Nablus como nas outras cidades da Margem Ocidental que visitou, onde a presença militarizada do ocupante é permanentemente visível.

Adriana Mabília, jornalista brasileira, visitou demoradamente a Palestina e relatou a sua experiência no seu livro “Viagem à Palestina: Uma prisão a céu aberto”. Com base nas numerosas entrevistas que realizou, com dirigentes, activistas e pessoas comuns, e até com novos colonos agenciados pelo Fundo Judaico, traça um retrato vívido do dia-a-dia em casa, no trabalho, na escola, mas também na resistência pacífica ao invasor.

José Goulão destacou a inconsequência dos sucessivos “processos de paz” e a inoperância cúmplice da comunidade internacional, em relação a um processo que se iniciou há 130 anos, com o manifesto sionista, e que se tem agravado sucessivamente. Denunciou a incompetência das organizações internacionais, incapazes de fazer cumprir as resoluções que aprovam. Terminou com uma nota de actualidade sobre a nova situação no Médio Oriente, cujo desfecho é imprevisível.

No final, o único aspecto positivo a destacar é a inabalável capacidade de resistência do povo palestino e o nosso dever de solidariedade.

[06.06.2017]

 

 
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COMUNICADO 12/2017: NOS 50 ANOS DA OCUPAÇÃO ISRAELITA MPPM RECLAMA LIBERDADE E INDEPENDÊNCIA PARA A PALESTINA

Assinala-se hoje o 50.º aniversário da ocupação dos territórios palestinos de Jerusalém Oriental, da Margem Ocidental do rio Jordão e da Faixa de Gaza, assim como do território sírio dos Montes Golã, realizada durante a chamada «Guerra dos Seis Dias».

Em 5 de Junho de 1967, a pretexto de um inventado perigo para a sua existência e de um fantasioso ataque iminente, Israel desencadeou, sob o olhar complacente das potências ocidentais, uma guerra contra os países árabes seus vizinhos, Egipto, Síria e Jordânia. Às primeiras horas da manhã lançou um ataque de surpresa que destruiu no solo praticamente toda a aviação egípcia, prosseguindo nos dias seguintes uma agressão que conduziu à ocupação da Península do Sinai egípcia e de parte dos Montes Golã sírios.

Israel concluiu também nesta ocasião aquilo que tinha iniciado na guerra de 1948, ou seja, a ocupação da totalidade do território da Palestina histórica (a antiga Palestina do Mandato). Em 1948 ocupara 78% do território (em vez dos 55% que lhe atribuía a resolução 181 da Assembleia Geral da ONU, de 1947). Agora ocupou os territórios restantes que haviam ficado sob administração da Jordânia (Jerusalém Oriental e Margem Ocidental) e do Egipto (Faixa de Gaza).

50 anos depois, a ocupação prossegue, em violação da resolução 242 do Conselho de Segurança da ONU, de 1967, reafirmada entretanto centenas de vezes.

A ocupação dos montes Golã constituiu-se num factor permanente de tensão e conflito em toda a região, agravada agora pela guerra de ingerência lançada contra aquele país soberano pelos EUA e os seus aliados na região e na qual Israel tem desempenhado papel fundamental.

No caso da Palestina, a ocupação teve por consequência uma nova vaga de deslocados e refugiados, que vieram somar-se aos da Nakba, a Catástrofe que foi para os palestinos a guerra de 1948. E permanece ainda hoje por resolver a tragédia da mais antiga e mais numerosa população de refugiados do Médio Oriente.

A ocupação significou também para os palestinos humilhações quotidianas; roubos de terras e de recursos naturais, sobretudo água; repressão brutal, traduzida em mais de 850.000 presos de presos; milhares de mortos, nomeadamente nas agressões de Israel contra a população da Faixa de Gaza, cercada desde 2006.

A construção do vergonhoso Muro do Apartheid, com um comprimento total previsto de 700 quilómetros, veio significar o esbulho de mais terras, o arranque de árvores, a divisão de povoações dos seus campos de cultivo e a ocupação de mais 10% do território palestino.

Em violação da IV Convenção de Genebra, que proíbe a instalação de população da potência ocupante no território ocupado, Israel conduziu uma sistemática colonização dos territórios ocupados. Segundo números da ONU, actualmente pelo menos 570.000 colonos israelitas vivem em cerca de 130 colonatos e 100 postos avançados na Margem Ocidental e em Jerusalém Oriental ocupados.

A rede capilar de checkpoints e o sistema de estradas destinadas a servir os colonatos, de uso exclusivo dos israelitas, significa para os palestinos dificuldade ou mesmo impossibilidade de deslocação na sua própria terra.

Israel declarou a anexação de Jerusalém Oriental (que nenhum país reconhece) e prossegue uma activa política de «judaização» e de expulsão da sua população palestina, procurando ao mesmo tempo separar Jerusalém Oriental do restante território palestino.

Ao longo de 50 anos o povo palestino tem resistido por todas as formas à ocupação, à repressão, às violências, mantendo bem viva a sua identidade nacional que o ocupante procurou obliterar, e prossegue hoje a sua luta heróica pela dignidade, pela liberdade, pela independência.

50 anos depois, é tempo de a comunidade internacional, no respeito dos seus compromissos, plasmados em inúmeras resoluções da ONU, obrigar Israel a pôr fim à ocupação de todos os territórios ocupados em 1967.

É tempo de a comunidade internacional e de todos os países que a compõem, incluindo Portugal, tomarem as medidas necessárias para cumprir a promessa feita há décadas ao povo palestino.

É tempo de se tornar realidade o Estado palestino independente, soberano, contíguo, viável, com capital em Jerusalém Oriental.

5 de Junho de 2017

A Direcção Nacional do MPPM

[05.06.2017]

 
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