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COMUNICADO 15/2017: MPPM RECLAMA QUE PORTUGAL VOTE FAVORAVELMENTE CLASSIFICAÇÃO DE HEBRON COMO PATRIMÓNIO MUNDIAL

O Comité do Património Mundial da UNESCO, de que Portugal faz parte, é chamado a pronunciar-se, durante a sua reunião a decorrer em Cracóvia (2-12 de Julho), sobre um pedido de inscrição da Cidade Velha de Hebron na Lista do Património Mundial e do Património Mundial em Perigo, apresentada pela Delegação Permanente da Palestina.

Hebron, cidade palestina localizada no Sul da Margem Ocidental ocupada por Israel desde 1967, é uma das mais antigas cidades continuamente habitadas do mundo. A sua Cidade Velha é local de peregrinação das três religiões monoteístas e constitui um notável conjunto arquitectónico, com destaque para a Mesquita de Ibrahim e o Túmulo dos Profetas.

Em 1996 a Autoridade Palestina criou o Comité de Reabilitação de Hebron, cujo trabalho de conservação e reabilitação foi reconhecido até pela atribuição do prestigioso Prémio Aga Khan de Arquitectura.

Considerando que o sítio reúne as condições para ser incluído na Lista do Património Mundial da UNESCO, as autoridades palestinas apresentaram em 2012 a sua candidatura. Porém, os contínuos actos de vandalismo, danificação do local e outros atentados, documentados nomeadamente por relatórios da UN-OCHA (United Nations Office for the Coordination of Humanitarian Affairs), levaram as autoridades palestinas a requerer a passagem do pedido de classificação para um processo de emergência, que se justifica tanto mais quanto persiste a ocupação, e nomeadamente a presença de cerca de 800 colonos israelitas no coração da cidade, protegidos por forças militares israelitas e por todo um sistema de restrições e checkpoints impostos aos 300.000 habitantes palestinos.

Acresce ao rol de violações, e directamente ligado ao assunto em causa, o facto de Israel ter expressamente impedido uma visita de campo a Hebron de uma equipa de avaliação do ICOMOS (Conselho Internacional dos Monumentos e Sítios), através da negação de vistos de entrada em Israel.

O MPPM exorta as autoridades portuguesas a pronunciarem-se favoravelmente, através do seu embaixador na UNESCO, ao pedido de classificação apresentado pela Palestina. Só deste modo Portugal contribuirá para evitar a destruição de um património de inegável valor histórico e cultural e recusará pactuar com as manobras da potência ocupante, Israel, país que viola sistematicamente, desde há décadas, sucessivas resoluções da ONU e cuja persistente ocupação tem posto continuadamente em risco este e outros sítios históricos da Palestina.

Lisboa, 5 de Julho de 2017

A Direcção Nacional do MPPM

[05.07.2017]

 
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COMUNICADO 14/2017: FESTIVAL DE TEATRO DE ALMADA NÃO PODE ASSOCIAR-SE AO ESTADO DE ISRAEL

O Festival de Teatro de Almada programou a apresentação, no próximo dia 12 de Julho, de um espectáculo com a companhia israelita Kamea Dance Company. Esta apresentação é patrocinada pelo Estado de Israel através da sua embaixada em Portugal.

O MPPM não pode deixar de condenar a associação, por esta via, do Festival de Teatro de Almada ao Estado de Israel.

Para o MPPM não está em causa a necessária e justa autonomia de uma organização cultural na definição da programação de uma iniciativa, nomeadamente do Festival de Teatro de Almada, evento de reconhecida importância nacional e internacional. De igual modo não está em causa a relação entre agentes e produtores culturais, nem a relação entre entidades de índole cultural.

O que está em causa com este facto é a colaboração, mesmo que involuntária, numa operação que — independentemente das intenções dos organizadores do referido Festival — objectivamente contribui para «normalizar» e legitimar um governo e uma política de Estado baseados na limpeza étnica da população palestina, na ocupação ilegal e universalmente condenada de territórios palestinos, na expulsão de populações de cidades e territórios por motivos racistas e numa política de Estado que, de forma sistemática, visa a destruição da existência nacional e da identidade cultural do povo palestino.

O Estado que se associa ao Festival de Teatro de Almada é um Estado que sistematicamente viola, desde há décadas, as resoluções das Nações Unidas, sendo um dos principais fautores de guerra no Médio Oriente, responsável por permanentes e bárbaros crimes contra o povo palestino e contra todos os povos da região — como ficou patente no massacre de Gaza em 2014. Um Estado com um governo que todos os dias prossegue a sua marcha de colonização e anexação de território palestino e de segregação e expulsão da população palestina da sua terra natal e ancestral, e que reprime a diversidade cultural.

A Companhia de Teatro de Almada merece do MPPM respeito e admiração, nomeadamente pelo seu percurso histórico marcado pelo compromisso com os direitos dos povos e a solidariedade com os oprimidos. E é exactamente por essa razão que o MPPM expressa a sua estupefacção e condenação de uma atitude que credibiliza um dos mais bárbaros e belicistas Estados do planeta, dando campo, mesmo que involuntariamente, a uma colaboração que contraria o crescente e justo isolamento e condenação internacionais de Israel e do seu governo. Tal decisão não reflecte igualmente o sentir do Município de Almada, que por via dos seus órgãos — Câmara Municipal, Assembleia Municipal e Juntas de Freguesia — é um dos maiores exemplos de compromisso e empenho na solidariedade com o povo palestino.

O MPPM considera que a decisão da organização do Festival de Teatro de Almada de associar o Estado de Israel a esta iniciativa é tanto mais incompreensível quanto este importante Festival é abraçado e acarinhado de forma entusiasta pela população de Almada, cujo sentimento de solidariedade com a luta do povo palestino pelos seus inalienáveis direitos nacionais é permanente, generoso e verdadeiro.

O MPPM exorta os organizadores do Festival de Teatro de Almada a porem fim à sua colaboração com entidades estatais e governamentais de Israel — nomeadamente com a Embaixada de Israel em Portugal – enquanto aquele país se mantiver fora da lei, à margem do direito e das convenções internacionais. Essa é a única forma de honrar o património humanitário, solidário e democrático do Festival de Teatro de Almada — iniciativa que tem sabido granjear no concelho, no país e no plano internacional um prestígio que orgulha todos os portugueses — e de não trair o povo mártir da Palestina.

Lisboa, 3 de Julho de 2017

A Direcção Nacional do MPPM

[03.07.2017]

 
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ISRAEL VOLTA A PRENDER DEPUTADA PALESTINA KHALIDA JARRAR

Forças militares israelitas prenderam a deputada palestina Khalida Jarrar e vários militantes da Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP) durante incursões de madrugada na Margem Ocidental ocupada.

Na madrugada de domingo 2 de Julho, um grande número de soldados israelitas invadiram a casa de Khalida Jarrar, no centro da cidade de Ramala, e prenderam-na. O seu marido afirmou que as forças israelitas apreenderam computadores durante o ataque.

A agência de espionagem interna israelita, Shin Bet, anunciou em comunicado que Jarrar foi presa juntamente com um activista palestino por «promover actividades terroristas», sem fornecer qualquer informação adicional. Israel classifica como actividades terroristas as acções de resistência à ocupação.

Em comunicado, a Frente Popular para a Libertação da Palestina confirmou que as forças de ocupação sionistas lançaram no domingo de madrugada uma campanha de incursões na Margem Ocidental ocupada, prendendo vários dirigentes e activistas da Frente, incluindo Khalida Jarrar, a activista feminista Khitam Saafin, presidente da União dos Comité de Mulheres Palestinas, e o ex-preso Ihab Massoud, bem como vários ativistas em Hebron. A FPLP declarou que esses ataques não a impedirão de prosseguir o seu papel na resistência à ocupação e de se opor aos crimes e projectos que visam liquidar a causa palestina.

Khalida Jarrar é uma das mais destacadas críticas da ocupação israelita e tem condenado repetidamente as atrocidades do regime de Tel Aviv contra os palestinos. Foi presa pela última vez em 2 de Abril de 2015, altura em que a sua casa em Ramala foi invadida por soldados israelitas. Foi libertada da prisão em 3 de Junho de 2016, com uma pena de 12 meses suspensa durante um período de cinco anos.

Eleva-se assim para 13 o número de deputados ao Conselho Legislativo Palestino (parlamento dos territórios ocupados palestinos) actualmente presos em centros de detenção israelitas. Nove estão detidos ao abrigo da chamada detenção administrativa, regime ao abrigo do qual os presos palestinos são mantidos em centros de detenção israelitas sem julgamento nem culpa formada, por períodos de tempo indefinidos.

[02.07.2017]

 
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